quarta-feira, 23 de julho de 2014

PLANO REAL: FALÁCIA EM TEMPOS DE ELEIÇÃO



Por Cecil Juruá, Phd em Políticas Públicas

"O objetivo deste texto é demonstrar que o Plano Real tem sua especificidade histórica, mas não constitui uma camisa de força em matéria de política econômica e de políticas públicas.

O primeiro passo é observar que, sendo obra idealizada no governo de Itamar Franco e implantada no período seguinte, o Plano Real NÃO IMPEDE INFLAÇÃO. Essa é uma constatação empírica, pois:

- entre 1995 e 2002, as taxas de inflação variaram de 1,7% (1998) a 26,41% (2002); no período seguinte, 2003-2010, a variação se deu entre 1,22% (2005) e 12,14% (2004), e até houve deflação, - 1,4% no ano de 2009;

-usando-se o IGP-DI como indicador, a taxa média de inflação no governo FHC/PSDB foi de 12,5% ao ano, enquanto no governo Lula foi de 6,46% anual,

-se, em lugar do IGP-DI utilizarmos o IGP-M, as médias foram 12,46% e 5,54%, respectivamente (dados retirados da Conjuntura Estatística da revista Conjuntura Econômica de junho de 2013).

Por outro lado, é preciso admitir o fato sobejamente conhecido que o Plano Real foi o instrumento que liquidou a hiperinflação com que a economia brasileira se debatia desde os anos 1980. Esse foi seu grande mérito histórico. E o fez usando como principal instrumento de controle monetário a âncora cambial, sendo essa uma das razões pelas quais é difícil introduzir modificações na política macroeconômica sem correr o risco de descontrole monetário.
Em paralelo à adoção da âncora cambial, o Plano Real foi acompanhado por uma reforma do Estado orientada pelos paradigmas do "Pensamento Único" e do "Consenso de Washington", transferindo ao setor privado, nacional e estrangeiro, parcela considerável do setor produtivo estatal, a preços irrisórios.
Por outro lado, aquela reforma fragmentou o poder de Estado mediante a organização de dois blocos: a) o Poder Executivo, onde atuam os ministérios com titulares escolhidos por negociação entre o Governo eleito e os partidos políticos representados no Congresso; e b) as agências de regulação, entidades que, em tese, poderiam ser resguardadas de influências políticas, porém sujeitas ao financiamento dos “regulados”, isto é, da clientela sobre a qual a regulação deveria exercer-se. Essa reforma não vem dando certo.

Sobre a inflação dos últimos anos, cuja taxa ainda não atingiu a média do período 1995-2002, muito se escreve e as opiniões são divergentes. Há a tese que ela ocorre principalmente no setor de serviços, porque se trata de produtos não comercializáveis, isto é, não sujeitos à concorrência de mercadorias importadas. Essa tese, que se apóia em dados empíricos, tem boa parcela de verdade. Outros autores atribuem ao neodesenvolvimentismo do governo Lula a persistência de taxas inflacionárias, embora sem reconhecer explicitamente as diferenças apontadas acima.

Na verdade, o que diferenciou o governo Lula do anterior, em matéria de economia e políticas públicas, foi a tentativa de reequilibrar os dois pólos em que se pode dividir a demanda agregada : o interno e o externo. A partir do final de 2003, distinguem-se três orientações que impulsionaram o mercado interno: o Bolsa Família, a ampliação do crédito interno com destaque para o crédito consignado, e os reajustes do salário mínimo. Em seguida, ao final do primeiro governo, foi anunciado o PAC-Plano de Aceleração do Crescimento, sucedido pouco depois por intervenções sucessivas do BNDES a fim de apoiar os investimentos produtivos na economia doméstica, mas também orientadas à internacionalização de grupos econômicos nacionais.

O sucesso desse conjunto de políticas pode ser evidenciado pela resistência da economia brasileira aos efeitos deletérios que a crise econômica mundial de 2008-2009 produziu, gerando desemprego e empobrecimento em grande número de países, aí incluídos Estados Unidos e União Européia. A organização anunciada do banco dos BRICS está inserida na tentativa, bem sucedida, de liberar a economia nacional dos ônus impostos pela dependência às altas finanças mundiais. É mais um passo dos governos petistas no sentido de ampliar o exercício da soberania nacional.

É claro, ainda, que nos faltam estudos mais aprofundados e abrangentes sobre as fontes estruturais de persistência das tendências inflacionárias na economia brasileira. Estudos que permitam relacionar tais tendências com os desequilíbrios da balança de pagamentos e os efeitos decorrentes da desvalorização cambial. A desvalorização da taxa de câmbio é fonte de inflação, pois aumenta os custos dos componentes e produtos importados, logo repassados aos preços internos. Seu impacto depende do coeficiente de importação da economia nacional. Foi assim, por exemplo, nos anos de 1999 e 2002, e em anos recentes.

