quarta-feira, 29 de junho de 2011

DEMOROU: UOL DESCOBRE QUE “CUSTO BRASIL” É O LUCRO DE MULTINACIONAIS


[OBS deste blog ‘democracia&politica’: o surpreendente é o portal UOL, do grupo ‘Folha’, pró-direita, pró-demotucanos, tradicional defensor dos interesses econômicos e políticos estrangeiros acima dos nacionais, agora revelar a ganância dessas multinacionais, que se aproveitam dos brasileiros. Acho que a notícia escapou, por falha, do crivo da 'Folha']

Por Brizola Neto

“No modelo City, a Honda tem aqui um lucro "extra" de mais de R$15 mil, quase um terço do valor de venda do veículo.

O jornalista Joel Silveira Leite prestou um imenso serviço ao jornalismo ontem, em sua coluna “Mundo em Movimento“, no UOL.

Escreveu o que centenas de jornalistas das editorias de economia não escrevem, às vezes nem por censura, mas pelo hábito de repetir, sem pensar, o que lhe dizem empresários, banqueiros e homens do “mercado”, como se fossem apenas transcrever ou propagandear o que estes falam.

Leite vai a um tema sobre o qual muita gente sabe e quase ninguém escreve.

Que o preço dos automóveis no Brasil é mais alto –e um dos mais altos do mundo– não por uma carga tributária elevada apenas, ou dos encargos trabalhistas –mas porque as margens de lucro das montadoras é muito maior aqui do que em outras partes do planeta.

Isto é, que o nome “custo Brasil” camufla, na verdade, outro: o “Lucro Brasil”.

Ele conta que as montadoras no Brasil têm uma margem de lucro muito maior do que em outros países, citando uma pesquisa feita pelo banco de investimento ‘Morgan Stanley’, da Inglaterra, e diz que elas respondem por boa parte do lucro mundial das suas matrizes.

As editorias de economia da grande imprensa, quando decidem usar a reconhecida capacidade de suas dezenas de profissionais, desempenham papel fundamental na informação da sociedade.

Exatamente o que tinha sido apontado [no "tijolaço"], recentemente, quando afirmamos que os lucros da Fiat aqui no Brasil (e na América Latina) haviam ajudado a empresa a pagar parte da dívida da Chrysler com os governos americano e canadense, pela injeção de dinheiro para que esta não falisse, na crise de 2008.

Joel Leite usa um exemplo de um modelo da Honda que, sem considerar os impostos, dá a montadora um “lucro extra” ('extra', porque sua margem de lucro “normal” já está embutida no preço de venda mexicano) de R$ 15.518,00 sobre os R$ 56.210,00 pelo qual é vendido no Brasil, embora a versão vendida no México tenha muito mais equipamentos de segurança e acessórios.

Será possível que a montadora tenha um lucro adicional de R$ 15,5 mil num carro desses? O que a Honda fala sobre isso? Nada. Consultada, a montadora apenas diz que a empresa “não fala sobre o assunto”.

Mas o analista Adam Jonas, responsável pela pesquisa do ‘Morgan Stanley’ fala, e diz que “no geral, a margem de lucro das montadoras no Brasil chega a ser três vezes maior que a de outros países”.

A reportagem de Joel Leite é a primeira de uma série que promete muita informação. Merecidamente, era a manchete de ontem de manhã no UOL”

FONTE: escrito por Brizola Neto e publicado em seu blog “Tijolaço”  (http://www.tijolaco.com/demorou-uol-descobre-que-custo-brasil-e-o-lucro/) [observação inicial entre colchetes adicionada por este blog 'democracia&politica'].

4 comentários:

iurikorolev disse...

Maria Tereza
No Brasil estamos nas mãos de uma das Máfias mais poderosas do Mundo : a das montadoras.
Nos EUA vc compra um Honda top de linha por 15 mil dólares.
Aqui, com renda 4 vezes menor pagamos 4 vezes mais.

E por incrível que pareça o Lula colocou a raposa para tomar conta das galinhas ao nomear um homem deles para o Ministério da Indústria : aquele turco o Miguel Jorge.
Nada mudou nisto no governo Lula.
Adivinha o porquê.

Quem nos livrará deles ?

Política disse...

Iurikorolev,
O Brasil, há muitas décadas, é muito, mas muito generoso com o grande capital estrangeiro, montadoras inclusive e especialmente. Nos tucanos anos 90, além de gentis com ele, o veneramos. Ele era Deus. Até mesmo, o privilegiamos em detrimento do capital nacional. Achamos que ele era perfeito, progressista, capaz de tudo resolver. Não deveríamos colocar a mínima restrição aos seus movimentos. Qualquer iniciativa disciplinadora do Estado era considerada, pelos próprios dirigentes 'brasileiros', antiquada, retrógrada, jurássica.
Pela sua magnitude, ficamos reféns desse capital e seus empregos. Até hoje. O Brasil, para ele, é somente fornecedor de mão de obra barata e grande consumidor, sob preços extorsivos. Os gordos lucros vão para as matrizes no Exterior. Concordo. Será difícil nos livrar dessa situação.
Maria Tereza

Fluxo disse...

E não é só essa máfia que atua no Brasil, temos, também, a dos bancos. O mercado bancário foi aberto, mas nem por isso os juros foram reduzidos e os bancos estrangeiros que aqui se estabeleceram entraram na dança dos lucros estratosféricos, que são enviados para as matrizes. A Maria Porcão não toca no assunto, ou toca?
Por falar no ex-ministro do desenvolvimento, da indústria, do comércio , ele se juntou com o ex-secretário de comércio exterior do governo passado e montaram escritório lá em Brasília (DF).

Fluxo disse...

Ah! O Ex-ministro também nomeou amigos para cargos dentro da secretaria de comércio exterior, mas, no momento, a farra acabou.