quinta-feira, 28 de maio de 2015

EMPRESAS PODEM COMPRAR PARTIDOS, DECIDE A CÂMARA



No aeroporto de Confins (MG) 28/05/2015



"O portal 'Conversa Afiada' reproduz artigo de Fernando Brito, extraído do blog 'Tijolaço':

GOLPE CONSUMADO. É O SHOPPING DO CUNHA: EMPRESAS PODEM COMPRAR PARTIDOS

"Num escândalo sem precedentes, a Câmara dos Deputados, com os arranjos de Eduardo Cunha, desdisse o que havia decidido ontem: as empresas, constitucionalmente, poderão comprar, cada uma, o partido que desejarem.

Um estupro legislativo como talvez só se tenha visto quando, numa madrugada de 1961, a maioria da Câmara instituiu o parlamentarismo para impedir que João Goulart assumisse, como devia, os poderes presidenciais que lhe seriam legítimos após a renúncia de Jânio Quadros.

Reproduzo a página do "Jornal da Câmara" publicada após a votação de ontem.

O texto é claríssimo:

Os deputados voltarão a discutir outras propostas de financiamento de campanhas, como a que permite a doação apenas de pessoas físicas. Se esse item também não conseguir 308 votos, ainda poderá ser analisada emenda que propõe o financiamento público exclusivo. Em caso de rejeição desse ponto, permanecem em vigor as regras atuais.”

Como é obvio, essas duas mudanças seriam as que poderiam ou não ser aprovadas. E, como não o foram, permanecem as regras atuais...

Isto é, o financiamento das campanhas é matéria de lei infraconstitucional e, portanto, sujeita à apreciação de coerência com os dispositivos constitucionais, o que o Supremo já sinalizou que não o são e só não o proclamou porque Gilmar Mendes sentou-se imoralmente sobre o processo [já há um ano].

Uma Câmara eleita pelo dinheiro dos empresários, hoje, mostrou que, “bem guiada” por um espertalhão, soube recuperar-se do deslize de ontem. A diferença agora é [pequeno detalhe], que o dinheiro vai para o partido e este o repassa para o deputado adrede combinado.

Seis dezenas de deputados, "milagrosamente", mudaram de lado e ajoelharam-se ao dinheiro.

Que, como se sabe, fala alto e fala grosso.

PS. Faço um mea-culpa. Cunha não é o imperador da Câmara, é o regente. O Rei é o dinheiro."

FONTE: postagem de Fernando Brito no seu blog "Tijolaço" transcrita e comentada no portal "Conversa Afiada"  (http://www.conversaafiada.com.br/politica/2015/05/28/brito-e-o-golpe-consumado-empresas-podem-comprar-partidos/). [Título e trechos entre colchetes acrescentados por este blog 'democracia&política'].

É ARMADILHA A HISTÓRIA DE QUE "JÔ SOARES VAI DANÇAR NA TV GLOBO"?




JÔ SOARES VAI DANÇAR NA TV GLOBO?

[OBS deste blog 'democracia&política': 

Faz sentido a hipótese expressa no texto abaixo, do jornalista Altamiro Borges, de que os dias de Jô Soares já estariam contados na "Globo" porque ele inusitadamente teria saído da linha direitista tradicionalmente seguida pelas "Organizações Globo". 

Contudo, por tudo que essa mídia fez até hoje, interpretei diferente, e continuo a pensar que estamos diante de outra venenosa estratégia da emissora, e Jô Soares faz com maestria o seu papel nela. 

A "Globo" está ávida por executar mais outro engenhoso golpe para conseguir derrubar Dilma. Seria mais ou menos assim:
1) Jô Soares surpreendentemente expressa comentários contra o PSDB e Aécio (Ok. Etapa cumprida);
2)  Com essa nova postura do Jô, ele angaria simpatias do Planalto e consegue ser convidado para encontro com Dilma (Ok. Etapa cumprida);
3) No agradável clima do encontro, Dilma, em retribuição à visita, promete comparecer ao programa do Jô na "Globo" (Ok. Etapa cumprida);
4) Dilma é entrevistada no programa, onde é debochada, ridicularizada, com frenética participação contra ela pelos presentes no auditório, já ensaiado (Etapa a acontecer);
5) Simultaneamente ao programa da entrevista, a "Globo" promoverá a ação de alguns paneleiros espalhados pelo Brasil e dará grande cobertura ao vivo, como se tivesse ocorrido "enorme panelaço" em todo o país. Essa manifestação receberá grande difusão e repercussão, várias vezes ao dia e por semanas seguidas. Inúmeros colunistas e programas com selecionados "especialistas" explorarão o vexame de Dilma (Etapa por acontecer).