Se a desvalorização não provocou, nos anos recentes, taxas maiores de inflação, isto se deve a outro grande acerto do governo Lula: a formação de reservas internacionais que ampliaram o poder da ação do Banco Central relativamente às oscilações do câmbio. Sem essa medida, de extrema prudência e acerto, continuaríamos com o câmbio a reboque dos fluxos financeiros comandados pelas altas finanças mundiais. Deve-se portanto admitir que a formação de reservas brasileiras, em moeda internacional, constituiu também, um fator de apoio ao exercício da soberania nacional.

Sendo assim, é necessário admitir a fragilidade dos argumentos que sustentam a opinião de que há identidade de políticas nos governos do PT e do PSDB. Pelo contrário, foram absolutamente diferenciadas em matéria de centralidade da política econômica e de prioridade das políticas públicas."

FONTE: escrito por Ceci Juruá, economista, pesquisadora, doutora em políticas públicas, membro do Conselho Consultirvo da CNTU- Confederação Nacional dos Trabalhadores Universitários. Rio de Janeiro, julho de 2014.
(http://folhadiferenciada.blogspot.com.br/2014/07/falacia-em-tempos-de-eleicao-o-plano.html).

GANÂNCIA POR TERRITÓRIO E ÁGUA: ISRAEL APAGA DO MAPA A PALESTINA




Já pouca Palestina resta. Pouco a pouco, Israel está a apagá-la do mapa 

"Desde 1948, os palestinos vivem condenados à humilhação perpétua. Não podem sequer respirar sem autorização. Têm perdido a sua pátria, as suas terras, a sua água, a sua liberdade, tudo. Nem sequer têm direito a eleger os seus governantes.

Por Eduardo Galeano

Para justificar-se, o terrorismo de Estado fabrica "terroristas" [isto é, "terroristas" são todos aqueles patriotas, crianças e mulheres inclusive, que resistem com paus e pedras e artesanais minifoguetes, à invasão e ocupação israelense de seus territórios]. Israel semeia ódio e colhe álibis. Tudo indica que essa carnificina de Gaza, que segundo os seus autores quer acabar com os "terroristas", conseguirá multiplicá-los.,

Desde 1948, os palestinos vivem condenados à humilhação perpétua. Não podem nem sequer respirar sem autorização. Têm perdido a sua pátria, as suas terras, a sua água, a sua liberdade, tudo. Nem sequer têm direito a eleger os seus governantes. Quando votam em quem não devem votar, são castigados. Gaza está sendo "castigada". Converteu-se numa ratoeira sem saída, desde que o Hamas ganhou legitimamente as eleições em 2006. Algo parecido ocorreu em 1932, quando o Partido Comunista triunfou nas eleições de El Salvador.

Banhados em sangue, os habitantes de El Salvador expiaram a sua má conduta e desde então viveram submetidos a ditaduras militares. A democracia é um luxo que nem todos merecem. São filhos da impotência os rockets caseiros que os militantes do Hamas, encurralados em Gaza, disparam com desleixada pontaria sobre as terras que tinham sido palestinas e que a ocupação israelita usurpou. E o desespero, à orla da loucura suicida, é a mãe das ameaças que negam o direito à existência de Israel, gritos sem nenhuma eficácia, enquanto a muito eficaz guerra de extermínio está a negar, desde há muitos anos, o direito à existência da Palestina. Já pouca Palestina resta. Pouco a pouco, Israel está a apagá-la do mapa.

Os colonos invadem, e, depois deles, os soldados vão "corrigindo" a fronteira. As balas sacralizam o despojo, em "legítima defesa". Não há guerra agressiva que não diga ser guerra defensiva. Hitler invadiu a Polônia para evitar que a Polônia invadisse a Alemanha. Bush invadiu o Iraque para evitar que o Iraque invadisse o mundo. Em cada uma das suas guerras defensivas, Israel engoliu outro pedaço da Palestina, e os almoços continuam. O repasto justifica-se pelos títulos de propriedade que "a Bíblia outorgou", pelos dois mil anos de perseguição que o povo judeu sofreu, e pelo pânico que geram os palestinos à espreita. Israel é o país que jamais cumpre as recomendações nem as resoluções das Nações Unidas, que nunca acata as sentenças dos tribunais internacionais, que escarnece das leis internacionais, e é também o único país que tem legalizado a tortura de prisioneiros. Quem lhe presenteou o direito de negar todos os direitos? De onde vem a impunidade com que Israel executa a matança em Gaza? O governo espanhol não pôde bombardear impunemente o País Basco para acabar com a ETA, nem o governo britânico pôde arrasar a Irlanda para liquidar o IRA. Talvez a tragédia do Holocausto implique uma apólice de eterna impunidade? Ou essa luz verde vem da potência 'manda chuva' que tem em Israel o mais incondicional dos seus vassalos? O exército israelita, o mais moderno e sofisticado do mundo, sabe quem mata. Não mata por erro. Mata por horror. As vítimas civis chamam-se "danos colaterais", segundo o dicionário de outras guerras imperiais.

