terça-feira, 27 de dezembro de 2011

FAB ATUA NO COMBATE AO TRÁFICO NA FRONTEIRA

Super Tucano (A-29) operando durante a “Operação Ágata 1” (Foto - Agência FAB)

FRONTEIRA - FAB ATUA NO COMBATE AO TRÁFICO


OPERAÇÕES DE REPRESSÃO SÃO REALIZADAS NA LINHA DA FRONTEIRA EM TEMPO INTEGRAL

Por Roberto Godoy, no "Estadão"

“Dia quente, um pouco nublado. E, de repente, um baita susto: ao lado do avião monomotor vindo da Bolívia estava um caça leve Super Tucano, o A-29 da Força Aérea, exibindo suas metralhadoras .50 e exigindo informações. O boliviano voava a apenas 500 metros, ignorou a mensagem e iniciou uma manobra de fuga em direção à fronteira. Recebeu ordem para pousar na cidade de Cacoal, Rondônia. Não atendeu, baixou para escassos 100 metros e continuou tentando escapar. Era um bandido - na definição dos caçadores.

Foi então que o piloto da FAB disparou um tiro à sua frente. Foi o suficiente para tornar cooperativo o invasor, que passou a responder aos contatos por rádio e a cumprir ordens. Todavia, não completamente. Embora sob escolta dos Super Tucanos, o piloto subitamente precipitou a aterrissagem numa estrada de Izidrolândia, um distrito rural. As aeronaves militares permaneceram vigiando a área para evitar uma decolagem até à chegada da polícia. Dois dias depois, os dois bolivianos que estavam a bordo do monomotor foram presos pela Polícia Federal em Pimenta Bueno.

O bandido não teve chance em nenhum momento - desde a entrada no espaço aéreo brasileiro, estava sendo monitorado por um grande jato radar R-99 do Esquadrão Guardião, de Anápolis. O olho digital, um sistema Erieye, pode acompanhar 300 alvos a qualquer altitude num raio de 350 km e lançar os caças no encalço dos clandestinos, não identificados.

O avião apreendido transportava 176 quilos de pasta base de cocaína, coisa de R$ 400 mil. O destino da droga era o Rio. Depois de refinada, a Europa.

A façanha foi comemorada com festa na Base Aérea de Porto Velho, onde está o Esquadrão Grifo, de onde decolaram os aviões de combate.

Esse tipo de operação virou padrão na FAB há cerca de quatro anos. O protocolo é flexível, mas funciona assim: a inteligência da Policia Federal detecta um foco de origem de rotas de entrega de drogas, armas e componentes eletrônicos e, em seguida, passa a informação para a Aeronáutica; por meio do Comando de Defesa Aeroespacial Brasileiro (COMDABRA), medidas são tomadas para vigiar o espaço indicado com radares fixos e móveis. O COMDABRA mobiliza recursos antiaéreos do Exército e da Marinha. No ar, o contrabandista é perseguido até seu destino, quase sempre um terminal de pouco movimento no interior de São Paulo. Sob risco de perder a presa, o procedimento muda e pode chegar até ao limite do abate da aeronave sob suspeita, passando antes por várias etapas. Isso nunca foi necessário.

AMEAÇAS

Além da vertente de glamour e sofisticação, o episódio carrega um lado sombrio do qual o Comando da Aeronáutica evita tratar: vários pilotos envolvidos nas ações foram ameaçados por traficantes. O jornal “Estado de São Paulo” conversou com dois deles em diferentes bases da FAB.

Em ambos os casos, a tentativa de intimidação veio pelo telefone pessoal. Os chamados citavam locais frequentados pelos militares e recomendavam cuidado. Houve outras ocorrências, mas o número, confidencial, é considerado pequeno por um oficial superior da área, "irrelevante se comparado com o registrado contra os agentes federais".

Nada mudou na vida dos militares, a não ser, talvez, por conta de providência sutil. Uma norma antiga, a de que pilotos de caça não devem ser identificados ou fotografados, passou a ser observada com certo rigor. Todas as unidades subordinadas ao COMDABRA podem ser acionadas para missões de interceptação. Entretanto, os Esquadrões Flecha, de Campo Grande (MS), Grifo, de Porto Velho (RO), e Escorpião, de Boa Vista (RR), equipados com o A-29 Super Tucano, da Embraer, são ativados com maior frequência.

Todos os três mantêm certo número de A-29 armados, prontos para a decolagem de alerta em, no máximo, 10 minutos - 24 horas por dia. Estima-se que 70% dos voos do tráfico começam em algum ponto dos 1.750 quilômetros de fronteira seca, no limite oeste do País. O comando determina o lançamento dos aviões, quase sempre uma aeronave isolada. O procedimento é o de alerta - o piloto tem 3 minutos para chegar ao avião, mais três para entrar no cockpit e quatro para decolar. A tarefa ele somente conhecerá quando estiver no ar, acelerando a 500 km/hora.

