quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

INQUÉRITO DE MORO EM ATIBAIA É DESCARADA MANIPULAÇÃO PRÓ-PSDB




[OBS deste blog'democracia&política':

Não há nada de errado investigar Lula ou quem quer que seja. O que está errado, criminoso até, é somente investigar Lula e aqueles cuja incriminação prejudique o PT e o governo federal.

É acintosa, descarada, ilegal, e até agressiva ao cidadão a absurda parcialidade da Lava-Jato, do MP, da PF. Tudo com integral apoio e pautado pela mídia.

Por exemplo: durante muitos anos, foi noticiado que a "Globo" sustentou por mais de 20 anos regiamente no Exterior (Espanha) a suposta amante de FHC, a jornalista Míriam Dutra, e o filho que FHC veio posteriormente, já viúvo, assumir a paternidade. Não se viu nenhum trabalho da jornalista no período. Recentemente, um polêmico exame de DNA teria indicado que o filho não era dele. Não foi noticiado se disputa pela bilionária futura herança de FHC teria influenciado o exame.


                       FHC e Míriam Dutra



O presidente do Senado, Renan Calheiros, está incriminado por caso semelhante. Uma empreiteira teria sustentado a filha de Renan fora do casamento.

Contudo, a grande diferença de Moro, MP, PF é que nem FHC, nem a Globo foram investigados, muito menos condenados.

Outro exemplo: uma grande empreiteira hoje envolvida na Lava-Jato, construiu aeroporto ao lado da fazenda de FHC. O pior, FHC estava no exercício da presidência. FHC usa muito o aeroporto; basta abrir o portão da cerca. É aquela fazenda que FHC diz que é da filha dele e que FHC mandou tropas do Exército de Brasília para Minas para expulsar invasores. O Exército Brasileiro cumpriu garbosamente essa dispendiosa e vergonhosa missão. Duvido que fizessem o mesmo para expulsar invasores em Atibaia.



A grande e caríssima pista de pouso feita pela Camargo Correa ao lado da fazenda de FHC



O caso do aeroporto que beneficiou a fazenda de FHC é análogo ao que agora acusam e investigam Lula quanto a obras e pedalinhos-com-cabeça de cisne no sítio do amigo em Atibaia. Com o sério agravante de que FHC estava em pleno mandato. Moro e a PF já abriram investigações contra Lula, mas nada fizeram contra FHC e a bondosa empreiteira.

Poderíamos enumerar dezenas e dezenas de outros exemplos.

Creio que é crime essa acintosa, descarada diferença de tratamento, contra Lula e o PT e blindando FHC e o PSDB.


E o mais trágico: duvido que Moro, seus procuradores e agentes, o MP, o PGR e o STF tenham coragem de enfrentar a poderosa mídia do grande capital financeiro estrangeiro e seus prepostos nacionais se abrissem investigações contra FHC e o PSDB. Todos seriam massacrados, juntos com suas famílias].

Por que inquérito de Moro em Atibaia é uma manipulação

Por FERNANDO BRITO

"Como é incontestável e diante dele tremem como varas verdes os juízes de 2ª instância, os ministros do Supremo (há exceções), o ministro da Justiça e quase todas as instituições do país, Sérgio Moro finalmente estendeu seus domínios até onde sempre quis: Lula.

Já não tem nenhuma importância que um homem que exerceu a Presidência por oito anos, com o poder de influir sobre licitações de dezenas ou até centenas de bilhões de dólares, seja colocado sob suspeita por uma churrasqueira e um “puxado” de quatro quartos num sítio.

Dane-se a desproporção.

Dane-se também o fato de que isso se dá a centenas de quilômetros da jurisdição de Moro e, salvo a hilária hipótese de que uma empreiteiro preso tenha “confessado” ter negociado a construção de uma refinaria, de um gasoduto ou de uma plataforma de petróleo em troca de uma reforma do telhado da casa antiga, ou a construção de quatro quartos numa área ao lado dela, é algo que não guarda conexão com os processos de corrupção na Petrobras.

Se fosse assim, por que, ao que se saiba, não há indício de crime cometido por Lula, a não ser ter deixado que a Polícia Federal e o o Ministério Público, que não têm voto – a essência da democracia – começassem a caminhada rumo ao poder absoluto de que hoje dispõem.

Mas, para ficar na hipótese da turma do Moro, a de que Lula usou do cargo para favorecer as empreiteiras e ganhou dois pedalinhos de cisne em troca, por que não foi nos milhares de quilômetros, de portos, de obras viárias nas grandes cidades?

Não vem ao caso e é importante “meter logo a mão” no caso do sítio, garantir que sejam os policiais do Japonês e a confraria da “Força-Tarefa” que tenham o “privilégio” investigatório e que – ora a Deus todos os dias o juiz – seja dele a oportunidade de mandar prender o ex-presidente.

A violação do princípio constitucional do juiz natural, que impede que um tribunal se torne onipotente e de exceção, é mais que manifesta: é escancarada e vergonhosa.

Mas, como se dá numa “autorização para inquérito” sem fato determinado, sem nominação de investigados – embora todos saibam quem é – e em sigilo de justiça – exceto, claro, para os vazamentos dos “totós” da mídia, que pegam os ossos que lhes dão e levam aos jornais, para alimentar o bombardeio que prepara as ofensivas da “tropa do Japonês” – leia aqui a análise que Luís Nassif publica (2ª feira) – triunfantes, quem sabe, retirando a canoa de lata de D. Mariza sob escolta de armas.

