quinta-feira, 12 de abril de 2012

CIVITA SERÁ CONVOCADO PARA CPI CACHOEIRA

Roberto Civita, dono da Editora Abril e da revista “Veja”
Carlinhos Cachoeira, preso acusado de vários crimes (tratado pela Veja e a mídia em geral como “empresário”)

[OBS inicial deste blog 'democracia&política':


Repito, por oportuna e pertinente, observação já feita por este blog há duas semanas: a revista “Veja” é notoriamente defensora da direita e dos grandes conglomerados financeiros e econômicos internacionais. É radical alinhada com os interesses pró-EUA (e seus aliados) e pró-Israel. Em consequência, é antiLula, antiDilma, antiPetrobras estatal, árdua batalhadora há nove anos pela volta da direita (dos demotucanos) ao poder no Brasil, pois o governo FHC/PSDB/DEM/PPS foi alinhado e servil àqueles conglomerados e países que a “Veja” defende.


Roberto Civita é o dono da "Veja". Judeu nascido em Milão-Itália em 1936, fez todos os seus estudos nos EUA. O governo FHC/PSDB/DEM concedeu-lhe, em 2002, a mais elevada honraria, a de “Grande Oficial da Ordem do Rio Branco”, provavelmente pelos imensos serviços prestados à direita brasileira e internacional e ao governo demotucano.


Faço essas observações iniciais para mais bem compreendermos o cenário onde atua a “Veja” e a oposição. A revista usa, para seus objetivos, até políticos e personalidades do crime organizado, meios e artifícios ilegais que agora começam a ser investigados na operação policial “Monte Carlo” da Polícia Federal e, certamente, serão objeto da CPMI do Congresso].

Por Luis Nassif:

A aventura de Roberto Civita é imensamente mais grave que a de Rupert Murdoch – o magnata australiano que acabou com um jornal centenário na Inglaterra, por abusos contra direitos individuais.

No final da tarde de segunda-feira (9), o blogueiro Ricardo Noblat informou que foi aprovada a CPI Mista Câmara-Senado sobre o caso Carlinhos Cachoeira. Um dos primeiros convocados será o dono da Editora Abril, Roberto Civita.

O episódio, em si, deverá provocar mudanças substantivas no modo de fazer jornalismo. Mais do que uma ameaça à liberdade de imprensa, deverá fortalecê-la, na medida em que viabilizará a criação de órgãos de regulação – como o CONAR, o conselho de autorregulação do mercado publicitário.

A aventura de Roberto Civita é imensamente mais grave que a de Rupert Murdoch – o magnata australiano que acabou com um jornal centenário na Inglaterra, por abusos contra direitos individuais. O jornal de Murdoch associou-se a setores da polícia para obter informações sigilosas de inquéritos e promover escutas contra celebridades.

Coube a um jornal concorrente, “The Guardian”, denunciar a trama. Como consequência, o jornal de Murdoch sofreu enorme boicote de anunciantes e uma série de processos que culminaram na prisão de alguns dirigentes.

Por outro lado, o governo inglês promoveu mudanças significativas na regulação da mídia, por considerar que o órgão regulador (controlado pelos próprios veículos) não cumpriu seu papel.

Os tablóides ingleses já foram os mais execráveis periódicos de qualquer economia desenvolvida. Sem limites, foram exorbitando até bater nos limites legais. Daqui para a frente, certamente haverá enorme avanço na qualidade da imprensa britânica.

No caso de Civita, a parceria não foi com setores da polícia, mas com o próprio crime organizado, a organização criminosa de Carlinhos Cachoeira. O bicheiro ajudou a eleger o senador Demóstenes Torres [DEM]. A revista Veja incumbiu-se de transformá-lo em político influente, através de uma série de matérias enaltecendo-o. Com o poder conferido pela revista, Demóstenes pressionava agências reguladoras, setores do governo, para medidas que beneficiassem Cachoeira.

Não apenas isso. Em um dos trechos da “Operação Monte Carlo”, Cachoeira é flagrado falando da importância de dispor de jornalistas a seu serviço e anunciando, para breve, uma enorme reportagem “sobre educação”.

Em outro trecho, aparece acertando com o Secretário de Educação de Goiás um projeto de construção de escolas no padrão do modelo chinês. Pouco tempos depois, “Veja” publica uma matéria de capa enaltecendo justamente o modelo chinês e o modelo de construção de escolas.

Pode ter sido "mera coincidência", pode ser parceria em um setor – a educação pública – em que tanto Cachoeira quanto Roberto Civita vem investindo. A CPI esclarecerá.

Mas o trabalho de Civita, através da “Veja”, não ficou nisso. Quando a Polícia Federal deflagrou a “Operação Satiagraha”, “Veja” publicou um conjunto de capas inverossímeis, falsas, em defesa do banqueiro Daniel Dantas. Usou dossiês falsos para atacar Ministro do STJ que votou contra os interesses de Dantas.

Os métodos de Civita chegaram ao auge na reportagem sobre o falso grampo – que teria gravado conversa entre Demóstenes e o presidente do STF Gilmar Mendes – e no dossiê falso sobre contas de autoridades no exterior.”

FONTE: escrito pelo jornalista Luis Nassif na Coluna Econômica do seu portal. Transcrito no portal do PT  (http://www.pt.org.br/noticias/view/blog_do_nassif_civita_sera_convocado_para_cpi_cachoeira) [Imagens do Google e observação inicial entre colchetes adicionadas por este blog ‘democracia&política’].

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