Em Gaza, de cada dez "danos colaterais", três são meninos. E somam milhares os mutilados, vítimas da tecnologia do esquartejamento humano, que a indústria militar ensaia com êxito nessa operação de limpeza étnica. E como sempre, sempre o mesmo: em Gaza, cem a um. Por cada cem palestinos mortos, um israelita. Gente perigosa, adverte o outro bombardeamento, a cargo dos meios massivos de manipulação, que nos convidam a achar que uma vida israelita vale tanto como cem vidas palestinas. E esses meios também nos convidam a achar que são "humanitárias" as duzentas bombas atômicas de Israel, e que uma potência nuclear chamada Irã foi a que aniquilou Hiroshima e Nagasaki.

A chamada "comunidade internacional", existe? É algo mais que um clube de mercadores, banqueiros e guerreiros? É algo mais que o nome artístico que os Estados Unidos assumem quando fazem teatro? Ante a tragédia de Gaza, a hipocrisia mundial destaca-se uma vez mais. Como sempre, a indiferença, os discursos vazios, as declarações ocas, as declamações altissonantes, as posturas ambíguas, rendem tributo à sagrada impunidade. Ante a tragédia de Gaza, os países árabes lavam as mãos. Como sempre. E como sempre, os países europeus esfregam as mãos.

A velha Europa, tão capaz de beleza e de perversidade, derrama uma ou outra lágrima enquanto secretamente celebra essa jogada de mestre. Porque a caça aos judeus foi sempre um costume europeu, mas desde há meio século essa dívida histórica está a ser cobrada aos palestinos, que também são semitas e que nunca foram, nem são, antissemitas. Eles estão a pagar, em sangue, na pele, uma conta alheia."


FONTE: escrito por Eduardo Galeano no "Sin Permiso". Tradução de Mariana Carneiro para o "Esquerda.net" (de Portugal). (http://www.esquerda.net/artigo/eduardo-galeano-ja-pouca-palestiniana-resta-pouco-pouco-israel-esta-apaga-la-do-mapa/33472).

ISRAEL COMETE CRIME DE GUERRA



Israel comete crime de guerra

Wadih Damous (*)

"Os criminosos bombardeios das Forças Armadas de Israel contra a população civil palestina da Faixa de Gaza são inaceitáveis. No momento em que este artigo era escrito, já tinham causado a morte de mais de 200 civis [já somam 650], deixado um número de feridos cinco vezes maior e destruído 560 casas. Configuram um crime de guerra, pois atropelam a Convenção de Genebra, que condena explicitamente represálias contra a população civil num conflito armado.

No caso, sequer existe conflito armado como uma guerra entre dois exércitos. Depois do sequestro e assassinato de três jovens judeus por um grupo de palestinos – um crime injustificável – Israel resolveu fazer retaliações contra a população civil palestina.

É um procedimento similar ao dos nazistas nos territórios ocupados durante a Segunda Guerra Mundial.

Há décadas, aproveitando-se da cobertura dada pelos Estados Unidos, Israel vem anexando pela força terras palestinas. O insuspeito Jimmy Carter, ex presidente norte-americano, comparou o que ocorre na região com o antigo apartheid sul-africano, no qual uma minoria ocupava terras alheias usando a força militar e confinando a maioria autóctone em áreas reduzidas do território nacional.

Será Carter, também, mais um antissemita, expressão usada por Israel para tentar desqualificar os críticos à sua política criminosa?

Essa política tem sido reiteradamente condenada pela comunidade internacional, tal como ocorria com a África do Sul nos tempos do apartheid. Mas, da mesma forma como faziam os racistas sul-africanos, Israel ignora as resoluções da ONU.

Lembre-se,aliás, que, na época do apartheid, muitas vezes Israel foi o único país do mundo a se recusar a condenar, nas Nações Unidas, o regime sul-africano.

É verdade que a maioria dos países árabes é governada por ditaduras corruptas e violentas, mas tal fato não pode servir de justificativa para as ações de Israel. Tampouco é aceitável que, em nome de supostos direitos históricos, Israel proceda à anexação de terras. Mesmo que o povo judeu fosse herdeiro direto dos antigos hebreus, e que ao longo de mais de dois séculos não tenha havido miscigenação, é absurdo que reivindique terras em que seus antepassados viveram há dois mil anos. O que aconteceria com o mapa do mundo se esse princípio fosse aceito para todos os povos? O que seria dos mapas da Europa ou das Américas?