Quando algo que não faz sentido acontece, preste atenção.

É que o sentido é evidente, embora não possa ser confessado."

FONTE: escrito por FERNANDO BRITO em seu blog "Tijolaço"  (http://tijolaco.com.br/blog/porque-inquerito-de-moro-em-atibaia-e-uma-manipulacao/).[Observação inicial em azul acrescentada por este blog 'democracia&política', com imagens obtidas no google].

PERSEGUIÇÃO A LULA É O BOI DE PIRANHA DO ENTREGUISMO




Perseguição a Lula é o boi de piranha do entreguismo

Por J. Carlos de Assis, economista, doutor pela Coppe/UFRJ

"O Brasil descarrilhou em fins de 2014 por conta de uma investigação de corrupção que se apoiou na independência do Judiciário para destruir todas as instituições brasileiras. Até o momento, não reencontrou um novo rumo. Ao contrário, na obsessão de destruir Lula, o próprio Judiciário se destrói quando desencadeia uma operação gigantesca, envolvendo Promotoria Pública, Polícia Federal e imprensa para rastrear um barco de lata de R$ 4 mil e um apartamento de cuja compra o ex-Presidente desistiu depois de dar uma modesta entrada.

Se estivéssemos nos saudosos tempos de Stanislaw Ponte Preta, essa investigação estapafúrdia, puro desbaratamento de dinheiro público por parte de um promotor vaidoso e desequilibrado, se diria que estávamos entrando no “perigoso terreno da galhofa”. Claro, não é isso. O medo da volta de Lula ao PT ronda as cabeças das elites dirigentes, não tanto das classes dominantes. Essas se deram bem com Lula. Já as elites dirigentes não. Elas não querem correr o risco de ficar por mais um mandato, ou dois, fora das bocas do poder estatal.

A expectativa das elites sobre um novo mandato de Lula é equívoca. Seja por razões de saúde, seja por razões políticas, ele dificilmente voltará ao poder. O PT está desgastado – como todos os demais partidos. Vai-se desgastar mais ainda se a política econômica não mudar. Enfrentaremos, em futuro próximo, hordas de desempregados, e teremos uma contração da economia calculada pelo FMI em 3,5% este ano, depois de quase 5% no a no ano passado. Querendo ou não, a candidatura Lula representará fracasso na economia.

Será que as elites dirigentes, principalmente a classe média, não sabe disso? Por que o nervosismo com a eventual disputa de Lula em 2018? Só há uma razão: assim como as classes dominantes, as elites brasileiras fora do poder não têm projeto de Nação. Não têm sequer um programa econômico alternativo. Destruir Lula é o objetivo em si. É um caminho para a recuperação do poder federal ao estilo de Fernando Henrique Cardoso, que leiloou por ninharia a base produtiva estatal brasileira distribuindo os pedaços entre amigos.

A destruição de Lula é, nesse contexto, uma espécie de boi de piranha que se tenta usar para completar a dilapidação do Estado brasileiro. Enquanto a sociedade acompanha, a favor ou contra, as trapaças dos promotores para “apanhar” Lula, tenta-se passar a boiada da entrega do pré-sal, da destruição das restantes estatais, do sistema previdenciário, do sistema de vinculação de receitas orçamentárias aos serviços públicos de saúde e de educação, da infame proposta de banco central independente.

Estão equivocados os que acham que tudo isso é fruto de entreguismo no sentido político, ou seja, concessão de vantagens aos estrangeiros por motivos ideológicos. Nada disso. Rola uma grana pesada para cada iniciativa dessa. E os “comandantes” do Congresso que estão se locupletando com essas propostas indecentes não são nada diferentes de Eduardo Cunha, a expressão máxima de aviltamento do Legislativo. Daí nossa esperança numa rebelião do baixo clero, que não tem como participar dessa farra e acaba carregando o ônus moral.

A "Aliança pelo Brasil" vai apostar na parte sã do Congresso para estruturar uma alternativa econômica a curto prazo para o país. Temos inicialmente um duplo objetivo: garantir a estabilidade política (contra o impeachment) e propor uma nova política econômica, em termos concretos, de forma a resgatar a economia brasileira. É nossa intenção operar no nível suprapartidário e supraideológico, para facilitar o trânsito de iniciativas efetivas que atendam ao interesse inequívoco da sociedade, com o necessário apoio de um bloco parlamentar suprapartidário forte."

FONTE: escrito por J. Carlos de Assis, economista, doutor pela Coppe/UFRJ, autor de “Os sete mandamentos do jornalismo investigativo”, Ed. Textonovo, SP, 2015. Artigo publicado no "Jornal GGN"  (http://jornalggn.com.br/noticia/perseguicao-a-lula-e-o-boi-de-piranha-do-entreguismo-por-j-carlos-de-assis).

LULA: ESPETACULARIZAÇÃO, PERSEGUIÇÃO E INCONVENIÊNCIAS



Lula: Espetacularização, perseguição e inconveniências

"De tudo o que foi investigado e revelado em relação ao tríplex do Guarujá e ao sítio de Atibaia, não há nenhuma evidência de que Lula tenha cometido algum crime. Nos dois casos, o que se evidencia é uma clara espetacularização e perseguição por parte do Ministério Público, da Polícia Federal e por setores da mídia.