Pode ser preconceito meu, mas ele está baseado em 100% das ações das "Organizações Globo" nesses últimos 50 anos. A exceção seria altamente improvável. 

Vejamos o artigo de Altamiro Borges]:  
  
JÔ SOARES VAI DANÇAR NA TV GLOBO?

Por ALTAMIRO BORGES

"Romper contrato não está no meu DNA", afirma o apresentador. Mas, como diz o ditado, onde há fumaça há fogo.

O sempre bem informado Daniel Castro, do site "Notícias da TV", postou na última sexta-feira (22) que Jô Soares poderá deixar em breve a TV Globo [Essa notícia pode também ser parte da estratégia acima conjecturada da "Globo"]. Nos últimos meses, o apresentador – que sempre teve posições políticas conservadoras – surpreendeu os telespectadores ao defender o mandato da presidenta Dilma e ao criticar sarcasticamente os setores golpistas que pregam o seu impeachment. A mudança de postura gerou boatos, que só aumentaram após o convite da presidenta para um encontro reservado no Palácio da Alvorada, em Brasília. Muita gente prognosticou que os dias de Jô Soares já estariam contados no império global. Agora, Daniel Castro apimenta ainda mais esta hipótese:

"Pela primeira vez desde que estreou seu talk show na TV Globo, há 15 anos, Jô Soares está sendo ameaçado. Na semana que vem, a emissora grava pilotos de um projeto de Marcelo Adnet que, a médio ou longo prazos, visa substituir o Programa do Jô. A ameaça, aparentemente, não incomoda o apresentador e humorista. Ele recusa a ideia de romper contrato com a Globo, já que a Record teria interesse em seu passe. Também rejeita a possibilidade de se aposentar – como fez seu colega norte-americano David Letterman na última quarta-feira (20)".

"Eu nunca rompi um contrato em toda a minha vida. Tenho contrato com a Globo por mais dois anos e vou cumpri-lo", garantiu Jô Soares ao site "Notícias da TV". Em dezembro passado, ele renovou com a emissora até o final de 2016. "Romper contrato não está no meu DNA", afirma. Mas, como diz o ditado, onde há fumaça há fogo. Segundo Daniel Castro, "nas últimas semanas, circularam rumores de que a Record teria feito uma proposta a Jô soares. A emissora ambiciona lançar um late night show para encerrar a sua programação noturna. O apresentador nega sequer ter sido sondado pela Record. "Acho que isso foi com a Xuxa", brinca". A conferir!

FONTE: artigo do jornalista Altamiro Borges publicado no portal "Brasil 247"  (http://www.brasil247.com/pt/247/artigos/182523/J%C3%B4-Soares-vai-dan%C3%A7ar-na-TV-Globo.htm). [Título, observação inicial e trecho entre colchetes, em azul, acrescentados por este blog 'democracia&política']. 

"PSDB NÃO TEM PROJETO PARA O BRASIL", AFIRMA VICE-PRESIDENTE TUCANO




DIRIGENTE TUCANO DIZ QUE PSDB NÃO TEM PROJETO DE PAÍS

[OBS deste 'democracia&política': o "projeto de país" que tem sido adotado pelo PSDB nos últimos 12 anos tem sido somente o de batalhar ao máximo para a degeneração política, econômica e social do país, e associando o caos aos governos PT, na esperança de que o povo fique descontente e venha a eleger candidato tucano, possibilitando assim "o mercado" e a direita internacional e nacional voltarem ao pleno poder no Brasil. A grande mídia está totalmente engajada nessa estratégia].

"Em carta enviada à cúpula nacional do PSDB, Alberto Goldman, vice-presidente do partido, afirma que PSDB não é capaz de dizer o que faria se tivesse vencido as eleições presidenciais: "Nós não temos um projeto de país".

Segundo ele, questões como a reforma política e mudanças previdenciárias "não são discutidas e decididas pelo partido em seu foro natural e legítimo" e acrescenta que "a falta de debate interno se agravou no período recente, de Aécio Neves"

Do "Brasil 247"

Em carta enviada à cúpula nacional do PSDB, o primeiro vice-presidente do partido, Alberto Goldman, criticou a condução do partido pelo senador tucano Aécio Neves.