Ou o que se quer é dar ao povo judeu tratamento diferente nessa questão? Por que razão?

Os governos de Israel são fortemente influenciados por fundamentalistas religiosos, que sustentam serem os judeus "um povo escolhido por Deus", posição que tem um claro viés racista. Tal disparate não pode servir de justificativa para opressão [e roubo de terras e assassinatos] de outros povos.

De uma vez por todas, é preciso que o mundo afirme que a vida de uma criança palestina vale tanto quando a de uma criança israelense, ou de qualquer outra nacionalidade.

Quem considerar que uma é mais valiosa do que outra é racista. E deve ser apontado como tal, com todas as letras.

Dada a radicalização a que se chegou na região, parece inviável a curto prazo a constituição de um Estado que reúna judeus e palestinos – o que seria a opção mais democrática. Diante dessa impossibilidade, é preciso que se reconheça o direito, tanto dos israelenses, como dos palestinos, de construírem seu próprio Estado, com fronteiras reconhecidas e invioláveis.

Isso pressupõe a retirada de Israel dos territórios [invadidos e] ocupados pela força, o desmantelamento dos assentamentos realizados em atropelo a resoluções das Nações Unidas e a devolução das propriedades de palestinos confiscadas pela força.

Enquanto isso não acontecer, Israel deve ser pressionado pela comunidade internacional, tal como foi a África do sul do regime racista.

Nesse sentido, deve ser aplaudida a iniciativa da presidente do Chile, Michele Bachelet, que semana passada cortou as relações comerciais com Israel e informou estar estudando a ruptura das relações diplomáticas, em protesto contra o massacre do povo palestino.

A medida deveria ser seguida por todos os governos democráticos do mundo."

FONTE: escrito por 
Wadih Damous (*) Presidente licenciado da Comissão Nacional de Direitos Humanos da OAB e da Comissão da Verdade do Rio de Janeiro. Publicado no site "Carta Maior"  
 (http://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Internacional/Israel-comete-crime-de-guerra/6/31425) e no blog "O Palheiro"  (//www.opalheiro.com.br/israel-comete-crime-de-guerra/). Créditos da foto: "Guardian"

FERROVIA NORTE-SUL




Os investimentos de R$ 4,2 bilhões na Ferrovia Norte-Sul

Do "Muda Mais"

Ferrovia Norte-Sul: Brasil interligado e produtos mais baratos para o consumidor


"O PAC investiu R$ 4,2 bilhões na criação do trecho de 855 km da ferrovia Norte-Sul entre Anápolis (GO) e Porto Nacional (TO). E você sabe por que esse investimento é tão importante? Porque é um passo a mais rumo à integração do país inteiro, com uma malha ferroviária que liga o Pará ao Rio Grande do Sul. Isso significa, entre outras coisas, reduzir os custos de transporte e, consequentemente, o preço do produto final para o consumidor e para o mercado externo, tornando o Brasil mais competitivo.

Ter alternativas para o escoamento da produção traz vários benefícios para o país. O transporte ferroviário, apesar de ter um custo de implementação mais elevado, pode resultar ser de 20% a 30% mais barato para o país, porque o que pode ser carregado em um único vagão de trem só caberia em quatro caminhões. Ou seja, a ferrovia Norte-Sul vai baixar os custos de comercialização no mercado interno, aumentar a competitividade dos produtos brasileiros no exterior, modernizar a produção agrícola, melhorar a distribuição da riqueza nacional e induzir a ocupação econômica do cerrado.

Desta forma, o Brasil caminha para um sistema ferroviário realmente competitivo. A necessidade de se modernizar a malha ferroviária brasileira hoje é visível. O país conta com apenas 30.129 km (quantidade pequena se comparada à dimensão do Brasil), sendo praticamente um terço construído na época do Império. Sua extensão é mais de 50 vezes menor que a da malha rodoviária. Mesmo assim, sua participação na movimentação anual de cargas é significativa: responde por 20,7%, enquanto a malha rodoviária tem participação de 61,1%.

Por isso, o Governo Federal trabalha para botar para funcionar a ferrovia Norte-Sul. Veja abaixo como esse projeto vai ligar o Brasil de Norte a Sul:



FONTE: do "Muda Mais", Transcrito no "Jornal GGN"  (http://jornalggn.com.br/noticia/os-investimentos-de-r-42-bilhoes-na-ferrovia-norte-sul),

terça-feira, 22 de julho de 2014

PERGUNTAS SOBRE O "AECIOPORTO"




COLABORAÇÃO AOS JORNALISTAS: PERGUNTAS SOBRE O "AECIOPORTO"

Perguntas, se quiserem fazer jornalismo sobre o “Aecioporto”


"Na minha infinita disposição de colaborar com a imprensa de meu país, sugiro algumas perguntas simples a serem feitas à "Agência Nacional de Aviação Civil", ao Governo de Minas e a Aécio Neves sobre o aeroporto de Cláudio.

