segunda-feira, 28 de julho de 2014

MEGAESPECULADORES ESTRANGEIROS RETIRAM PARTE DE CÉREBROS DOS BRASILEIROS




O Santander e a lobotomia de uma Nação

Da Carta Maior

"Os bancos são os grandes provedores da "rede Brasil aos cacos". Eles dão a corda, o jornalismo econômico dá o nó, o país entra com o pescoço.

Por Saul Leblon

O banco Santander, informa a 'Folha', anexou aos extratos enviados a sua clientela de elite, o segmento 'Select', uma avaliação de natureza político eleitoral.

Caso Dilma se consolide na dianteira das intenções de voto, adverte o maior banco estrangeiro em operação no país, ações devem cair, os juros vão subir , o chão se esfarelar...

Em linguagem cifrada, ‘não deixe que isso aconteça: vote Aécio’.

Transformar extratos bancários em palanque da guerra das expectativas deve ser, inclusive, ilegal. O Ministério Público Eleitoral poderá dizê-lo.

O descabido, porém, não constitui anomalia no cenário brasileiro.

Os bancos são os grandes provedores de conteúdo da rede ’Brasil aos cacos’.

Eles dão a corda, o jornalismo econômico dá o nó, o país entra com o pescoço.

Gente treinada e bem remunerada, quadros de elite --não raro egressos do Banco Central no governo do PSDB--, encontram-se disponíveis para somar forças com o bravo jornalismo de economia na missão de esgoelar o Brasil.

Um bunker tucano, como o Itaú, hoje uma espécie de Banco Central paralelo, figura como um dos grandes provedores de conteúdo do noticiário econômico.

O recado é sempre o mesmo: não há futuro para o Brasil se a urna sancionar um segundo ciclo do ‘intervencionismo’.

Quando as estatísticas teimam –como agora que a inflação desaba, o apagão se esvai, os juros futuros recuam e o pleno emprego resiste— recorre-se ao talento do jornalismo adversativo.

O varejo, por exemplo, quando cai é uma ‘tendência preocupante’; se sobe, ‘recuperou, mas é pontual’ .

Resultado bom ‘surpreende o mercado’. O inverso ‘veio em linha com as expectativas de deterioração do quadro econômico’.

É infernal.

A experiência brasileira sugere que não há ingrediente mais precioso na luta pelo desenvolvimento do que abrir espaço ao discernimento crítico da sociedade contra o monólogo da desinformação.

Sem isso, prevalecem interesses que se beneficiam do incentivo à amnésia histórica.

Um exemplo?

A origem da tão propalada crise de confiança atribuída ao ‘intervencionismo estatal’.
Aqui e em todo o planeta sua principal fonte, na verdade, foi a intermitente eclosão de colapsos financeiros, a partir dos anos 70, quando a mobilidade dos capitais ficou livre do controle estatal que a banca ainda acha excessivo no Brasil.

Uma a uma, foram desativadas as comportas erguidas a partir de 1929 para disciplinar a natureza intrinsecamente autofágica e desestabilizadora do capitalismo financeiro.

Bill Clinton, em 1999, consumou o arrombamento iniciado por Tatcher e Reagan nos anos 80.

Ao revogar a "lei Glass Steagall", o democrata eliminou a distinção entre bancos comerciais e de investimento --estes últimos só podiam arriscar com capital próprio lastreado em reservas.

Isso acabou.

Rompida a barreira, as águas se misturaram –e o risco se diluiu.

O dinheiro fácil, barato, mas de curto prazo, jorrou no vertedouro da especulação engordando-a, ao mesmo tempo em que encurtava seus ciclos.

Como num cassino, o fastígio das primeiras rodadas parecia eterno.

Dessa crença, brotaram os créditos ‘ninja’, concedidos a tomadores sem renda, sem emprego e sem garantias.

O chute no escuro empurrou todos os jogadores ao buraco negro das 'subprimes', em 2008.

O Santander foi, na Espanha, um dos titãs da ciranda que legou ao país o maior encalhe de imóveis do mundo e um desemprego só inferior ao grego.

Em 2011, atolado em hipotecas micadas, jogou a toalha: anunciou uma moratória de três anos sobre o principal, em troca de receber, pelo menos, o juro dos mutuários espanhóis empobrecidos.

Em 2012, quando a corda apertava seu pescoço na Europa, o presidente do banco, Emilio Botín, aterrissou no Brasil.

Disse que o país era a sua ‘maior prioridade no mundo’: daqui saíam 30% do lucro global do grupo.