Por Aldo Fornazieri, 
professor da Escola de Sociologia e Política de São Paulo, no "Jornal GGN"

Não que os dois casos não pudessem ser investigados ou que o próprio Lula não possa ser investigado. Mas, desde o início, há poucas evidências de que haja qualquer conduta dolosa por parte de Lula. Assim, requer-se o comedimento e a cautela necessárias que o agente público e a boa investigação devem ostentar.

No caso do tríplex, está claro que a família de Lula tinha uma quota e que decidiu não consumar a compra do imóvel. Não caso do sítio, comprovadamente, pertence a terceiros, amigos da família Lula, que o disponibilizaram para uso do ex-presidente. Para além disso, o que se pode discutir são atitudes politicamente inconvenientes de Lula, mas não atos criminosos. Não é tarefa nem do Ministério Público, nem da Polícia Federal e nem da operação Lava Jato investigar atitudes politicamente inconvenientes de um ex-presidente da República.

A perseguição e a espetacularização das ações do Ministério Público e da Polícia Federal andam juntas. Elas se expressam desde a escolha do nome das operações e se confiram nos seus desdobramentos. A "operação Triplo X" da semana passada teve um claro viés político visando atingir a figura de Lula, desde a escolha do nome. É questionável até mesmo que as prisões e condutas coercitivas da operação fossem necessárias. Todos os detidos foram soltos.

Fica cada vez mais evidente que atos desnecessários, ilações indevidas e espetacularizações de ações e informações emanadas e praticadas pela PF, pelo Ministério Público e pelo juiz Sérgio Moro adquirem cada vez mais caráter persecutório contra Lula. A espetacularização promovida por esses agentes públicos e reforçada por setores da mídia visa criar cenas e estados emocionais sensacionalistas com claro objetivo [partidário] de destruir a figura política e moral de Lula.

A mídia pode até ter interesses comerciais na reprodução da espetacularização. Mas os agentes públicos têm claros objetivos políticos[/partidários], incompatíveis com as funções que exercem. Os políticos de oposição, cujo único programa consiste na destruição do PT e do governo, também passaram a teatralizar as denúncias emanadas na operação Lava Jato.

Tudo ocorre como se os vazamentos seletivos fossem verdades incontestáveis, como se os denunciados por delações premiadas fossem criminosos indefensáveis. Todo o movimento consiste na construção de uma condenação prévia por parte da opinião pública. A espetacularização tem viés totalitário: bloqueia a discussão pública como forma de busca e construção da verdade. Fabrica uma verdade prévia que é imposta à opinião pública, quando não, aos próprios juízes.

Parcialidade e inconveniências

A parcialidade do Ministério Público, da Polícia Federal e do juiz Moro são a cada dia mais indisfarçáveis. Há evidente determinação de criminalizar o PT e de inculpá-lo exclusivamente pela corrupção no Brasil. Há grave omissão na investigação de denúncias de corrupção que atingem políticos do PSDB. O caso do Ministério Público de São Paulo chega a ser escandaloso: omitiu-se vergonhosamente na investigação do escândalo do Metrô e promove espetacularização absurda, mesmo sem provas, no caso do tríplex do Guarujá.

Recentemente, Aécio Neves foi acusado por um delator de receber um terço das propinas provenientes da corrupção de Furnas. Nenhuma ação do Ministério Público, nenhuma ação espetacular da Política Federal, nenhuma providência do juiz Moro, nenhuma manchete sensacional da mídia. Mas não é apenas a Lava Jato que é parcial. A "operação Zelotes" descambou para o mesmo viés perigoso: de operação para investigar grandes sonegadores fiscais, tornou-se instrumento exclusivo de investigação do filho de Lula e da suposta compra de MP. Registre-se que a grande sonegação causa um prejuízo quatro a cinco vezes maior aos cofres públicos em relação a aquele causado pela corrupção.

Se Lula pode ser acusado de alguma coisa nessas duas histórias é a de conduta politicamente inconveniente, o que, em si, não é crime, mas causa danos políticos. Todo petista tem o direito de querer ser rico, de ter uma vida confortável e luxuosa e de se relacionar com grandes empreiteiros e grandes empresários. Mas existe uma inconveniência política e uma contradição ética nessa pretensão e nessa conduta.

O projeto ético do PT é, ou ao menos era, construir altos padrões de igualdade e de inclusão social num país extremamente desigual. A ética diz respeito aos fins do bem comum e também aos meios e condutas. A construção dos fins éticos requer agentes políticos virtuosos, praticantes das virtudes republicanas. As virtudes republicanas, além da sempre necessária prudência, se expressam na frugalidade, na simplicidade, no despojamento, na parcimônia e na busca da igualdade e da liberdade. O luxo, a ostentação, a corrupção são práticas antirrepublicanas.

Pepe Mujica tinha um sitio simples antes de ser presidente do Uruguai. Não consta que tenha feito nenhuma reforma durante o exercício da presidência ou depois de deixá-la. Eis aí um exemplo contemporâneo de coerência entre a luta por fins éticos e uma conduta moral pautada pelas virtudes.