1) É legal a operação de aeronaves naquela pista antes da homologação?

2) Quais foram os planos de voo registrados nos aeroportos oficiais com esse destino? Quais foram as aeronaves? Quem eram seus passageiros? Recordo que, na matéria da "Folha", o primo de Aécio, antes de saber que falava com jornalista, disse que chegava ali pelo menos “um voo por semana”. Os voos registrados para Divinópolis batem com as anotações de pouso e decolagem daquele aeroporto?

3) O senador poderia ser indagado se já usou o Aeroporto de Cláudio em suas idas à sua fazenda?

4) Quem autorizava e supervisionava as atividades de aeromodelismo na pista, como comprovado aqui? Se o Estado não responder, basta perguntar aos aeromodelistas que, se estavam lá, estavam porque alguém autorizou e disse que podiam usar o espaço. E isso não foi uma ou duas vezes, apenas.

5) Os moradores de Cláudio podem informar sobre a operação de segurança que fecha a estrada que dá acesso à fazenda de Aécio Neves quando este a visitava?

6) A obra previa ou não a construção de uma (inexistente) estação de passageiros, tal como anunciava o comunicado oficial do Governo do Estado? E os “equipamentos para operação 24 horas” (Deus meu, num microaeroporto para aviões privados, com outro aeroporto com essa capacidade a 50 km, de carro)?



7) o que justificava, se já havia uma pista de pouso no local – e, portanto, quase nada de obras de terraplenagem e nivelamento – que a obra de Cláudio tivesse um custo maior do que todas as demais, em cidades todas elas de população maior – quatro vezes maior, no caso de Passos e três vezes maior, no caso de Lavras?

Se estiver difícil, podem perguntar aos funcionários do "Motel Dommus", que fica defronte ao “aecioporto”, como era o movimento por ali, porque não podem deixar de ter visto os aviões e a movimentação dos carros que levaram ou buscaram os passageiros que vinham ou iam neles.

Ah, e uma pergunta final: existirá mesmo Ministério Público em Minas Gerais, para investigar?"

FONTE: escrito por Fernando Brito em seu blog "Tijolaço"   (http://tijolaco.com.br/blog/?p=19300).

PROTESTO SIM, VIOLÊNCIA NÃO




Protesto sim, violência não

Por RIBAMAR FONSECA

"Manifestações de rua não foram o motivo da ordem de prisão, mas a destruição do patrimônio público e privado em ações violentas que resultaram, inclusive, em ferimentos entre manifestantes e policiais e na morte do cinegrafista da Band

"Protestar não é crime". Essa a frase do cartaz empunhado por um sujeito fantasiado de Batman, contestando decisão do juiz Flavio Itabaiana, da 27ª Vara Criminal do Rio, que expediu mandado de prisão para 26 vândalos, que a imprensa chama de "ativistas", acusados da destruição do patrimônio público e privado durante manifestações no Rio. Protestar realmente não é crime, mas destruir o patrimônio alheio é. Por isso o desembargador Flavio Horta Fernandes, do Tribunal de Justiça do Rio, negou os pedidos de habeas corpus para os acusados, alguns já presos e outros foragidos.

O falso Batman, porém, não é o único que protesta contra a prisão dos vândalos. Além dele, outras pessoas condenaram a decisão do magistrado, entre elas os deputados federais Jandira Feghali, do PCdoB, Chico Alencar, Jean Wyllys e Ivan Valente, do PSOL, que ingressaram com uma representação no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) pedindo uma punição para o juiz. Como se recorda, o PSOL foi acusado na época de estar por trás das manifestações que culminaram em quebra-quebra, o que torna suspeita a iniciativa dos seus deputados federais na representação contra o magistrado.

Observa-se, por outro lado, sem muita dificuldade, que os que se manifestam indignados com a prisão dos "ativistas", chegando até a falar em "regime de exceção", omitem duas coisas importantes: primeiro, o juiz Flavio Itabaiana, ao decidir pela prisão dos acusados, atendeu pedido do Ministério Público, que apresentou relatório circunstanciado das investigações policiais; e, segundo, as manifestações de rua não foram o motivo da ordem de prisão, mas a destruição do patrimônio público e privado em ações violentas que resultaram, inclusive, em ferimentos entre manifestantes e policiais e na morte do cinegrafista da Band.


Aliás, num retrospecto das manifestações, constata-se que a polícia garantiu a realização das manifestações enquanto elas se desenvolviam pacificamente, acompanhando o movimento à distância, só agindo repressivamente – e assim mesmo em alguns casos tardiamente – quando os mascarados "black blocs" começavam o quebra-quebra, destruindo tudo à frente como um bando de bárbaros. Eles deveriam ficar impunes? Quem paga os prejuízos que causaram? Isso é democracia ou anarquia? A população, inclusive, que a princípio apoiava as manifestações, naturalmente passou a condená-las diante da escalada da violência.