Em setembro de 2013, estava de volta.

Depois de reunir-se com a Presidenta Dilma Rousseff, anunciou: ‘Queremos participar ativamente do milionário Plano de Aceleração do Crescimento e financiar uns US$ 10 bilhões em projetos de infraestrutura . O Brasil tem se consolidado como uma grande potencia regional e global, com instituições sólidas e um sistema financeiro muito consolidado’ (EL País; 13/09/2013).

Dez meses depois, resolveu lançar extratos bancários consorciados a panfletos eleitorais contra o ‘risco Dilma’.

A memória curta do Santander em relação ao país está em linha com a memória curta da mídia conservadora em relação à origem ‘da crise de confiança’ cujo fato gerador não apenas persiste, como ensaia um novo pico explosivo.

Fatos.

Dos mais de US$ 25 trilhões despejados no sistema financeiro dos EUA desde 2009, para mitigar o caixa rentista, apenas 1% ou 2%, no máximo, chegaram aos lares assalariados, na forma de crédito e financiamento.

O que avulta, ao contrário, é uma explosão irracional dos preços da papelaria financeira sem lastro na riqueza real --a mesma doença pré-2008:

Na zona do euro, onde o Santander é a maior instituição bancária, a desproporção entre a valorização dos ativos (títulos, ações etc) e a curva do emprego e do consumo replica a dança na boca do vulcão.

Estima-se que, nos EUA, grandes corporações tenham uns US$ 7 trilhões queimando em caixa. Liquidez ociosa à procura de fatias da riqueza real para uma transfusão de lastro.


Com a economia internacional flertando com a estagnação há seis anos, novas bolhas especulativas engordam no caldeirão.

A Facebook, por exemplo, acaba de pagar US$ 19 bilhões (8% de seu próprio valor) por uma 'startup', a 'WhatsApp'.

Para que o negócio justifique o preço, terá que duplicar sua base de usuários para 1 bilhão.

Com o dinheiro barato irrigado pelo FED, grandes corporações norte-americanas tomam recursos a juro negativo para recomprar as próprias ações.

O artifício permite bombar balanços sem incrementar a produção.

Estima-se que mais de US$ 750 bilhões de dólares foram utilizados nessas operações em 2013.


Outra evidência da fuga para frente do capital fictício é a súbita procura por bônus de economias reconhecidamente cambaleantes.

Casos da Grécia, Espanha e Portugal, por exemplo.

Os lanterninhas do euro lançaram emissões no mercado financeiro este ano e conseguiram captar bilhões a juros baixíssimos.

Rincões cada vez mais improváveis faíscam aos olhos da sofreguidão especulativa.

A última ‘descoberta’, a África, vê pousar fundos primos dos abutres que acossam a Argentina. Tão aventureiros quanto, compram emissões de Estados acuados por guerras e conflitos étnicos.

A ideia é receber, pelo menos, uma parte da remuneração indexada a juros cinco a seis vezes acima do custo de captação nos EUA; depois cair fora.

É nesse ambiente camarada que o Santander resolveu reforçar a lobotomia em curso no imaginário brasileiro.

Fomentar a crise de confiança é a pedra basilar de um mutirão eleitoral para escancarar as comportas que permitam ao capital ocioso avançar por aqui, como se o país fosse um banco de sangue complacente à transfusão requerida pela especulação global.

Estamos falando de um alvo de cobiça com população equivalente a dos EUA nos anos 70. E uma renda pouco superior a 1/3 daquela dos norte-americanos nos anos 30.

Com uma distinção não negligenciável: a distribuição no caso brasileiro é melhor que a dos EUA então, atropelado por uma taxa de desemprego que chegou a 27% em 1937.

O Brasil vive perto do pleno emprego; tem população predominante em idade produtiva; um potencial de demanda ainda não atendida e recursos estratégicos abundantes, a exemplo do pré-sal.

Nada sugere que estamos diante dos ingredientes de um fracasso, como aquele vaticinado dia e noite pela rede ‘Brasil aos cacos’.

A curetagem conservadora, porém, pode anular a alma de uma nação -- se conseguir convencê-la a rastejar por debaixo de suas possibilidades históricas."



FONTE: escrito por Saul Leblon no site "Carta Maior" e transcrito no "Jornal GGN"  (http://jornalggn.com.br/noticia/o-santander-e-a-lobotomia-de-uma-nacao-por-saul-leblon)

PERGUNTAS PARA CONVERSAR COM O CANDIDATO AÉCIO




5 perguntas. Aécio, vamos conversar ?