Se quisermos resgatar um exemplo histórico de virtude republicana, podemos lembrar Lúcio Quíncio Cincinato. Depois de exercer o consulado, poder máximo na República de Roma, ele voltou à vida pastoril simples, trabalhando a sua própria terra. Sendo Roma atacada e ameaçada por invasão estrangeira no ano de 458 a. C., Cincinato foi buscado em seu sítio e investido pelo poder absoluto de ditador para salvar a República. Afastado o perigo, ele deixou o poder para retornar à atividade de agricultor.

Tanto o historiador Tito Lívio, quanto Maquiavel, recomendam que os líderes prudentes devem estudar e imitar a vida dos grandes homens virtuosos. O despojamento e a frugalidade de Cincinato o tornaram exemplo de liderança excepcional, de modéstia, de virtude cívica republicana em prol do bem comum. Pepe Mujica, em outras circunstâncias históricas, deve ser valorizado pelas mesmas qualidades. Embora o projeto dos líderes petistas, de promover a igualdade e a inclusão social tenha um valor ético inquestionável, parece que eles se perderam na conduta pessoal."


FONTE: escrito por Aldo Fornazieri, professor da Escola de Sociologia e Política de São Paulo, no "Jornal GGN". Transcrito no portal "Vermelho"  (http://www.vermelho.org.br/noticia/276077-1).

AÇÃO NO TSE CONTRA DILMA É CLARA AFRONTA À CONSTITUIÇÃO




Ação no TSE é clara afronta à Constituição

Por Alex Solnik, jornalista

"Os crimes de responsabilidade que podem, se provados, tirar o presidente da República do cargo no curso do mandato estão descritos no Artigo 85 da constituição brasileira de 1988, que diz ipsis literis:

"São crimes de responsabilidade os atos do Presidente da República que atentem contra a Constituição Federal e, especialmente, contra: 


I - a existência da União; 
II - o livre exercício do Poder Legislativo, do Poder Judiciário, do Ministério Público e dos Poderes constitucionais das unidades da Federação; 
III - o exercício dos direitos políticos, individuais e sociais; 
IV - a segurança interna do País; 
V - a probidade na administração; 
VI - a lei orçamentária; 
VII - o cumprimento das leis e das decisões judiciais. 
Parágrafo único. Esses crimes serão definidos em lei especial, que estabelecerá as normas de processo e julgamento".

Nenhuma menção, portanto, à prestação de contas de campanha.

No entanto, em clara afronta à Constituição, está em marcha uma ofensiva, comandada pelo TSE, que pretende transformar problemas nas contas de campanha em motivo de cassação da chapa presidencial.

A intenção de passar por cima do artigo 85 já foi explicitada em outubro de 2015 pelo atual presidente do TSE, Dias Toffoli, que rebateu parecer do eminente jurista Dalmo Dallari, de quem não tem a metade do currículo e a tendência é o ataque recrudescer quando, em maio, ele for sucedido por Gilmar Mendes, cuja disposição de destruir o PT é conhecida de todos, o que já seria suficiente motivo, por si só, para afastá-lo do caso em questão.

Escuda-se o TSE no conceito da "lei para todos": se prefeitos e governadores podem ser cassados por causa de supostos ilícitos praticados em campanha, o presidente da República também pode.

Não pensavam assim, porém, os legisladores de 1988. Eles não incluíram essa possibilidade entre os crimes de responsabilidade porque sabiam que são processos demorados, que, ao serem concluídos quando o governo já está no exercício do mandato podem provocar grave ruptura política, econômica e social, sem termos de comparação com uma ruptura municipal ou estadual.

Tirar um prefeito ou um governador do poder é grave, mas não afeta o funcionamento do país.

Tirar um presidente e seu vice, afeta. E como.

É preciso aplicar a lei dos crimes de responsabilidade com responsabilidade.

Ou se julga as contas de campanha até o início do mandato ou Inês é morta.

Governo federal é a locomotiva que puxa o país, brecá-la em meio à viagem é arriscado, os vagões podem se chocar devido à parada brusca. E o trem descarrilhar."

FONTE:
escrito por Alex Solnik, jornalista. Já atuou em publicações como Jornal da Tarde, Istoé, Senhor, Careta, Interview e Manchete. É autor de treze livros, dentre os quais "Porque não deu certo", "O Cofre do Adhemar", "A guerra do apagão", "O domador de sonhos" e "Dragonfly" (lançamento setembro 2016). Artigo publicado no portal "Brasil 247"  (http://www.brasil247.com/pt/blog/alex_solnik/216452/A%C3%A7%C3%A3o-no-TSE-%C3%A9-clara-afronta-%C3%A0-constitui%C3%A7%C3%A3o.htm).

CRISE PODE FAZER REQUIÃO CANDIDATO À PRESIDÊNCIA PELO PMDB



Ouça neste link:
https://soundcloud.com/conversa-afiada/crise-pode-fazer-requiao-candidato-do-pmdb


Crise pode fazer Requião candidato do PMDB

Autonomia do Banco Central? Para ser dependente dos bancos?

Do portal "Conversa Afiada"


"Na quarta-feira (10), o senador Roberto Requião (PMDB-PR) admitiu a possibilidade de ser candidato a Presidente da República. A ideia ganhou força quando ele lançou uma plataforma de cinco pontos com “a economia do desenvolvimento”.