Segundo ele, a legenda não é capaz de dizer o que faria se tivesse vencido as eleições presidenciais: "Nós não temos um projeto de país".

Goldman reclama ainda que questões como a reforma política e mudanças previdenciárias "não são discutidas e decididas pelo partido em seu foro natural e legítimo".

Para o ex-governador paulista, "a falta de debate interno se agravou no período recente, de Aécio Neves".

Leia aqui ou a seguir a reportagem de Catia Seabra e Gustavo Uribe [na tucana "Folha de São Paulo"] sobre o assunto:

'PSDB não tem projeto de país', diz vice-presidente do partido

Goldman avalia que falta de debate interno se agravou após Aécio

Por CATIA SEABRA e GUSTAVO URIBE

"Em carta enviada à cúpula nacional do PSDB, o primeiro vice-presidente do partido, Alberto Goldman, afirmou na terça-feira (26) que a legenda não é capaz de dizer o que faria se tivesse vencido as eleições presidenciais.

"Nós não temos um projeto de país", reclamou.

O texto foi endereçado ao comando tucano em meio ao debate da reforma política na Câmara dos Deputados.

No momento em que parte da bancada tucana ameaçava apoiar o presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), na defesa do "distritão" --21 deputados da sigla PSDB acabaram votando a favor da proposta, que foi derrotada--, o ex-governador paulista disse à "Folha" que "a falta de debate interno se agravou no período recente, de Aécio Neves".

Candidato derrotado à sucessão presidencial no ano passado, o senador mineiro assumiu o comando da sigla em 2013 e deve ser reconduzido para o cargo até 2017." [...]

FONTE: do portal "Brasil 247"  (http://www1.folha.uol.com.br/fsp/poder/220606-psdb-nao-tem-projeto-de-pais-diz-vice-presidente-do-partido.shtml)  e da "Folha de São Paulo" (http://www.brasil247.com/pt/247/poder/182514/Dirigente-tucano-diz-que-PSDB-n%C3%A3o-tem-projeto-de-pa%C3%ADs.htm). [Título e observação inicial entre colchetes acrescentados por este blog 'democracia&política'].

EUA E ALIADOS MANOBRAM PARA PREJUDICAR ECONOMIA DO BRASIL E DOS BRICS, DENUNCIA A RÚSSIA


Rússia denuncia manobra do Ocidente para prejudicar economia do BRICS

"O secretário do Conselho Nacional de Segurança russo, Nikolai Patrushev, denunciou, na terça-feira (26), as manobras financeiras do Ocidente [EUA e seus aliados na Europa] para promover a fuga de capitais no grupo BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul).

Ao palestrar em uma conferência de especialistas do BRICS, em Moscou, Patrushev denunciou que a fuga de capitais dessas nações chegou, em uma década, a 3,5 trilhões de dólares, quando metade disso foi registrado nos últimos três anos.

Durante o encontro de altos representantes para assuntos de segurança do referido quinteto de países, o secretário considerou que esse bloco de economias emergentes está em zona de especial risco.

A tendência dos últimos tempos consiste em frear o desenvolvimento de nossas nações, não precisamente com métodos militares, mas mediante a pressão midiática e a criação artificial de contradições nacionais, regionais e culturais”.

Patrushev, cujo país preside este ano o BRICS, estimou que a segurança econômica desse grupo deverá garantir a criação de um banco formado por suas instituições financeiras.

Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul contribuem com 22% do Produto Interno Bruto mundial, com esse percentual chegando a 25% quando se leva em conta sua capacidade conjunta de consumo.

Além disso, o BRICS representa 40% da população mundial, mais de um terço da produção energética do planeta, quase 40% das despesas em pesquisas e militares, afirmou o secretário do Conselho Nacional de Segurança da Rússia."

FONTE: da "Prensa Latina". Transcrito no portal "Vermelho"  (http://www.vermelho.org.br/noticia/264682-9). [Título e trecho entre colchetes acrescentado por este blog 'democracia&política']. 

A "PRIMAVERA ÁRABE" VIROU ESPETÁCULO DE HORROR





A Primavera Árabe virou um espetáculo de horror

"Mestre Mauro Santayanna publicou segunda-feira um intenso e pungente lamento sobre o destino dos países árabes “democratizados” pelo Ocidente, com o poder de bombas, foguetes e mísseis, diretamente, e com o fornecimento às toneladas de armamentos para os “rebeldes” que iriam fazer florir democracias sobre seus desertos e vales.