Cadê o registro na ANAC do aecioporto do Papai ?​

Do blog "Muda Mais" (via portal "Conversa Afiada"):

Dois aeroportos e cinco perguntas que pairam no ar

"Hoje [2ª feira] completa uma semana desde que foi revelado que o governo de Minas teria construído um aeroporto na fazenda do tio de Aécio Neves. Depois veio a público o fato de a construtora do aeroporto haver doado dinheiro para a campanha tucana, e de que o uso de dinheiro público em propriedades privadas não é exatamente novidade em MG. Além disso, veio à tona a história do aeroporto de Montezuma, onde o pai de Aécio tinha uma agropecuária. Mas de lá pra cá, ao invés de explicações, só surgiram mais dúvidas. O senador pouco aparece em público e não dá respostas a ninguém. 

Por isso muitas perguntas ainda pairam no ar. Vamos a elas:

1) Por que dos 14 aeroportos previstos pelo governo de Minas, apenas dois saíram do papel?

O programa ProAero , lançado em 2003 pelo então governador Aécio Neves, previa 14 novos aeroportos para Minas Gerais. Acontece que, daqueles, apenas dois saíram do papel: o Regional da Zona da Mata e, vejam só, o de Cláudio! Andrelândia, Barão de Cocais, Brumadinho, Buenópolis, Chapada Gaúcha, Itabira, Lagoa da Prata, Mantena, Monte Santo de Minas, Ouro Preto, Sete Lagoas e Volta Grande ainda estão "no aguardo das obras", como afirmou reportagem da "Folha de S.Paulo" de domingo . Por que apenas dois saíram do papel e um deles é exatamente o de Cláudio, onde a família de Aécio tem fazenda?

2) Por que o aeroporto de Cláudio, concluído em 2010, ainda funciona irregularmente?

Ainda que o aeroporto de Cláudio tenha tido as obras concluídas em 2010, ele não tem autorização da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) para operar com o público. A ANAC afirmou que irá solicitar “informações sobre a suposta utilização irregular do aeródromo local, ainda não homologado pela Agência”.

3) Aécio usa o aeroporto de Cláudio? Quem mais?

Opa, mas se o aeroporto não tem autorização para funcionar, como funciona? Isso não sabemos. Mas temos certeza de que ele funciona, como afirmou Múcio Tolentino, ex-prefeito de Cláudio e tio-avô de Aécio. “Aquilo sempre foi de uso público por mais de 50 anos”, disse ao "Estadão", em matéria publicada ontem . Será mesmo que o “aeroporto era para todo mundo usar, até Aécio”? Quem tem avião particular no Brasil? Quem usa serviço de transporte aéreo fretado? Parece que esse pessoal precisa aprender como é que se faz "para todo mundo" usar um aeroporto.

E Aécio usa rotineiramente o aeroporto de Cláudio? Já o usou alguma vez? Está difícil conseguir que o candidato responda a essa pergunta. Sábado, quando indagado novamente sobre o assunto, Aécio respondeu: “De novo? Essa matéria já foi mais que esclarecida. Todo homem público tem que esclarecer quaisquer questionamentos. O que é importante é que os esclarecimentos possam chegar à opinião pública. O Estado de Minas não fez um, fez mais de 30 aeródromos”. Depois, ainda disse: “há uma exploração política, e é natural que haja. Eu tenho a oferecer ao Brasil uma vida correta.

4) Por que o governo de Minas admite pagar 20 vezes mais pelo terreno de Cláudio?

Em 2009, o governo de Minas ofereceu R$ 1 milhão em indenização pelo terreno de Cláudio. Mas o tio-avô de Aécio pediu mais, R$ 9 milhões, e a contenda corre na justiça. Entretanto, agora o Estado cogita ser possível pagar R$ 20,5 milhões pelo terreno. O valor consta na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2015, como mostrou o portal "R7" domingo . Na LDO de 2013 e 2014, o valor máximo era de R$ 3,4 milhões. A Justiça, por enquanto, suspendeu a decisão para fazer nova perícia. Se o pagamento for confirmado, os gastos com "indenização" chegariam a R$ 33,9 milhões, mais do que o valor da construção do aeródromo.

5) Por que não há registro do aeroporto de Montezuma junto à ANAC?