Em entrevista por telefone a Paulo Henrique Amorim, [do portal "Conversa Afiada"], Requião comentou os principais itens da proposta elaborada em conjunto com economistas e intelectuais, sob a liderança do ex-presidente do BNDES, Carlos Lessa. 

Os pontos centrais são:

1- o compromisso com a democracia;

2- o compromisso com a soberania;

3- o compromisso com a solidariedade;

4- o compromisso com o desenvolvimento;

e 5- o compromisso com a sustentabilidade.


Outra ideia é, no curto prazo, reformar os mecanismos de segurança e justiça no país, inclusive fazer com que o judiciário deixe de se autorregulamentar.

Abaixo, a entrevista na íntegra:

PHA: Eu vou entrevistar o senador Roberto Requião, que apresentou cinco propostas concretas para uma reorganização do país em torno de uma economia do desenvolvimento. A primeira delas é a transformação progressiva e ordenada da dívida pública em investimento produtivo. A pergunta é: como transformar a dívida em investimento sem que aja um calote da dívida?

Requião: Há o exemplo da economia alemã, conduzida pelo Horace Greeley Jalmar Schacht [ 1877 — 1970, um político e banqueiro alemão]. Nós podemos diminuir os juros da SELIC e criar a possibilidade de investimentos em áreas produtivas. Se nós diminuirmos, a primeira questão seria a seguinte: 'ah, mas não vão aplicar' no Brasil'. Vão sim, pois não existe outra aplicação mais rentável no mundo hoje. Os Estados Unidos fixaram juros de 0,25% a 0,50% de títulos e já estão com - 1% ao ano.

E nós podemos criar setores de desenvolvimento através de investimentos em infraestrutura com uma taxa interna de retorno garantida pelo Banco Central. E, progressivamente, iríamos transformar esses investimentos rotativos que paralisam a economia brasileira, já que aumentam os juros, recebem (os juros) e novamente investem em Letras do Tesouro e debêntures do Tesouro (para receber os juros), em um círculo que não traz desenvolvimento algum. Então, progressivamente, nós resolveremos esse problema com investimentos em infraestrutura no Brasil.

PHA: A segunda medida que o senhor propõe é o controle sobre a movimentação de capitais. Como seria feito isso sem que provocasse a ira incontrolável das agências de risco?

Requião: Inicialmente, não precisamos de medida alguma, pois o Banco Central já faz isso. E ele poderia viabilizar esse controle dentro da própria competência do BC. Se não controlarmos a entrada e saída, nós ficamos à mercê das crises e dos desejos do mercado financeiro. Voltaríamos à situação anterior do BC brasileiro, sem nenhuma novidade.

PHA: O Brasil já fez isso, senador?

Requião: Já fez isso e o controle sempre foi feito sem nenhum problema.

PHA: Outra medida que o senhor propõe é alterar o modus operandi do Banco Central e do Ministério da Fazenda como solução essencial para reorganizar a ação de todo o Estado brasileiro. O senhor mudaria o regime do BC?

Requião: O BC americano é responsável pelo desenvolvimento do país. O nosso tem [também] que cuidar da inflação, do desenvolvimento econômico, do nível de emprego e do fluxo de financiamento para a retomada do desenvolvimento. Por exemplo, com o dólar alto, existe a possibilidade de setores importantes do Brasil passarem a exportar, mas eles não têm mais capital de giro e esse dinheiro, que tem que ser um dinheiro a preços suportáveis, está indisponível no mercado. Isso deveria ser também da competência do Banco Central.

Há uma proposta do Senador Lindberg Farias (PT-RJ) nesse sentido, que o BC passe a ser como o americano, ou seja, que fique responsável também pelo desenvolvimento, nível de emprego e pelo financiamento disponível para o desenvolvimento do país.

PHA: Portanto, o BC não teria autonomia para fixar a taxa de juros, a SELIC ?

Requião: O BC não pode alterar a taxa de juros se ele não tiver o controle da entrada e saída (de dólares). E a taxa de juros tem que ser reduzida para criar a possibilidade de investimento nos setores estratégicos.

PHA: Em que a sua plataforma muda com a nova realidade do barril do petróleo abaixo dos US$ 30 e a economia da China em desaceleração?

Requião: Ela passa a ter olhos para a possibilidade do consumo interno no Brasil. Um crescimento independente dos desejos do capital financeiro do mundo. Temos que explorar o nosso mercado inteiro. Nós temos uma estruturação industrial boa e ampla, com uma capacidade ociosa enorme que tem que ser utilizada. E investimentos em Tecnologia e os tradicionais em Saúde e Educação. Por exemplo, 50 alunos em uma sala de aula podem ser substituídos por 25 alunos. Melhora a qualidade de ensino e aumenta a possibilidade de emprego. Mas aí você diria: 'mas, então, estamos criando mais empregos públicos?'. O Brasil tem, da sua mão de obra ocupada, 8,5% em empregos públicos. Os EUA têm 17% e a França 27%. Então, esse não é o problema. Nós temos que ter um projeto nacional de desenvolvimento.

PHA: O senhor menciona o papel estratégico da América do Sul como alternativa ao controle direto dos Estados Unidos. Diante a eleição do Macri na Argentina e algumas novidades que possam vir do Peru, a posição favorável aos Estados Unidos no Chile... Ainda existe essa disposição na América do Sul de se criar uma barreira à influência americana?