Os mesmos que formam agora o autoproclamado "Estado Islâmico".

E espalham a hegemonia da ditadura da Arábia Saudita sobre o Oriente Médio e o Norte da África. Há ainda o Egito, que, segundo o insuspeito colunista Gustavo Chacra, do
"Estadão", tem agora “uma ditadura que, em pouco mais de um mês, mata como o regime militar brasileiro em 20 anos".[...]

Às portas de Bagdad

Por Mauro Santayanna

"Prometeram-lhes a Primavera. Mas nenhuma flor brotou de seus cadáveres, a não ser as formadas pelas algas e organismos marinhos que cobrem os seus corpos no fundo do Mediterrâneo.

Disseram-lhes que haveria paz, justiça, progresso, conforto e liberdade. E em troca lhes deram o caos de que procuram fugir a qualquer preço, a guerra, a injustiça, a destruição, o medo, a opressão e a miséria, e atacaram, com seus aviões e navios e as bombas e balas de seus mercenários, seus países, suas lojas, suas escolas, seus consultórios, seus poços e suas fontes, seus campos de trigo, seus bosques de oliveiras, matando seus cavalos, suas vacas, suas ovelhas, e explodindo suas pontes e seus templos.

Suas casas e ruas agora estão em ruínas. Seus móveis e os retratos de seus pais foram queimados para fazer fogo e assar o pão escasso enviado por outros povos, muitos de seus filhos e filhas morreram e os que sobraram não vão mais aos parques, nem ao zoológico, nem à escola, e caçam ratos entre os escombros em que se misturam os restos de mesquitas, igrejas e sinagogas.

Aqueles que prometeram a Primavera transformaram professores, agricultores, trabalhadores, médicos, engenheiros, comerciantes, em fantasmas que vagueiam agora aos milhares, enterrando seus velhos e seus recém-nascidos por trilhas, montanhas, mares e desertos hostis e inóspitos, sem poder prosseguir diante de fronteiras e portos que não permitem a sua entrada, obrigando-os a fazer dos restos de suas túnicas e bandeiras farrapos imundos que cobrem seus frágeis abrigos e tendas provisórias.

Aqueles que lhes haviam prometido a Primavera tinham dito que era preciso que seus ditadores caíssem, para que fossem felizes. E para derrubar os antigos líderes de seus países, dividiram seus povos e as armas que trouxeram de fora, equipando exércitos de assassinos, de sádicos, estupradores e mercenários, permitindo que seus bandidos fossem e matassem.

Foi assim que eles derrubaram, então, aqueles que governavam antes. Os enforcaram ou espancaram na rua, como cães, até a morte, destruíram as estradas, ferrovias, aeroportos, avenidas, represas, aquedutos, viadutos, hospitais, as estátuas e os palácios que Saddam, Kadafi havia construído, e mataram também seus filhos, para que não os vingassem, e aqueles que um dia os tinham apoiado, e espancaram e assassinaram também seus filhos pequenos e violentaram suas filhas e mulheres.

“Vão”, disseram os que haviam prometido que semeariam a "Primavera". E seus assassinos foram. Os mesmos que agora voltaram-se contra eles, que degolam seus prisioneiros ajoelhados na areia, e se espalharam em bandos e seitas pelo Oriente Médio e o Norte da África.

Eles querem montar um Estado – Islâmico, eles o chamam – onde antes existiam, de fato, a Líbia, a Síria e o Iraque. Estão às portas de Bagdá. Tomaram Ramadi e Palmira. E cobiçam Trípoli e Damasco."

FONTE: artigo de Mauro Santayanna transcrito e comentado por Fernando Brito no blog "Tijolaço"  (http://tijolaco.com.br/blog/?p=27040).

O CALIFADO DESEJADO PELOS EUA





O Califado desejado pelos Estados Unidos


"Enquanto o Estado Islâmico ocupa Ramadi, a segunda cidade do Iraque, e no dia seguinte Palmira, na região central da Síria, assassinando milhares de civis e obrigando dezenas de milhares à fuga, a Casa Branca declara: “Não podemos arrancar os cabelos toda vez que surge uma dificuldade na campanha contra o ISIS (New York Times, de 20 de maio).