Sabe o aeroporto de Montezuma (cidade de apenas 7500 habitantes) cuja pista foi pavimentada na gestão de Aécio como governador, que fica onde a família do senador tem propriedades rurais, que fica na terra de uma agropecuária em que Aécio é sócio? Então, esse aeroporto não tem registro na ANAC e por isso não pode ser usado pelo público. “Não há, junto à ANAC, aeródromo cadastrado ou homologado em Montezuma. Também não há aeródromo no município em processo de homologação/cadastro junto à agência”, informou a ANAC, em nota divulgada pela "Folha de São Paulo" domingo.

E aí, Aécio? Temos várias perguntas. Vamos conversar?"
FONTE: do blog "Muda Mais" (via portal "Conversa Afiada") (http://www.conversaafiada.com.br/politica/2014/07/27/5-perguntas-aecio-vamos-conversar/).

AÉCIO NEVES DISFARÇA A TRAIÇÃO NACIONAL




Aécio Neves, um Cavalo de Troia pela traição nacional

"Desde a definição de sua candidatura à Presidência da República não é possível ouvir Aécio Neves fazer uma proposta concreta útil ao Brasil, à sua soberania e desenvolvimento, menos ainda ao bem-estar do povo e ao progresso social. Nas entrevistas que concede, quase sempre a veículos ["do mercado"] comprometidos com sua candidatura, Aécio intercala ataques à presidenta Dilma Rousseff com platitudes aparentemente sem maiores consequências.

Aécio parece um pastel de vento, alguém sem conteúdo, mas não é. O PSDB e seus aliados têm um programa para Brasil: a regressão aos tenebrosos tempos de neoliberalismo, a genuflexão às grandes potências, os ataques aos direitos sociais. Menos salário para os trabalhadores, menos investimento na educação e na saúde, menos democracia para os que lutam.

Por trás da candidatura do PSDB, estão interesses muitos poderosos, que saíram do centro do poder com a eleição de Lula em 2002, mas que agem nas sombras, diuturnamente, para voltar a colocar o Estado e o governo a seu serviço.

Junto com Aécio, viriam o desemprego, as privatizações, o sucateamento das universidades, o descaso com a saúde. Sairiam das sombras as tenebrosas figuras de ternos bem cortados e compromissos bem assumidos com os interesses do imperialismo e da banca internacional.

Essa realidade aparece nas entrelinhas de seus discursos e entrevistas dadas por Aécio e seus assessores. Por trás de palavras como “eficiência”, “choque de gestão”, “austeridade”, pronunciadas pelo senador mineiro ou por seus sequazes, estão de volta aos tempos de Fernando Henrique Cardoso/PSDB-DEM, quando o patrimônio nacional, os direitos sociais, os investimentos em educação e saúde foram sacrificados em benefício da banca internacional e nacional.

Não é à toa que o Banco Santander, instituição estrangeira que opera em solo nacional em parte graças à privataria levada a cabo pelos tucanos em bancos como o Banespa, mandou um comunicado aos seus clientes mais bem aquinhoados insinuando o voto contra Dilma. E não é preciso haver dúvida: onde ganham os banqueiros perdem a nação, a produção, o consumo, o desenvolvimento nacional.

O povo brasileiro quer mais mudanças e isso é muito positivo. Aécio não é claro sobre o seu programa justamente por isso, para fingir que sua candidatura atende a esse apelo. Mas ele é uma volta o passado, não uma estrada em direção a um futuro que aguarda uma nação como o Brasil.

Os brasileiros progressistas, comprometidos com a pátria e com o nosso povo não podem se enganar sobre a envergadura da batalha, considerá-la menor ou já vencida pelo campo democrático e popular. A presidenta Dilma tem uma vantagem importante, mas a máquina de mentiras a serviço dos interesses do imperialismo e da banca é poderosa e trabalha a todo o vapor. Para percebermos isso, é só olharmos para o noticiário econômico, que tenta torturar a realidade para dar a impressão de que vivemos uma crise, ou para a manipulação permanente das pesquisas de intenção de votos.

O momento nacional requer uma grande mobilização, que diga a verdade sobre as realizações destes últimos doze anos e denuncie as mentiras dos que estão ávidos por colocar o país de joelhos novamente. Não há erro maior do que subestimar o inimigo. Menos de setenta dias nos separam do primeiro turno das eleições. É preciso foco e concentração, combatividade e decisão.

Aécio não é um pastel de vento, apesar das aparências. Está mais para um Cavalo de Troia, instrumento de traição à pátria e aos anseios do povo brasileiro."