Requião: São paradoxos. Eu assisti a uma entrevista do Mujica, em que ele dizia que a eleição do Macri favorece o Mercosul, porque a Argentina estava isolada com os seus próprios interesses. Na minha opinião, o Macri não mantém essa postura porque, se não, ele não se mantém no Governo. Esse liberalismo econômico vai prejudicar a Argentina e o povo.

PHA: O senhor exalta o papel pioneiro e renovador do MDB, que se transformou no PMDB, que é uma sigla com uma série de cargas negativas. Como o senhor pretende dar vigor à sua plataforma sendo membro do PMDB e não mais do MDB?

Requião: O PMDB é uma síntese da população brasileira. Eu concordo com você que o partido perdeu completamente o rumo, mas fundamentalmente por falta de projeto. De um lado, um grupo influenciado pelo capital financeiro, lança a "Ponte para o Futuro" – clique aqui para ler sobre “FHC desvenda a verdadeira natureza do Projeto do Wellington- , que esquece a população brasileira e faz o jogo ideológico do capital financeiro. Nós estamos lançando uma proposta nacional de retomada do desenvolvimento.

Eu acho que o fundamental é que está faltando um norte, um horizonte possível. E a grande mídia tenta desmoralizar a cada dia a possibilidade de crescimento do Brasil. Mas, essa possibilidade existe. Propomos uma visão clara de projeto para que a dívida pública seja utilizada em investimentos públicos e que fique fora do jogo do capital financeira. Queremos transformar, como fez a Alemanha no passado. Para isso, é muito importante a participação dos países da América do Sul. A eleição do Macri é um capítulo dessa história e eu acredito que, se ele não mudar de posição, será muito breve. Será um "Macri, o Breve".

PHA: O Esmael, do Blog do Esmael, tratou essa sua plataforma como a de um candidato a Presidente da República. É verdade?

Requião: O Esmael usou como um gancho… O fundamental, para mim, é a discussão de um projeto nacional. Eu sei das dificuldades que eu teria para ser candidato dentro do PMDB. Eu já ensaiei duas vezes e não tive sucesso. Só [será possível] com uma mudança do partido. Mas, a crise pode ajudar. Foi com a crise que o Cardenas, no México, mudou a estrutura de sua economia. E foi na crise brasileira que surgiram a Petrobras, a CSN, o BNDES. A crise é o espaço enorme de possibilidade. Mas, para isso, é preciso ter proposta.

O ex-ministro das Finanças da Grécia, Yanis Varoufakis, propõe a união da Europa contra o domínio absoluto do capital financeiro. Os países não têm mais controle da economia. O Ministério da Fazenda subordina os outros ministérios em uma ditadura absoluta da visão neoliberal. Há um enfrentamento no mundo inteiro em relação a isso e esse enfrentamento tem que ser feito também no Brasil.

Veja o Bernie Sanders nos Estados Unidos, que está mexendo com a hegemonia do capital. Nao acredito que ele venha a ser eleito. Mas está mexendo ...

PHA: Uma das ideias do Yanis Varoufakis é de fazer com que todas as reuniões da União Europeia sejam públicas e transmitidas por televisão. O que o senhor acha, por exemplo, de as reuniões do Comitê de Política Monetária do BC serem transmitidas ao vivo, pela televisão, pela internet ?

Requião: É uma ideia genial ! É a transparência absoluta, mas o ideal é estabelecermos, por lei, quais são as obrigações do Banco Central. Se a obrigação for só conter a inflação, ele estará a serviço exclusivo do capital financeiro.

Requião: Esse texto todo da plataforma é produto de trabalho de um grupo de economistas, entre eles Carlos Lessa, Márcio Henrique, Darc Costa, influenciados pela discussão travada pela Maria da Conceição Tavares, o Belluzzo. O Lessa e o Darc são os verdadeiros pais desse projeto."

FONTE: do portal "Conversa Afiada"   (http://www.conversaafiada.com.br/politica/crise-pode-fazer-requiao-candidato-do-pmdb)

QUEREM VENDER (OU DOAR) O RESTO DO BRASIL




Querem vender o resto do Brasil 


Por RIBAMAR FONSECA, jornalista e escritor

"A grande mídia brasileira, monopolizada por quatro famílias e atuando de forma coordenada – até as manchetes em muitos casos são iguais – conseguiu, de uma só tacada, um feito até então impensável: amedrontou os três poderes da República, que são mantidos acuados; produziu grave crise política e econômica, com incalculáveis prejuízos ao país; e criou clima de ódio e intolerância de consequências imprevisíveis, com milhares de pessoas robotizadas pelo veneno que destila todos os dias

Decididos a matar dois coelhos de uma só cajadada, sem importar-se com os efeitos danosos da sua campanha, os barões da imprensa estão empenhados em conseguir, ao mesmo tempo, derrubar a presidenta Dilma Roussef e impedir o ex-presidente Lula de voltar ao Palácio do Planalto em 2018. E contam para isso com a decisiva participação das operações "Zelote" e "Lava-Jato", criadas teoricamente para combater a corrupção, mas que se tornaram operações políticas[partidárias] como parte do projeto de banimento do ex-presidente operário da vida pública.

A inércia das principais autoridades dos três poderes, que pode sugerir indiferença à atuação dos investigadores – apesar das críticas contundentes de juristas e outras personalidades de destaque da vida nacional – na verdade parece indicar temor de se tornarem alvo dos ataques da mídia caso contrariem os métodos e os enfoques adotados pelas duas operações. 

