terça-feira, 13 de dezembro de 2011

BANCOS DOS EUA E EUROPA ENVOLVIDOS COM O CRIME ORGANIZADO


AUTOR DE “BEST-SELLER” ACUSA BANCOS DE GERIREM DINHEIRO DO CRIME

“O jornalista e escritor italiano Roberto Saviano, autor do best-seller "Gomorra: A História Real de um Jornalista Infiltrado na Violenta Máfia Napolitana" (2009), acusou os bancos europeus e norte-americanos de terem envolvimento com a gestão dos capitais provindos do crime organizado.

Em palestra a cerca de 400 pessoas em auditório na “Universidade de Nova York”, ele alertou para o "imenso" fluxo de capitais provindos da criminalidade em meio à crise econômica global.

"Existe um tesouro que deve ser atacado", afirmou Saviano, que observou, porém, que a crise dificulta esse trabalho.

Ele citou números de relatórios oficiais a que teve acesso. E avisou: “Os bancos europeus e norte-americanos lavam entre US$ 500 e US$ 1 bilhão de dinheiro sujo todos os anos”. O dado citado é de um relatório secreto que acabou vazando e foi produzido pela “Drug Enforcement Administration” (DEA), dos EUA.

Saviano também acusou os bancos de terem "poder excessivo" na crise internacional. "O sistema financeiro baixou a guarda e foi infiltrado pelo capital criminoso" porque talvez tenha apenas "o objetivo de ganhar a qualquer custo", opinou o escritor durante a palestra intitulada "A Itália e os EUA: duas perspectivas sobre a crise econômica" que dividiu com o economista Nourirel Roubini.

Saviano ainda alertou para "a necessidade no plano internacional de encontro formal, profundo, não apenas entre as polícias, que fazem um ótimo trabalho, mas também entre os governos, que devem esclarecer o papel desse sistema financeiro".

O escritor se infiltrou na Camorra napolitana para escrever o best-seller “Gomorra”, que documenta a atuação das máfias italianas e sua relação com as instituições do país. O livro virou filme campeão de bilheterias.

No final de 2010, o responsável máximo da ONU pelo combate ao crime e ao tráfico de droga, o italiano Antonio Maria Costa, acusou o sistema financeiro de, no auge da crise econômica mundial, ter recebido dinheiro sujo, sem origem coinhecida, como forma de resolver os problemas de liquidez que enfrentava. "Perto de 240 bilhões de euros em dinheiro sujo evitou um colapso ainda maior", disse à época.”

FONTE: publicado pelo portal “Vermelho” com dados divulgados pela agência italiana de notícias ANSA  (http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=170783&id_secao=10). [título e imagem do Google adicionados por este blog ‘democracia&política’].

3 comentários:

Probus disse...

12/12/2011: Os banqueiros são os ditadores do Ocidente

O Primeiro-Ministro da Irlanda disse a seu povo que eles não eram responsáveis pela crise. Mas ele não disse quem eram os culpados. Já não é hora de que ele e seus colegas o digam? E os jornalistas também?

Por Robert Fisk, para o The Independent

Escrevendo na região que produz mais clichês por metro quadrado que qualquer outra 'história'—o Oriente Médio—, eu deveria talvez fazer uma pausa antes de dizer que nunca li tanto lixo, tanta porcaria como tenho lido a respeito da crise financeira mundial.

Mas não vou me conter. Me parece que o jornalismo sobre este colapso do capitalismo chegou a um novo subsolo que nem mesmo o Oriente Médio é capaz de alcançar, em termos de obediência intocada e completa às próprias instituições e “especialistas” de Harvard que ajudaram a provocar o desastre criminoso.

Comecemos com a “Primavera Árabe”— já em si mesmo um nome que é uma grotesca distorção verbal do grande despertar árabe/ muçulmano que está sacudindo o Oriente Médio — e com os paralelos falaciosos com os protestos sociais nas capitais ocidentais. Fomos inundados com jornalismo que afirma que os pobres ou os desfavorecidos no Ocidente tiraram uma “página” do livro da “primavera árabe”, que os manifestantes nos EUA, Canadá, Grã-Bretanha, Espanha e Grécia foram “inspirados” pelas enormes manifestações que derrubaram os regimes do Egito, da Tunísia e — até certo ponto — da Líbia. Isso é nonsense.