INSTRUÇÃO

A bordo do avião de US$ 9 milhões estará um oficial sob as ordens de um tenente-coronel. Com idade média de 41 anos, ele chefia um grupo de 145 militares. Os aviadores são jovens, todos na faixa dos 23 anos, entre os quais mulheres.

Para chegar ao Super Tucano, os pilotos passam pela Academia da Força Aérea, em Pirassununga (SP), e depois pelos centros de formação especializada em Natal e Fortaleza. Nos esquadrões operacionais, são de três a quatro anos treinando ataque ao solo, combate aéreo, o uso do capacete com sistema de visão noturna e o captador de imagens térmicas.

Da chegada à primeira escola, até ao assento de um dos supersônicos Mirage 2000C/D, F-5M ou do bombardeiro AMX, cada aviador vai custar até US$ 2,5 milhões.

O contingenciamento orçamentário afeta pouco a instrução. A hora de voo do Super Tucano é barata, não sai por mais que R$ 1,5 mil.”

FONTE: reportagem de Roberto Godoy publicada no jornal “O Estado de São Paulo” (Estadão). Transcrita no site “DefesaNet” (http://www.defesanet.com.br/fronteiras/noticia/4117/FRONTEIRA---FAB-atua-no-combate-ao-trafico).

5 comentários:

Probus disse...

Acho que tem mais Mi-35M chegando…

by PFF on 18 DE DEZEMBRO DE 2011

Nesta quinta-feira, foi publicado no Portal da Transparência o empenho de 60 milhões de dólares, com a seguinte descrição:

PN: W/O CT 004/CABE/2008 – AQUISICAO DE 12 (DOZE) HELICOPTEROS DE COMBATE-TRANSPORTE, MI-35M, DE FABRICACAO RUSSA Requisition: AFE349802CO

Sugestão: Fabricio Rocha

Para que não fiquem dúvidas: esse pagamento ainda se refere às doze aeronaves originais, adquiridas há três anos, e não a um novo contrato.

http://vootatico.com.br/archives/8996

Plano Brasil: Mais três helicópteros Mi-35M Sabre para FAB estão prontos na Rússia

Published on maio 7th, 2011

http://cavok.com.br/blog/?p=32437

Seis helicópteros Mi-35M para FAB estão prontos na Rússia, mas nada de pagamento

Published on dezembro 10th, 2011

http://cavok.com.br/blog/?p=43594

Seis helicópteros Mi-35M adicionais devem vir para FAB

Published on dezembro 18th, 2011

http://cavok.com.br/blog/?p=44022

Campanha de tiro com os AH-2 da FAB

by PFF on 5 DE OUTUBRO DE 2011

http://vootatico.com.br/archives/8392

18/10/2010: MIL MI-35 M Hind multifuncionalidade ao limite

http://defesasaereas.blogspot.com/2010/10/mil-mi-35-m-hind-multifuncionalidade-ao.html

09/12/2008: MIL MI-35 HIND. Um tanque voador em céus brasileiros

http://aircombatcb.blogspot.com/2008/12/mil-mi-35m-hind-um-tanque-voador-em-cus.html

Política disse...

Probus,
Pelo que já li, creio que esse referido empenho é mais uma parcela do pagamento da aquisição de 12 Mi-35M (AH-2 na FAB). Em 2010, chegaram os três primeiros. Deve estar ocorrendo, desde então, pagamentos em parcelas e entregas dos helicópteros gradativamente. Ver http://fab.mil.br/portal/capa/index.php?mostra=5077.
Maria Tereza

Probus disse...

Mas o que eu queria dizer é que o Combate ao Tráfico de Fronteira tem que ser através de uma Plataforma de acordo com o teatro, então, os Mi-35 (AH-2 Sabre) formam, junto com os Super Tucanos esta plataforma, um INTERCEPTA e o outro ABORDA.

Política disse...

Probus,
Faz sentido o que você diz. Contudo, para funcionar, precisa adicionar à dupla o Emb-145 AEW (R-99), pois os Super Tucanos não têm radar e precisam dos "olhos" dos R-99, que repassam os dados para os A-29 fazerem as interceptações e, após, os AH-2 fazerem as abordagens.
Maria Tereza

Probus disse...

Exato, começa pelo R-99, que CAPTA o INVASOR.

EMBRAER R-99 A/B. Os olhos da Força Aérea Brasileira.

http://aircombatcb.blogspot.com/2006/07/embraer-r-99-ab-os-olhos-da-fora-area.html