Por Manlio Dinucci, jornalista, no diário italiano "Il Manifesto"

A campanha militar “Inherent Resolve” foi lançada no Iraque e na Síria há nove meses, em 8 de agosto de 2014, pelos EUA e seus aliados: França, Reino Unido, Canadá, Austrália, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Bahrein e outros. Se tivessem usado os seus caças-bombardeiros como fizeram contra a Líbia, em 2011, as forças do ISIS, movendo-se em espaços abertos, seriam alvo fácil. No entanto, elas foram capazes de atacar Ramadi com colunas de carros blindados cheios de homens e explosivos.

Os Estados Unidos se tornaram militarmente impotentes? Não. Se o ISIS está avançando no Iraque e na Síria, é porque é exatamente isso o que querem em Washington. Confirma isso um documento oficial da Agência de Inteligência do Pentágono, datado de 12 de agosto de 2012, desarquivado em 18 de maio de 2015 por iniciativa do grupo conservador “Judicial Watch” em meio à corrida presidencial. O documento informa que “os países ocidentais, os Estados do Golfo e a Turquia apoiam na Síria as forças de oposição que tentam controlar as áreas orientais, adjacentes às províncias iraquianas ocidentais”, ajudando-as a “criar refúgios seguros sob proteção internacional”.

Existe a “possibilidade de estabelecer um principado salafita na Síria oriental, e isso é exatamente o que desejam as potências que apoiam a oposição, para isolar o regime sírio, retaguarda estratégica da expansão xiita (Iraque e Irã)”. 

O documento de 2012 confirma que o ISIS, cujos primeiros núcleos vêm da guerra na Líbia, foi formado na Síria, recrutando sobretudo militantes salafitas e sunitas que, financiados pela Arábia Saudita e outras monarquias, foram armados através de uma rede da CIA (documentada, além de pelo "New York Times", por um informe de “Conflict Armament Research”). Isso explica o encontro em maio de 2013 (documentado fotograficamente) entre o senador estadunidense John McCain, em missão na Síria por conta da Casa Branca, e Ibrahim al-Badri, o “califa” chefe do ISIS.

Explica também por que o ISIS desencadeou a ofensiva no Iraque no momento em que o governo do xiita Al-Maliki tomava distância de Washington, aproximando-se de Pequim e Moscou. Washington, descarregando a responsabilidade pela queda de Ramadi sobre o exército iraquiano, anuncia agora que quer acelerar no Iraque o adestramento e o armamento das “tribos sunitas”.

O Iraque está caminhando no mesmo rumo que a Iugoslávia, para a desagregação, comenta o ex-secretário da Defesa, Robert Gates. O mesmo ocorre na Síria, onde os EUA e seus aliados continuam a adestrar e armar milicianos para derrubar o governo de Damasco. Com a política de “dividir para dominar”, Washington continua assim a alimentar a guerra que, em 25 anos, provocou tragédia, êxodo, pobreza, tanto que muitos jovens transformaram as armas em sua profissão.

Um terreno social onde as potências ocidentais fazem sua presa as monarquias a elas aliadas, os “califas”, que instrumentalizam o Islã e a divisão entre sunitas e xiitas. Uma frente da guerra, em cujo interior existem divergências táticas (por exemplo, sobre quando e como atacar o Irã), mas não divergências estratégicas. Frente de guerra armada pelos EUA, que anunciam a venda (por 4 bilhões de dólares) à Arábia Saudita de outros 19 helicópteros para a guerra no Iêmen, e a Israel de mais 7.400 mísseis e bombas, entre os quais os antibunker para atacar o Irã."

FONTE: escrito por Manlio Dinucci, jornalista italiano, no diário "Il Manifesto". Transcrito no portal "Vermelho"   (http://www.vermelho.org.br/noticia/264646-9).

AIATOLÁ ALI KHAMENEI DO IRÃ: "OS EUA PERDERAM A HONRA"



            Vídeo em farsi, legendado em francês

Aiatolá Ali Khamenei: “O Irã nunca cede a ameaças. Os EUA perderam a honra

Discurso proferido em 6/5/2015 pelo "Guia Supremo da República Islâmica do Irã", Aiatolá Sayed Ali Khamenei. Título em francês "Ali Khamenei : «L'Iran ne cède jamais aux menaces, les Etats-Unis ont perdu tout honneur» (VOSTFR). Transcrições em farsi e inglês. Enviado por Sayed Hasan e excerto traduzido para o português pelo "pessoal da Vila Vudu". Postado no "Redecastorphoto" 