FONTE: editorial do portal "Vermelho"  (http://vermelho.org.br/editorial.php?id_editorial=1383&id_secao=16). [Título e imagem (do google) adicionados por este blog 'democracia&política'].

AÉCIO NEVES REPROVADO NO TESTE




Aecioporto: Aécio não passou no teste

Por Miguel do Rosário 

"O escândalo do aecioporto foi o primeiro teste de vida real enfrentado pelo candidato do PSDB à presidente da República.

E ele foi reprovado.

Especular um pouquinho não mata ninguém, então vamos lá.

Um blogueiro amigo fez a pergunta: quem vazou a informação? Ora, agora que temos mais dados, sabemos que não era exatamente uma informação secreta. Há anos que Aécio usava o aeroporto de Claudio para descansar na fazenda de sua família, a seis quilômetros dali. Todo mundo na cidade via o aeroporto como uma propriedade privada da família Neves.

Ou seja, a informação pode ter vazado de mil maneiras. Por exemplo: o repórter da "Folha de São Paulo", querendo alguma matéria sobre o candidato do PSDB, foi tomar uma cerveja num botequim em Belo Horizonte e o primeiro pinguço que conheceu na madrugada lhe contou o “causo” do aeroporto.

Acho mais provável isso do que a teoria de que "Serra está por trás", embora também não a possa descartar.

Então, os editores da "Folha" decidiram: “vamos fazer um teste com nosso candidato. Ele tem que mostrar couro duro se quiser ganhar eleição e manter um mínimo de estabilidade no governo. Afinal, teremos que publicar escândalos de vez em quando, e ele terá de aprender a lidar com isso”.

Talvez, eles não esperassem o impacto profundo do escândalo nas redes sociais. O editorial da "Folha" de ontem, domingo, deixa transparecer a perplexidade do jornal com a magnitude do impacto do aecioporto nas redes sociais.

E aí eu faço outra especulação.

A repercussão gigantesca do escândalo do aecioporto não tem como pano de fundo nenhuma histeria moralista. Não acho sequer que se estourou mais uma dessas bolhas de ódio, que frequentemente atinge o PT.

Tenho a impressão que a repercussão se alastrou tanto porque o episódio revela a personalidade política de Aécio Neves.

Preenche uma lacuna que já começava a incomodar os brasileiros: quem é, afinal, esse homem da oposição que apregoa ser o único capaz de derrotar a situação?

Mais que uma denúncia, é um episódio revelador, ilustrativo, pedagógico.

Aécio Neves revelou-se, para um Brasil profundamente angustiado pelo desejo de ter um governo mais moderno e mais ousado, um caso melancólico e contraditório.

Um coronelzinho metido a playboy carioca.

Construiu aeroporto com verba pública, na fazenda ao lado da sua. Na fazenda que pertencia ao tio.

Outro aeroporto construído por Aécio, em Montezuma, também fica ao lado de uma grande propriedade que herdou do pai, o qual a obteve através de uma bizarra operação de “grilagem” legal de terras públicas do estado de Minas Gerais.

Á luz de tanto aéreo-patrimonialismo, redescobrimos que FHC também tinha seu aeroportozinho particular, construído pela Camargo Correa num terreno ao lado da fazenda do presidente, logo após sua vitória em 1994.

Enfim, o escândalo do aecioporto parece ter causado sérios danos nas turbinas eleitorais do candidato.

Aécio tenta fugir do assunto dizendo que “está tudo esclarecido” e atribuindo tudo a uma "grande conspiração do PT".

De fato, as coisas agora ficaram bem esclarecidas.

A máscara de “moderno”, de “ético”, de Aécio Neves, caiu no chão e se quebrou.

Pior que isso: ele não consegue reagir, porque não sabe o que fazer. Durante anos, em Minas, nunca ninguém lhe contestou.

O Brasil está conhecendo Aécio Neves apenas agora.

Não dá para saber se o escândalo afetará as próximas pesquisas, mas é fácil identificar o estrago profundo que ele já causou em sua candidatura, visto que essa é ancorada nas classes médias e altas, fortemente vulneráveis a essas ondas de escândalo das redes sociais."


FONTE: escrito pelo jornalista Miguel do Rosário no blog "Tijolaço"  (http://tijolaco.com.br/blog/?p=19466).[Título adicionado por este blog 'democracia&política'].