Na hipótese, por exemplo, de o governo, através do Ministério da Justiça, colocar um freio nos abusos da Policia Federal, tudo leva a crer que a manchete dos jornalões no dia seguinte seria: "Dilma tenta impedir PF de investigar Lula". Se a medida para conter a fúria dos investigadores partisse do Supremo Tribunal Federal, a manchetona da grande mídia seria: "Ministros nomeados por Lula querem barrar as investigações". Quanto ao Legislativo, parece muito difícil alguma iniciativa, porque o Parlamento está prenhe de parlamentares sob investigação. Ou seja, todos parecem estar com medo da grande mídia. Resultado, o país está à mercê dos barões da imprensa e do juiz Sergio Moro que, de Curitiba, parece mandar na Justiça de todo o Brasil.

Nesse quadro, que privilegia a oposição, em especial os tucanos – blindados tanto pela mídia quanto pelos investigadores da Lava-Jato e Zelotes – os entreguistas já se mobilizam para, aproveitando a fragilidade do governo, dar continuidade ao programa de privatizações de FHC/PSDB, entregando ao capital estrangeiro o que sobrou das estatais brasileiras após a fúria privatizacionista da administração do PSDB. O senador tucano Tasso Jereissati já apresentou ao Congresso proposta que privatiza as 140 estatais restantes, inclusive a Petrobrás, o Banco do Brasil e a Caixa Econômica, fazendo lembrar o que disse o saudoso Itamar Franco sobre o período de desmonte do nosso patrimônio: "Vão acabar deixando só o mastro da bandeira". 

Pelo visto, eles decidiram não mais esperar por um agora remoto impeachment para a conquista do poder, antecipando uma nova onda de privatizações enquanto Lula está sob fogo cerrado, antes que ele consiga se recuperar e dificulte a iniciativa impatriótica. Isso explica, entre outras coisas, o aperto no cerco ao ex-presidente operário que, segundo o ministro Eduardo Cardozo (que parece viver em outro planeta) não está sendo investigado, embora tenha virado alvo de uma ação específica da PF em Atibaia, autorizada pelo juiz Moro. Tudo porque Lula, quando no Planalto, impediu a ação dos entreguistas.

Antes de Jereissati, outro senador tucano, José Serra, já havia apresentado proposta abrindo o pré-sal para as empresas estrangeiras, sonho dos grandes grupos econômicos petrolíferos mundiais. Agora, devem todos, inclusive o presidente do partido, Aécio Neves, se unirem em torno do projeto do senador cearense, que parece já contar também com o apoio dos demais oposicionistas e, inclusive, de peemedebistas ligados ao governo. O que impressiona é que, quando esse pessoal se candidatou e foi eleito, imaginava-se, sobretudo os seus eleitores, que eles iriam defender no Congresso os interesses do povo e da Nação, conforme, aliás, seus manjados discursos. Constata-se agora, infelizmente, que eles se elegeram para defender os seus próprios interesses e os interesses do capital estrangeiro, contrários, portanto, aos interesses do povo brasileiro. Diante disso, não é difícil concluir que, se esse pessoal chegar a conquistar a Presidência da República, vai entregar ao estrangeiro até o mastro da bandeira.

A esta altura, com a proposta de Jereissati, ninguém mais tem dúvidas de que todo esse circo armado no início do segundo mandato da presidenta Dilma Roussef, para a eliminação de Lula da vida pública e a conquista do poder, sempre teve como meta principal a retomada do programa privatizacionista de FHC/PSDB, que foi elaborado no exterior e imposto pelo FMI. Por sua posição de entreguista e de subserviência aos Estados Unidos, conforme ficou claro em sua "Teoria da Dependência" – teoria intitulada "Dependência e Desenvolvimento na América Latina", escrita em parceria com o economista chileno Enzo Faletto em que defende a tese de que os países emergentes deveriam desenvolver-se mantendo-se dependentes de países ricos – FHC ampliou as simpatias dos americanos, que o ajudaram a reeleger-se. Quem conta é o jornalista norte-americano Greg Palast, no livro "A Melhor Democracia que o Dinheiro pode Comprar". Segundo ele, foi o secretário do Tesouro americano, Robert Rubin, quem de fato governou o Brasil como presidente, sem precisar perder uma festa em Manhattan. "Foi esse o preço que Cardoso pagou pelos serviços de Rubin na campanha eleitoral – disse Palast – pois foi o secretário do Tesouro, junto com o FMI, quem manteve a moeda brasileira em alta".

Na verdade, todos sabem que as privatizações não produziram nenhum benefício ao país e seu povo. Muito pelo contrário, além de ter dilapidado o patrimônio nacional duramente construído ao longo do tempo, FHC/PSDB não prestou contas do dinheiro arrecadado com os leilões, causou prejuízos incalculáveis ao país, provocou um rombo nas reservas e promoveu demissões em massa para entregar as empresas livres de despesas aos compradores. 