"Nesse discurso, Sayed Ali Khamenei relembra as razões da hostilidade do ocidente contra o Irã, a saber, o fato de que o Irã é potência independente e anti-imperialista, que soube resistir a todas as tentativas de desestabilização orquestradas do exterior do Irã. Como para a reaproximação com Cuba, trata-se de os EUA reconhecerem o fracasso de sua política de agressão total (econômica, militar, diplomática, midiática etc.) visando a impor uma ‘mudança de regime’ a nações cujos regimes gozam de amplo apoio popular. Sayed Khamenei denuncia as ameaças de ataque militar como fanfarronices vãs, e lembra que, com a agressão norte-americana e saudita contra o Iêmen, os EUA perderam toda a honra e a respeitabilidade que tivessem no Oriente Médio e no mundo.

Sua Eminência Aiatolá Sayed Ali Khamenei: [Excerto] “Há outro ponto que não tem relação com o sistema educacional, mas é umas das questões fundamentais do país. Esse ponto concerne ao modo como os inimigos comportam-se na relação com a República Islâmica.

Ao longo dos últimos 35 anos, a grandeza do movimento glorioso e do nosso povo sempre atraiu a atenção de inimigos. Muitas vezes, vangloriaram-se exibindo a própria vaidade e suas fanfarronadas, e fizeram tudo o que puderam fazer contra nós. Mas, de um modo ou de outro, sempre manifestaram temor respeitoso pelo povo do Irã e pela República Islâmica. Consequentemente, temos de preservar tudo isso. O temor respeitoso – que é realidade, não é ilusão – tem de ser preservado. Somos grande país com mais de 70 milhões de habitantes, e temos passado cultural e histórico profundo e mais original que o passado cultural e histórico de muitos países do mundo. Somos povo corajoso e determinado. Somos povo que defendemos nossa identidade e nosso caráter nacional.

Exemplo disso se viu durante os oito anos da Sagrada Defesa [1980-1988, a “Guerra Imposta” por Saddam Hussein contra o Irã]. Ao longo daqueles oito anos, todas as potências mundiais a leste e a oeste, bem como seus agentes e asseclas uniram forças para pôr de joelhos o povo iraniano, o que jamais conseguiram. O povo iraniano, portanto, não poderia expor-se aos olhos dos observadores mundiais em toda nossa grandeza e glória?

É claro que essa grandeza deve ser preservada. Os responsáveis políticos de diferentes países e os bem informados nos disseram – alguns disseram diretamente, outros não, mas falaram disso entre eles, e fomos informados – que se as sanções que nossos inimigos nos impuseram e as pressões que fizeram contra a República Islâmica tivessem sido impostas e feitas contra qualquer outro país, elas teriam reduzido qualquer outro país a nada. Mas não fizeram tremer a República Islâmica.

[Vozes da audiência: “Maior é Deus! Khomeini e Khamenei são nossos líderes!” “Morte aos EUA! Morte a Israel!”]

Nós somos efetivamente uma grande potência. Não se trata de incidente de somenos; essa é uma realidade essencial.

Claro está que a propaganda mundial impõe sempre um manto, uma cortina, uma névoa para que os públicos não percebam corretamente as realidades. Enquanto isso, muita gente, pelo mundo e em numerosos países – sobretudo países próximos de nós – veem bem essas realidades. Todos os políticos pelo mundo veem essas realidades. Vocês não devem dar nenhuma atenção ao que dizem esses dirigentes nacionais, políticos e porta-vozes de diferentes países ocidentais e europeus, nos EUA e em outros pontos do mundo – que com frequência fazem declarações absurdas. Eles também conhecem a grandeza, a glória, a potência e a competência do povo iraniano, embora nada digam, pensando só nos seus próprios interesses.

Já várias vezes falei das negociações nucleares e de outras questões, e já comunicamos nossas exigências, mas todos – incluídos os responsáveis pela política exterior, outros responsáveis e as elites da sociedade – devem prestar atenção ao fato de que, se um povo não defende adequadamente a própria identidade e a própria grandeza ante potências estrangeiras, ele com certeza será rebaixado. Disso não há dúvidas. Temos de apreciar o valor de nosso caráter e de nossa identidade.

Os inimigos continuam a nos ameaçar. Ainda há poucos dias, dois políticos norte-americanos fizeram ameaças militares. E as mesmas ameaças foram feitas por inúmeros outros políticos que não ocupam postos importantes e sensíveis. Não compreendo. O que significam as negociações, à sombra dessas ameaças? Querem que negociemos sob ameaça! É como se erguessem uma espaça sobre nossas cabeças!