Entre os acusados presos está a jovem Elisa Quadros, apelidada de "Sininho", apontada como líder dos "black blocs" e responsável pelo planejamento das ações violentas. A revista "Veja", vesga como sempre, a transformou em celebridade ao publicar a sua foto na capa, numa reportagem sobre as manifestações, assim como fez com o ministro Joaquim Barbosa, também celebrizado por sua atuação no processo do chamado mensalão no Supremo Tribunal Federal. O pai de "Sininho", como é obrigação de qualquer pai, defendeu a filha e acusou a Justiça de "ditatorial", apoiando implicitamente as suas ações. Deveria, no entanto, fazer como o pai de um black bloc, que arrancou a máscara do filho e o tirou de uma manifestação, levando-o para casa.

O fato é que a prisão dos vândalos, determinada pelo juiz Flavio Itabaiana, tem o apoio da sociedade, que não compactua com esse tipo de protesto. Afinal, manifestar-se pacificamente é um direito legítimo do povo – e deve ser exercido sempre que necessário – mas não se pode invocar a democracia como biombo para a prática da violência. Os parlamentares do PSOL e a deputada do PCdoB, que silenciaram diante de tanta injustiça que existe por aí, deveriam preocupar-se mais com problemas que efetivamente afetam o povo, fazendo jus ao mandato que lhes foi outorgado. Ou será que não têm muito que fazer no Parlamento Nacional?"


FONTE: escrito por RIBAMAR FONSECA no jornal on line "Brasil 247"  (http://www.brasil247.com/pt/247/artigos/147466/Protesto-sim-violência-não.htm).

MÍSSIL DE PUTIN?



Mísseis BUK 

Míssil de Putin?

"Eis o veredicto da boataria de guerra: a mais recente tragédia da Malaysia Airlines (a segunda em quatro meses) é “terrorismo” perpetrado por “separatistas pró-Rússia” armados pela Rússia, e Putin é o principal culpado. Acabou-se a história. Quem tenha ideia diferente dessa, que cale a boca. 

Por Pepe Escobar, no "Russia Today"

Por quê? Porque sim. Porque a CIA disse. Porque a Hilária “Nós viemos, nós vimos, ele morreu” Clinton disse. Porque a doida Samantha ‘'Responsabilidade de Bombardear para Proteger'’ Power disse – trovejando na ONU, tudo devidamente impresso pelo "Washington Post" infestado de neoconservadores.

Porque a empresa-imprensa anglo-americana – da CNN à Fox (que tentou comprar a Time Warner, que pertence à CNN) – disse. Porque o Presidente dos EUA (PEUA) disse. E, principalmente, sobretudo, porque Kiev vociferou, em primeiro lugar.

E lá estavam todos eles, em fila – as resmas de invariavelmente histéricos “especialistas” da “comunidade de inteligência dos EUA” literalmente espumando pela boca contra a maléfica Rússia, o ainda mais maléfico Putin; os “especialistas” de inteligência, aqueles, que não viram um comboio de coruscantes picapes Toyota brancas atravessando o deserto iraquiano para tomar Mosul. Esses, aliás, já sentenciaram: ninguém mais precisa examinar prova alguma. Nada e nada. O mistério do voo MH17 está resolvido.

Pouco importa que o presidente Putin tenha dito que a tragédia do MH17 ainda tem de ser investigada objetivamente. E “objetivamente”, é claro, não inclui aquela “comunidade internacional” ficcional que Washington concebeu – aquela congregação de vassalos/sabujos curváveis.

E sobre Carlos?!

Pesquisa rápida já mostra que o voo MH17 estava deslocado, 200 km para o norte, distante da rota habitual da Malaysian Airlines nos dias anteriores – dirigido bem para o centro de uma zona de guerra. Por quê? Que tipo de comunicação o MH17 recebeu da torre de controle aéreo de Kiev?

Kiev não disse uma palavra sobre isso. Mas a resposta seria simples, se Kiev tivesse distribuído as gravações dos contatos entre a torre e o voo MH17; a Malaysia distribuiu exatamente essas gravações, depois que o voo MH370 desapareceu para sempre.

Essas gravações nunca aparecerão. O serviço secreto da Ucrânia (SBU) confiscou essas gravações. Sem elas, não há como saber por que o voo MH17 estava fora da rota e o que os pilotos disseram antes da explosão.

O ministro da Defesa da Rússia, por sua vez, confirmou que havia uma bateria Buk antiaérea controlada por Kiev e operacional, próxima da área onde caiu o MH17. Kiev havia distribuído vários sistemas de mísseis Buk terra-ar, com pelo menos 27 lançadores; todos perfeitamente capazes de derrubar jatos a 33 mil pés (10.000 m aprox.) de altura.