O senador Tasso Jereissati que, junto com seu colega José Serra, fez parte do governo FHC, quer agora concluir a venda do resto do país, iniciada pelo ex-presidente tucano, para atender à cobrança dos patrões. E se conseguir o seu intento, caso os brasileiros não reajam a mais essa tentativa de destruir a Nação, as 140 estatais restantes, que totalizam um patrimônio de cerca de R$ 4,5 trilhões, poderão passar a mãos estrangeiras, uma ameaça ao emprego de mais de 500 mil trabalhadores. Vale lembrar o que escreveu o jornalista Mauro Santayana no "Correio Braziliense", na época do governo FHC e que continua muito atual: 'Eles não agem como brasileiros, porque pouco lhes interessa a miséria, a fome e a morte de nossa gente'."

FONTE: escrito por RIBAMAR FONSECA, jornalista e escritor. Publicado no portal "Brasil 247"  (http://www.brasil247.com/pt/colunistas/ribamarfonseca/216489/Querem-vender-o-resto-do-Brasil.htm).

A DISPUTA EM CURSO DE PROJETOS PARA O BRASIL




A disputa de projetos para o Brasil!


Por Emir Sader, sociólogo e cientista político

"A disputa política atual é a disputa em torno dos projetos para o Brasil. As tentativas sistemáticas e forjadas de desqualificar Lula é pelo que ele representa como possibilidade de retomada do projeto de desenvolvimento com distribuição de renda, que possibilitou que o Brasil tivesse o melhor momento da sua história e inviabilizou assim, por um tempo pelo menos, o retorno da direita ao poder.

O objetivo da direita é buscar inviabilizar qualquer candidato que represente esse projeto. Não adianta ficar buscando outros nomes, porque a campanha seria similar. Nem que, hipoteticamente, o candidato fosse Leonardo Boff, escaparia da campanha forjada para difundir uma imagem diabólica dele.

A direita não fala do seu projeto de país. Podemos deduzir, pelas suas candidaturas, que se trata de retomar o modelo neoliberal, que fracassou com FHC/PSDB e não conseguiu aprovação na consulta democrática das eleições desde 2002. A restauração neoliberal de Mauricio Macri na Argentina confirma o projeto da direita para a região: a vingança contra os salários, contra os direitos dos trabalhadores, contra a proteção dos empregos, contra o desendividamento do país, contra o povo e a democracia.

Aqui também se trata da disputa de projetos. Tratam de manter a pauta do denuncismo sem fundamento, do pessimismo econômico de um país sem saída, para promover que a preocupação maior dos brasileiros seria a corrupção e que a grande maioria acreditaria que o país não tem jeito.

A esquerda precisa sair do corner do ringue a que a direita busca mantê-la, para não apenas se defender, mas recolocar os temas centrais do país como temas centrais do país. Sair da defensiva e dos termos a que a direita quer que a esquerda se limite - a se defender de acusações. O que fazemos na internet é uma guerrilha de resistência contra as campanhas de manipulação da grande mídia monopolista, que funciona como um exército de ocupação na formação unilateral da opinião pública, impondo sua agenda ao país. Precisamos de muito mais do que isso.

Do que se trata é de disputar a agenda real do Brasil com todos os meios. Lula tem que continuar desmascarando as mentiras que diariamente a mídia 
difunde – seguindo o preceito de Goebells, segundo o qual se se mente, se mente, se mente, desesperadamente, sempre alguma suspeita fica

Mas Lula tem que comandar o país pelo deslocamento para a agenda real do Brasil: a disputa de projetos diferentes para o país, porque disso se trata. Querem desqualificá-lo porque não encontram formas nem argumentos para rebater o projeto que Lula colocou em prática e pode retomar.

Lula tem que falar ao país, dizer que o que se trata é uma disputa feroz por projetos diferentes. Que ele, Lula, como forma de impedir que a direita volte a comandar e desfazer todas as conquistas democráticas, se dispõe a ser candidato e apresentar a via de retomada, adaptada às condições de hoje, do modelo de desenvolvimento com distribuição de renda.

Que ele, Lula, seguirá lutando para que o próprio governo assuma abertamente esse modelo, que permitiu ao Brasil resistir à crise iniciada em 2008, e que pode permitir reagir ativamente diante das consequências continuadas dessa crise. Que essa é a única via de superar a crise, recompor a base popular de apoio ao governo e permitir que ele supere a crise e reconquiste capacidades plenas de governar o país, reconduzindo-o pelo caminho da retomada do desenvolvimento com distribuição de renda, via de sucesso do governo desde 2003.

Lula tem que deslocar o debate para os verdadeiros objetivos da luta política hoje no Brasil: a disputa pelo país que cada força quer. De alguma forma, responder ao que a direita faz – iniciar hoje a campanha eleitoral de 2018 -, colocando-a nos seus termos reais.

Disso se trata, da disputa de projetos de país. A luta hoje é para centrar nessa disputa a luta política e de ideias. É a forma de sair da defensiva, que é caminho de derrota. Discutir abertamente os projetos que estão em jogo é a via para sair da defensiva, centrar o debate nos dilemas reais do Brasil hoje. Esse é o caminho de retomar a ofensiva, o caminho de recuperar um modelo que fez do Brasil um país mais democrático, menos desigual, que mostrou que pode dar certo, um país solidário, justo e soberano." 


FONTE: escrito por Emir Sader, sociólogo e cientista político. Publicado no portal "Brasil 247"  (http://www.brasil247.com/pt/blog/emirsader/216463/%C3%89-a-disputa-de-projetos-para-o-Brasil!.htm).