AEROPORTO QUE SERVE À FAZENDA DE AÉCIO NEVES SUSPEITO DE SER ROTA DE DROGAS

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AEROPORTO QUE SERVE À FAZENDA DE AÉCIO NEVES SUSPEITO DE SER ROTA DO TRÁFICO DE DROGAS

O aeroporto de Cláudio, o helicóptero e a rota do tráfico de drogas

Por Cíntia Alves

"No caso do helicóptero dos Perrellas [flagrado transportando 445 kg de cocaína], uma dúvida: aeroportos irregulares serviram de parada para abastecimento [de drogas]?

Quando a apreensão de quase meia tonelada de pasta de cocaína transportada num helicóptero dos Perrellas [alçado a senador suplente por articulação de Aécio Neves] veio à tona, no final de 2013, autoridades estadunidenses pisaram em solo brasileiro para ajudar na apuração da origem e destino da droga. Investigações apontavam que a demanda teria sido negociada com mexicanos, mas saído oficialmente do Paraguai, com forte suspeita de que a Europa era o norte.

Fato é que consta nos depoimentos de Rogério Almeida, piloto preso em flagrante pela Polícia de Espírito Santo com mais comparsas, que a aeronave do então deputado Gustavo Perrella (Solidariedade) viajou de Avaré paulista até o Campo de Marte (A). De lá, para Divinópolis (B), e da cidade mineira para Afonso Cláudio, no Estado vizinho.

Na época, a imprensa levantou dúvidas técnicas sobre o helicóptero.

Modelo R-66, a aeronave só sai do chão suportando o peso máximo de 1.225 quilos. O helicóptero consome 581 quilos desse limite. Com o tanque cheio, iriam mais 224 quilos. Sobrariam 420 para a carga restante, contandos aí os passageiros. Só de cocaína, a polícia informou ter apreendido 445 quilos.

Com os cálculos feitos levando-se em conta a distância percorrida pelo helicóptero (entre os três pontos, pelo menos 1,17 mil quilômetros, em linha reta) e a autonomia da aeronave, duas hipóteses foram levantadas: ou o piloto mentiu e a droga foi carregada num local mais próximo da fazenda em Afonso Cláudio, onde pousou o helicóptero, ou menos combustível foi colocado para equilibrar o peso da nave. Consequentemente, mais paradas para abastecimento seriam necessárias.

Nesse último caso, aeroportos não fiscalizados seriam perfeitos. O de Cláudio (C), construído durante a gestão de Aécio Neves (PSDB), enquanto governador de Minas Gerais (2003-2010), até hoje não foi homologado pela ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil). O órgão federal garantiu que faltam documentos para concluir esse processo.



A obra é questionada pelo fato de beneficiar, teoricamente, um município de 25 mil habitantes e pouca expressividade econômica. Além disso, Divinópolis, por onde passou o helicóptero dos Perrellas, fica a poucos quilômetros dali, e possui aeroporto bem equipado.

Aécio não comenta se já usou a pista em Cláudio para facilitar o acesso à Fazenda da Mata, que pertence à sua família há décadas, a somente seis quilômetros do aeroporto denunciado. Há vídeos na internet comprovando que o espaço é utilizado para shows de aeromodelismo. Familiares de Aécio disseram à "Folha de São Paulo" que, pelo menos, um avião pousa por semana por ali. A ANAC vai investigar.

Na versão de Aécio, o aeroporto de Cláudio integra o Proaero, um programa que em sua raiz visava intervenções em mais de 160 lugares. Seriam construídos aeroportos locais ou regionais, ou melhoradas as condições das pistas existentes.

Denúncias sobre aeroportos construídos ou pistas que receberam investimentos vultosos nos últimos anos pipocam na mídia todos os dias desde que a "Folha de S. Paulo" revelou, em 20 de julho, que o equipamento em Cláudio foi construído em um terreno que pertence ao tio-avô de Aécio, Múcio Guimarães Tolentino. É a família Tolentino que, segundo o jornal, cuida das chaves do aeroporto "enquanto o imbróglio envolvendo a desapropriação do terreno não se resolve" na Justiça.

Segundo a assessoria de Aécio, a família Tolentino exige R$ 9 milhões pelo terreno. O Estado depositou em juízo cerca de R$ 1 milhão. Na sexta-feira (25), o periódico informa que Múcio Tolentino, ex-prefeito de Cláudio, é alvo de uma ação por improbidade administrativa.

O tio-avô de Aécio construiu uma pista de avião nas proximidades de sua fazenda, na década de 1980, com ajuda do governo estadual. A "Folha" sugere que a desapropriação da área em Cláudio pode garantir a Múcio o dinheiro necessário para pagar a multa desse processo antigo.