Militares russos detectaram radiação de um radar Kupol, como parte de uma bateria Buk-M1 perto de Styla [vila ao sul, a cerca de 30 km de Donetsk]. Segundo o ministério, o radar poderia estar transmitindo informações de rastreamento para outra bateria que estava à distância de tiro da rota do voo MH17.

O radar de um sistema Buk rastreia um máximo de 80 km. O MH17 voava à velocidade de 500 mph. Assim, assumindo-se que os “rebeldes” teriam um Buk operacional e o usaram, não teriam mais de cinco minutos para rastrear todo o céu acima deles, todas as altitudes possíveis, e fazer a mira. Naquele momento, saberiam que nenhum cargueiro poderia voar naquela altitude.

Em FINAL – Part II: Evidence Continues to Emerge #MH17 Is a False Flag Operation encontram-se muitas evidências que apoiam a hipótese de que tenha sido atentado forjado sob falsa bandeira.

E há também a história, mais estranha a cada minuto que passa, de Carlos, espanhol, controlador de tráfego aéreo de serviço na torre de Kiev, que estava acompanhando o vôo MH17 em tempo real. Para muitos, Carlos é personagem real e autêntico, não é forjado; para outros, nunca nem trabalhou na Ucrânia. Fato é que tuitou feito doido. Sua conta na empresa Tweeter foi apagada – não por acaso –, e ele sumiu. Seus amigos estão agora desesperadamente à sua procura. Ainda consegui ler todos os "tuítos" dele, em espanhol, enquanto a conta ainda estava ativa. Agora, já se encontram cópias das mensagens que distribuiu e traduções para o inglês.

Aqui, reproduzo alguns dos "tuítos" mais importantes:

O B777 estava escoltado por dois jatos ucranianos de combate minutos antes de desaparecer do radar (5.48pm)”

Se as autoridades em Kiev querem admitir a verdade, dois jatos de combate voavam muito perto minutos antes do incidente, mas não derrubaram a aeronave (5.54)”

Imediatamente depois de o B777 da Malaysia Airlines desaparecer, autoridades militares de Kiev nos informaram sobre o avião derrubado. Como sabiam? (6.00)”

"Tudo foi gravado no radar. Para os que não acreditem: foi derrubado por Kiev; nós sabemos aqui [na torre de controle] e o controle militar do tráfego aéreo também sabe (7.14)”

O Ministério do Interior sabia que havia aviões de combate na área, mas o Ministério da Defesa não (7.15)”

Os militares confirmaram que foi a Ucrânia, mas não se sabe de onde veio a ordem (7.31)

A avaliação de Carlos (lê-se compilação parcial de seus "tuítos" em: FINAL – Spanish Air Controller @ Kiev Borispol Airport: Ukraine Military Shot Down Boeing #MH17) é bem clara: o míssil foi lançado por militares ucranianos por ordem do ministério do Interior – NÃO do Ministério da Defesa. Assuntos de segurança, no ministério do Interior estão sob comando de Andrey Paruby, que trabalhava bem perto dos neoconservadores dos EUA e dos neonazistas do Banderastão na Praça Maidan.

Assumindo-se que Carlos exista e seja quem diz ser, sua avaliação faz perfeito sentido.Os militares ucranianos estão divididos entre o rei do chocolate [presidente Petro] Poroshenko – que quer uma détente com a Rússia, essencialmente para promover os interesses sombrios dos próprios negócios – e Santa Iúlia Timochenko, que é bem conhecida por pregar o genocídio dos russos étnicos no leste da Ucrânia.

Neoconservadores e “conselheiros militares” dos EUA em campo na Ucrânia, como já se sabe, estão subindo as apostas, apoiando simultaneamente os grupos de Poroshenko e de Timochenko.


Iúlia Timoshenko Petro Poroshenko

Assim sendo... a quem interessa?

A questão chave permanece, é claro: cui bono? Só descerebrados terminais acreditariam que derrubar um avião de passageiros beneficiaria os federalistas no leste da Ucrânia, para nem pensar no Kremlin, que absolutamente nada teria a ganhar.

Quanto a Kiev, teriam os meios, o motivo e a janela de oportunidade – especialmente depois que os neofascistas de Kiev foram efetivamente derrotados e já estavam em retirada no Donbass. E isso depois que Kiev insistiu em bombardear a população do leste da Ucrânia, mesmo de longe e de cima. Não surpreende que os federalistas tivessem de se defender.