O povo do Irã não é assim. O povo do Irã não admite negociar sob ameaças. Por que nos ameaçam? Por que dizem tais absurdos? Dizem que em tal e tal caso, podem atacar o Irã. Para começar, ao diabo as ameaças de vocês!

[Vozes da audiência: “Maior é Deus! Khomeini e Khamenei são nossos líderes!” “Morte aos EUA! Morte a Israel!”]

Vocês não ousarão nos atacar. E, segundo, já disse àquela época ao antigo presidente dos EUA – naquela época, ele também fazia ameaças –, que o tempo dos ataques relâmpago (atacar e fugir) está acabado. Vocês já não podem supor que “Atacamos e fugimos correndo” [risos na plateia]. Já não existe esse tipo de coisa. Vocês se afundarão e nós os rastrearemos e apanharemos. O povo do Irã nunca deixará escapar quem tente qualquer violência contra nós. Rastrearemos e apanharemos qualquer um que tente tal coisa contra nós.

Todos, todo o mundo – inclusive os negociadores – que prestem muita atenção a isso. Nossos negociadores devem manter atentamente em consideração as nossas linhas vermelhas e nossas principais orientações. Sim, eles já fazem exatamente isso. Pela graça de Alá, continuarão a tomá-las em consideração e não violarão as linhas vermelhas.

Assim sendo, é absolutamente inaceitável que os norte-americanos tanto ameacem. Por que ameaçam tanto? Essas negociações são tão necessárias para eles, quanto para nós. Sim, claro, queremos o fim das sanções, mas mesmo que não acabem, algum jeito sempre daremos para lidar com as dificuldades. Está provado! Já falei sobre essa questão [Khamenei, “Economia de Resistência”[1]], e felizmente, hoje, já vejo o que dizem os economistas e outros diferentes responsáveis e os que conhecem bem as questões econômicas do país. Eles dizem que não é verdade que os problemas econômicos do país sejam tributários das sanções, e que os problemas econômicos não possam ser resolvidos, se as sanções não forem levantadas.

Os problemas econômicos podem ser resolvidos com nossa própria determinação, nossa vontade, nossas ações e nossas medidas, haja ou não haja sanções. Claro que, se as sanções sumirem, será tudo mais fácil. Com as sanções aí, será um pouco mais difícil, mas é possível.

Essa é nossa perspectiva sobre o tema das negociações, mas o atual governo dos EUA precisa realmente, e muito, dessas negociações.

Um dos pontos que os norte-americanos muito repetem é que teriam conseguido levar a República Islâmica à mesa de negociações e impor a ela uma ou outra coisa. Dizem, porque precisam disso. Se nossos adversários não precisassem dessas negociações mais do que nós precisamos – como é precisamente o caso –, no mínimo precisariam delas tanto quanto nós. Assim sendo, por que tantas ameaças?

Não concordo de modo algum com negociações conduzidas à sombra de ameaças. Nossos responsáveis podem ir e discutir. Podem negociar e chegar a um acordo. Tudo isso é aceitável – evidentemente, se e somente se forem observadas as principais linhas diretrizes –, mas em nenhum caso devem aceitar a coerção, a intimidação, a humilhação ou quaisquer ameaças.

Hoje, a reputação dos EUA está arruinada em todo o mundo. A ação do governo saudita no Iêmen não pode ser justificada de modo algum, por nenhuma lógica ou argumento. Se alguém manda aviões para outro país, perguntando “Por que querem vocês que cicrano ou beltrano governe? Por que uma pessoa, não outra?”, e se a mesma pessoa decide agredir o povo, tomar por alvo peças de infraestrutura, cometer crimes, matar mulheres e crianças e incendiar as cidades... nada há que justifique esses atos. Não há. Mas os norte-americanos apoiam esse grande crime e essa ação injustificável.

Pode haver desonra e vergonha maiores que essas? Hoje, os EUA não têm honra, não lhes sobra nenhuma dignidade aos olhos dos povos da região. Todo o mundo vê essa situação.

Os norte-americanos dizem abertamente que fazem o que fazem e que não se sentem de modo algum envergonhados do que fazem. Na sequência, nos perguntam: “Por que vocês querem mandar ajuda [ao povo do Iêmen]?