Um Tolentino acusado de relações com o tráfico

Múcio não é o único membro da família de Aécio Neves que frequentou as páginas policiais nos últimos anos. O comerciante Tancredo Aladim Rocha Tolentino, primo do candidato a presidente pelo PSDB, foi denunciado em 2012 como membro de uma quadrilha que atuava justamente na cidade de Cláudio vendendo habeas corpus por até R$ 180 mil a traficantes de drogas.

Tancredo Tolentino intermediava o negócio diretamente com Hélcio Valentim de Andrade Filho, então desembargador do Tribunal de Justiça do Estado. Em meados de 2012, quando o caso ganhou parte da mídia, o magistrado não assumiu os crimes. Tancredo Tolentino, por sua vez, reconheceu quepediu vários favores ao desembargador e, ao ter sucesso, lhe dava certa quantia em dinheiro, como forma de agradecimento”.

Na época, os jornais passaram a informação de que Tancredo Tolentino era primo distante de Aécio.

Quando estourou o caso do helicóptero do filho de Zezé Perrella, blogueiros estreitamente ligados a José Serra (PSDB) tornaram-se, de repente, especialistas em helicópteros e passaram a divulgar a hipótese de que a carga de cocaína tivesse sido embarcada em Divinópolis, nas imediações de Cláudio. Na época, Serra ainda aspirava à indicação do PSDB para a presidência.

Mais fatos sem explicações

Aécio, como candidato a presidente, deixou a postura ofensiva contra o governo Dilma Rousseff (PT) para se defender dos escândalos que surgem diariamente. Além do aeroporto de Cláudio, o tucano agora é incitado a dar explicações sobre outro aeroporto construído sem critério técnico inteligível, o de Montezuma.

A cidade tem menos habitantes que Cláudio - cerca de 8 mil - e nenhuma expressão econômica que possa justificar o investimento de mais de 200 mil numa pista batida de terra local. A não ser, como sugere reportagem de "O Globo " também de sexta-feira, a proximidade com a fazenda do ex-deputado Aécio Cunha, pai de Aécio Neves.

Até agora, não há nada que ligue Aécio às estripulias de seu primo ou às aventuras do helicóptero dos Perrellas. Mas a soma de circunstâncias certamente o levará, nos próximos dias, a aprofundar as explicações sobre o aeroporto."

FONTE: reportagem de Cintia Alves publicada no "Jornal GGN"  {
(http://jornalggn.com.br/noticia/o-aeroporto-de-claudio-o-helicoptero-e-a-rota-do-trafico-de-drogas).[Trechos entre colchetes adicionados por este blog 'democracia&política'].

domingo, 27 de julho de 2014

A DIREITA QUER DE VOLTA O ESTADO QUE SÓ BENEFICIAVA "O MERCADO"


A direita teme o Estado
 
Por Mauricio Dias, na revista CartaCapital:

"Quem não se lembra da frase de George Soros [judeu húngaro-americano, megainvestidor/especulador financeiro internacional]  dita em 2002 e retransmitida pela mídia brasileira, “em cadeia nacional”, de que a vitória de Lula “seria o caos”?

Era a mão visível do "mercado" pregando o terrorismo.

Em 2014, a coisa não está tão longe disso. O ex-funcionário de Soros e ex-presidente do Banco Central [nos anos do 'governo do mercado' FHC/PSDB] Arminio Fraga, apontado como czar da economia se Aécio ganhar a eleição, chegou a afirmar que “a possibilidade” de Dilma vencer no primeiro turno “poderia ter o mesmo efeito que a vitória de Lula em 2002”.

Naquele ano, o dólar, premeditadamente, foi empurrado para a porta dos 4 reais e ameaçava a estabilidade econômica. Hoje, após transitar por gabinetes refinados no universo empresarial e político, eis o que pensa Fraga, interpretado por jornalistas sintonizados com os interesses "conservadores" [do mercado], já prontos a descartar o desfecho da eleição no primeiro turno.

A derrota do PT no segundo turno poderia fazer a Bolsa de Valores retomar o crescimento depois de ter caído quase 40% nos anos Dilma.”

Dilma significaria o caos, ou quase. Provaria isso o efeito do empate técnico, no segundo turno, projetado pelo resultado da pesquisa "Datafolha" mais recente. Conhecidos os porcentuais, o "Ibovespa" subiu “empurrado pelas ações das estatais”.