A comparação real, não é preciso nem dizer, escapou aos jornalistas ocidentais, tão prontos a exaltar as rebeliões anti-ditatoriais dos árabes, tão ansiosos para ignorar os protestos contra os governos “democráticos” do Ocidente, tão desesperados para desqualificar essas demonstrações, para sugerir que elas estão apenas adotando a última moda do mundo árabe. A verdade é um pouco diferente. O que levou os árabes, às dezenas de milhares e depois aos milhões, às ruas das capitais do Oriente Médio foi a exigência de dignidade e a recusa a aceitar que os ditadores locais, de um grupo de famílias, fossem dos donos dos países. Os Mubaraks e os Ben Alis e os Gaddafis e os reis e os emires do Golfo (e da Jordânia) e os Assads acreditavam que tinham direitos de propriedade sobre a totalidade de suas nações. O Egito pertencia à Mubarak Inc., a Tunísia à Ben Ali Inc. (e à família Traboulsi), a Líbia à Gaddafi Inc. E assim por diante. Os mártires árabes contra as ditaduras morreram para provar que seus países pertenciam a seus próprios povos.

E esse é o verdadeiro paralelo com o Ocidente. Os movimentos de protesto são, deveras, contra os Grandes Negócios — uma causa perfeitamente justificada — e contra os “governos”. O que eles realmente perceberam, ainda que de forma um pouco tardia, é que durante décadas se iludiram com uma democracia fraudulenta: votam civicamente em partidos políticos, que então entregam seus mandatos democráticos e o poder do povo aos bancos, aos seus negociadores derivados e às suas agências de classificação de risco, todos eles sustentados pela corja preguiçosa e desonesta dos “especialistas” dos "think tanks" e das principais universidades estadunidenses, que mantêm a ficção de que esta é uma crise da globalização, e não um massivo engano financeiro imposto aos eleitores.

Probus disse...

Os donos do ocidente

Os bancos e as agências de classificação de risco se tornaram os ditadores do Ocidente. Como os Mubaraks e os Ben Alis, os bancos acreditaram — e ainda acreditam — que são os donos de seus países. As eleições que lhes conferem o poder se tornaram — pelo conluio e falta de vergonha dos governos — tão falsas como as urnas às quais os árabes eram obrigados a marchar década após década para ungir os seus próprios donos da propriedade nacional. Goldman Sachs e o Banco Real da Escócia se tornaram os Mubaraks e Ben Alis dos EUA e do Reino Unido, cada um deles engolindo as riquezas de seu povo em recompensas e bônus de araque para seus patrões viciosos, numa escala infinitamente mais voraz que as gananciosas famílias de ditadores árabes jamais poderiam imaginar.

Eu não precisava do documentário "Inside Job", de Charles Ferguson, na BBC-2, esta semana (apesar de que ele ajudou), para me mostrar que as agências de classificação de risco e os bancos dos EUA são intercambiáveis, de que seu pessoal se move sem sobressaltos entre agência, banco e governo. Os senhores da classificação (quase sempre senhores, claro) que deram nota AAA aos empréstimos sub-prime e seus derivativos nos EUA estão agora —através de sua influência venenosa nos mercados —cravando suas garras no povo da Europa, ao ameaçar reduzir ou retirar, das nações europeias, a mesma nota que eles haviam concedido a criminosos antes do colapso financeiro nos EUA. Eu sempre acreditei que atenuar é a melhor forma de vencer discussões. Mas, me perdoem, quem são essas criaturas cujas agências de classificação agora dão mais medo nos franceses do que Rommel dava em 1940?

Por que meus colegas jornalistas lá em Wall Street não me ensinam? Como é possível que a BBC e a CNN — e, ó queridos, até a Al Jazeera — tratem essas comunidades de criminosos como instituições inquestionáveis do poder? Por que não há investigações — o “Inside Job” começou a assinalar o caminho — desses escandalosos negociadores duplos? Isso me lembra a forma igualmente covarde em que tantos jornalistas estadunidenses cobrem o Oriente Médio, evitando, assustados, qualquer crítica direta a Israel, com a cumplicidade de um exército de lobistas pró-Likud, tudo para explicar aos espectadores por que devemos confiar nas “iniciativas de paz” dos EUA no conflito israelo-palestino, por que os bons são os “moderados” e os maus são os “terroristas”.

Os árabes pelo menos já começaram a questionar esse nonsense. Mas, quando os manifestantes de Wall Street começam a fazer o mesmo, eles se tornam “anarquistas”, os “terroristas” sociais das ruas americanas, que ousam exigir que os Bernankes e os Geithners encarem o mesmo tipo de tribunal que Hosni Mubarak. Nós, no Ocidente —nossos governos — criamos nossos ditadores. Mas, ao contrário dos árabes, não podemos tocá-los.

O Primeiro-Ministro da Irlanda, Enda Kenny, informou solenemente a seu povo, esta semana, que eles não eram os responsáveis pela crise em que se encontravam. Eles já sabiam disso, é claro. O que ele não disse foi quem eram os culpados. Já não é hora de que ele e seus colegas europeus o digam? E nossos jornalistas também?

Tradução: Idelber Avelar

VIA: VERMELHO

http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=170805&id_secao=9

Política disse...

Probus,
Muito bom artigo de Robert Fisk.
Copiei-o para postá-lo amanhã.
Obrigada
Maria Tereza