E há também o "timing", muito muito suspeito. A tragédia do MH17 acontece dois dias depois de os BRICS anunciarem o antídoto contra o FMI e o Banco Mundial, deixando ao largo, longe, o dólar norte-americano. E exatamente quando Israel avança “cautelosamente” em sua nova invasão/limpeza étnica em câmera lenta, em Gaza. A Malásia, por falar nisso, é sede da "Comissão de Crimes de Guerra" Kuala Lumpur – comissão que condenou Israel por crimes contra a humanidade.

Washington, é claro, sim, se beneficia. O que o "Império do Caos" consegue, nesse caso, é um cessar-fogo (e as gangues neonazistas de Kiev, que estão sendo fragorosamente derrotadas, poderão ser reabastecidas); ganham novo alento para a campanha de demonizar os ucranianos do leste como “terroristas” (como Kiev, ao estilo Dick Cheney, sempre quis); e passam a lançar quantidades ilimitadas de lama sobre a Rússia e, especialmente, sobre Putin, até se acabar o mundo. Não é pouco ganho, para servicinho de minutos. Quanto à OTAN... É Natal em julho.

Daqui em diante, tudo depende da inteligência russa. Já estavam vigiando e rastreando tudo que acontecia na Ucrânia, 24 horas por dia, sete dias por semana. Nas próximas 72 horas, depois de examinar os muitos dados de rastreamento, com telemetria, radar e rastreamento por satélite, os russos saberão exatamente que tipo de míssil foi lançado, de onde, e terão também as comunicações da bateria que lançou o míssil. E terão acesso a todas as provas recolhidas na cena do crime.

 

WTC - 11/9/2001

Diferentemente de Washington – que sempre já sabe tudo antes, mesmo sem investigar nada (lembram-se do 11/9?) – Moscou precisa de tempo para obter os fatos jornalísticos básicos (o quê, onde, quem?) e começar a trabalhar para provar a verdade e/ou desmentir a boataria distribuída por Washington.

Os registros históricos mostram que Washington simplesmente ocultará todas as informações, se comprovarem que seus vassalos em Kiev lançaram um míssil contra avião de passageiros. Os dados de realidade podem apontar para bomba plantada no MH17, ou falha mecânica – embora pareça hoje explicação improvável. Se foi erro terrível cometido pelos rebeldes da Novorrússia, Moscou terá de admitir, relutantemente, que seja. Se foi Kiev, Moscou divulgará e comprovará imediatamente. Aconteça o que acontecer, só há, de garantida, a resposta ocidental histérica de sempre. "Foi a Rússia. A culpa é da Rússia".

Putin está mais que certo ao dizer que essa tragédia não teria acontecido se Poroshenko tivesse aceito uma extensão do cessar-fogo, como Merkel, Hollande e Putin tentaram convencê-lo a aceitar, no final de junho. No mínimo, para começar, Kiev já é culpada pelas mortes, porque o governo de Kiev é responsável pela segurança dos voos no espaço aéreo sob seu (teórico, que seja) controle.

Mas tudo se vai esquecendo nas brumas da guerra, tragédia e boataria. Sobre as declarações histéricas de Washington, e sua autoproclamada credibilidade, deixo aqui apenas um número: Iran Air 655. [1]

Nota dos tradutores 


[1]
2/7/2012, Samy Adghirni, Folha de S.Paulo em: “Iran Air 655. O dia em que os EUA mataram 290 civis inocentes”:

Um dos mais polêmicos ataques americanos contra civis inocentes ocorreu há exatos 24 anos, no calor da guerra entre o Irã do então aiatolá Khomeini e o Iraque do ditador Saddam Hussein, aliado de Washington. Na manhã de 3/7/1988, um navio de guerra dos EUA disparou dois mísseis contra um Airbus A300 da "Iran Air", matando na hora as 290 pessoas a bordo, incluindo 66 crianças. Entre as vítimas havia cidadãos de Irã, Índia e Itália, dentre outros países (...)


Iran Air 655

[*] O autor, Pepe Escobar (1954), é jornalista, brasileiro, vive em São Paulo, Hong Kong e Paris, mas publica exclusivamente em inglês. Mantém coluna (The Roving Eye) no Asia Times Online; é também analista de política de blogs e sites como: Tom Dispatch, Information Clearing House, Red Voltaire, Counterpunch e outros; é correspondente/ articulista das redesRussia Today,The Real News Network Televison e Al-Jazeera. Seus artigos podem ser lidos, traduzidos para o português pelo Coletivo de Tradutores da Vila Vudu e João Aroldo, no blog redecastorphoto.
Livros:
- Globalistan: How the Globalized World is Dissolving into Liquid War, Nimble Books, 2007.
- Red Zone Blues: A Snapshot of Baghdad During the Surge, Nimble Books, 2007.
- Obama Does Globalistan, Nimble Books, 2009."


FONTE: publicado no "Russia Today" e transcrito no portal "Vermelho" (http://www.vermelho.org.br/noticia/246186-9).