Aqui o argumento econômico não encobre mais o conteúdo político. Esse é o conflito do “lobo mau” (o Estado) com a “raposa” (o mercado), que, como se sabe, não pode ficar sozinha no galinheiro.

Não por acaso este início de disputa eleitoral mostra uma mudança no discurso da oposição. Inicialmente, Aécio cresceu quando passou a disparar contra o PT. Valeu-se da pauta de acusações que norteia os tucanos. Agora, para driblar o difícil conflito de programas administrativos, pelos quais Dilma leva vantagem, os tucanos se aproximam do terrorismo econômico para conter a influência do Estado.

O medo produz o pesadelo. Teme-se o avanço estatal se o governo continuar sob controle de Dilma. Isso expõe, com falsa razão, o contágio ideológico.

É verdade e não se trata de segredo que o Estado, no governo Dilma, tem função importante na condução das políticas de governo exatamente onde o mercado falha ou não investe por dúvidas sobre o retorno lucrativo.

Essa é a verdadeira moldura do debate da eleição de 2014.

Em dois meses, arredondando os dias, os brasileiros vão escolher quem os governará por mais quatro anos, a partir de 2015. E já não há dúvida, salvo uma mudança sobrenatural, que a disputa será mais uma vez entre petistas e tucanos. Eduardo Campos (PSB) está fora. Faz apenas o papel de [auxiliar da direita] coadjuvante.

O PSDB [ou melhor, "o mercado"] comandou o país por oito anos com Fernando Henrique Cardoso. O PT vai completar 12 anos de poder, contando os oito anos de Lula e os quatro de Dilma.

Essa é uma luta política encarniçada e vai muito além de rivalidades pessoais passadas, entre os dois ex-presidentes ou entre os atuais postulantes ao cargo. No caso de Dilma, o segundo mandato. A competição busca o poder. Expõe diferenças programáticas e consolida o embate, que não foi expulso da história, entre a direita e a esquerda."

FONTE: escrito por Mauricio Dias, na revista CartaCapital. Transcrito no "Blog do Miro" (http://altamiroborges.blogspot.com.br/2014/07/a-direita-teme-o-estado.html). [Título e trechos entre colchetes adicionados por este blog 'democracia&politica'].

A "JOGADA DE MESTRE" DE AÉCIO NEVES

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[A "JOGADA DE MESTRE" DA ASTRONÔMICA DESAPROPRIAÇÃO E CONSTRUÇÃO DE AEROPORTOS PARA O USO DO FELIZ DESAPROPRIADO E DO DESAPROPRIANTE. AÉCIO DIZ QUE FEZ OUTROS MAIS. INDIGESTÃO POR EXCESSO DE DINHEIRO PÚBLICO]


Desapropriação do aeroporto 'do Aécio' para o tio sobe para astronômicos R$ 21,5 milhões.

Aécio virar governador foi um bilhete premiado para a parentada do tucano na cidade de Cláudio (MG).

Agora é oficial. O governo de Minas Gerais desmente a versão de Aécio Neves (PSDB) de que a desapropriação da terra do tio do tucano, quando ele era governador, ficaria "só" em torno dos R$ 1 milhão já pagos em juízo.

A LDO, Lei de Diretrizes Orçamentárias do Estado de Minas para 2015, prevê pagar o valor de astronômico de R$ 20.587.174,50 (o documento pode ser conferido aqui na página 212, obtido no link oficial da Secretaria de Planejamento de Minas).

Somando aos R$ 1 milhão já pagos, se o valor previsto na LDO for confirmado judicialmente, o tio do Aécio vai ganhar dos cofres públicos R$ 21,5 milhões pelo pedaço de terra onde foi construído o aeroporto de Cláudio a 6 km da fazenda do próprio Aécio.

Nessa brincadeira os cofres públicos de Minas torram R$ 35,5 milhões (14 da construção mais 21,5 da desapropriação) para Aécio ter um aeroporto a 6 km da fazenda do próprio Aécio em Cláudio, onde ele gosta de passear e diz ser "sua Versalhes".

Em tempo: O que o comentarista da rádio CBN das "Organizações Globo" tema dizer agora, já que afirmou que a família de Aécio "não teria levado vantagem"?

FONTE: do blog "Os amigos do Presidente Lula"  (http://osamigosdopresidentelula.blogspot.com.br/).[Título, imagem do google e subtítulo entre colchetes adicionado por este blog 'democracia&política'].