Gostaríamos de enviar uma ajuda farmacêutica, medicamentos para os feridos. Nunca quereríamos enviar armas, porque lá não há falta de armas. Todas as bases militares e forças armadas iemenitas estão em mãos das massas revolucionárias e do grupo “Ansarullah” [que os sunitas e a mídia-empresa ocidental chamam de “os houthis” (NTs)]. Esses iemenitas não precisam de nossas armas.

Queríamos enviar-lhe medicamentos, mas os EUA impuseram sítio [bloqueio] de medicamentos contra todo um povo. Os EUA lhes impuseram bloqueio de alimentos e energia e, na sequência, decidiram “Ninguém pode ajudá-los”.

Os norte-americanos impediram até que o Crescente Vermelho levasse ajuda humanitária ao povo sacrificado do Iêmen. Os próprios norte-americanos fornecem informação militar aos sauditas. Fornecem armas e recursos a eles e lhes garantem apoio político. Os EUA já não têm boa reputação, nem lhes resta qualquer honra.

A via que o grande povo do Irã escolheu é via razoável, sólida e promissora. Para grande desassossego dos inimigos, nossa via será produtiva e frutuosa e o povo do Irã conhecerá o sucesso. Então, o inimigo verá que fracassou no intento de alcançar seus objetivos viciosos contra o povo do Irã.

Que a misericórdia de Deus esteja com nossos amados mártires, que sacrificaram a vida, e com nosso Imã magnânimo, Imã Khomeini, que nos abriu essa via. Que a misericórdia de Deus esteja com vocês, queridos irmãos e irmãs, crentes e entusiastas, que têm papel tão grande nesse palco.

Que a paz de Deus desça sobre vocês, com Sua misericórdia e Suas bênçãos."
[fim do excerto]
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Nota dos tradutores:

[1] 12/3/2014, em audiência aos responsáveis econômicos do governo: “Economia de Resistência” não é ‘austeridade’; ela se serve, isso sim, de políticas que assegurarão o conforto e a prosperidade da sociedade (...) São políticas que representam uma solução dinâmica e de longo prazo para a economia do país, uma vez que realizam os objetivos econômicos da Ordem da República Islâmica.” Na verdade, a aplicação da política da "Economia da Resistência" é uma variante da gestão do consumo, centrada no reajustamento do modelo de consumo e na propagação da cultura da produção nacional, sempre insistindo num programa que visa a assegurar a promoção qualitativa e concorrencial da produção. Nesse sentido, a "Economia de Resistência" distingue-se da austeridade econômica, porque a "Economia de Resistência" não limita recursos, mas promove o uso qualificado, da melhor maneira possível, dos recursos existentes, acompanhando um programa-calendário. Enquanto nos programas da chamada ‘austeridade’ econômica, eles partem de recursos e em capitais limitados, o que obriga a cortar o orçamento público ou a reduzir o consumo para, com isso, enfrentar as limitações e dificuldades.

Ponto essencial a destacar na "Economia de Resistência" é que ela visa a apoiar a produção nacional e a trabalhar para ampliá-la, consideradas as capacidades econômicas do país. (...) Nesse sentido, os contornos da "Economia de Resistência" definem-se em diferentes eixos: encorajar os investimentos, no plano das exportações, na planificação de uma economia nacional apropriada às exigências da exportação, constituição de novos mercados, diversificação de laços econômicos com diferentes países, sobretudo com os países da região (...). Essas são medidas que se encontram, na perspectiva da "Economia de Resistência", nos antípodas da economia dependente e de consumo, necessitando, não só um movimento dinâmico, mas também reformas na estrutura econômica com vistas ao futuro” (12/3/2014, Ali Khamenei, Quels sont les objectifs de l’économie de Résistance?, excerto aqui traduzido)."

FONTE: discurso proferido em 6/5/2015 pelo "Guia Supremo da República Islâmica do Irã", Aiatolá Sayed Ali Khamenei. Título em francês "Ali Khamenei : «L'Iran ne cède jamais aux menaces, les Etats-Unis ont perdu tout honneur» (VOSTFR). Transcrições em farsi e inglês. Enviado por Sayed Hasan e excerto traduzido para o português pelo "pessoal da Vila Vudu". Postado no "Redecastorphoto" por Castor Filho    (http://redecastorphoto.blogspot.com.br/2015/05/aiatola-ali-khamenei-o-ira-nunca-cede.html).