quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

BRASIL MARCOU GOLAÇO EM CUBA





Dilma Rousseff e o presidente de Cuba, Raúl Castro, durante descerramento da placa inaugural do Porto de Mariel. (Foto por: Roberto Stuckert Filho/PR)



Brasil marcou um golaço ao financiar o Porto de Mariel, em Cuba

Por Patrícia Campos Mello, no portal tucano UOL

"Com o porto de Mariel e outros inúmeros investimentos em Cuba, o Brasil é um dos países que estão melhor posicionados para se beneficiar da queda do embargo americano à ilha, cuja negociação foi anunciada ontem (17).

Alvo de críticas ferrenhas, o porto de Mariel, que recebeu cerca de US$ 800 milhões de financiamento do BNDES e foi tocado pela Odebrecht, está a apenas 200 quilômetros da costa da Florida.

Depois da dragagem, poderá receber navios grandes como os "Super Post Panamax", que Dilma citou várias vezes durante a cúpula da CELAC este ano, e concorrer com o porto do Panamá.

Mesmo sem a dragagem, já será concorrente de portos como o de Kingston, na Jamaica, e das Bahamas, bastante movimentados.

O raciocínio do governo brasileiro sempre foi o de “entrar antes da abertura para já estar lá quando caísse o embargo”.

Essa estratégia se provou acertada".

PS do Viomundo: Agora que o Porto de Mariel vai bombar , o que a direita brasileira vai fazer? Continuará criticando Lula e Dilma pelos investimentos em Cuba? Ou dirá, com a caradura que lhe é peculiar, que desde sempre defendeu Mariel e que nós é que não entendemos direito o que ela dizia? Ou romperá relações com os Estados Unidos?


FONTE: escrito por Patrícia Campos Mello, no [portal tucano] UOL    (http://www.viomundo.com.br/politica/patricia-campos-mello-brasil-marcou-um-golaco-ao-financiar-o-porto-mariel-em-cuba.html).

COMPLEMENTAÇÃO 1



Dilma: "Retomada das relações entre Estados Unidos e Cuba marca uma mudança na civilização"

"Dilma Rousseff cumprimentou os presidentes Raúl Castro, de Cuba, e Barack Obama, dos Estados Unidos, pela retomada nas relações entre os dois países, um momento que, exaltou a presidenta, marca uma mudança na civilização. A presidenta cumprimentou também o papa Francisco, a quem creditou participação fundamental para essa reaproximação. As declarações foram feitas no discurso de encerramento da 47ª Cúpula do Mercosul.

Em um dia como o de hoje [17], em que, como disse a presidenta Cristina, nós, lutadores sociais, imaginávamos que jamais veríamos este momento de retomada das relações entre os Estados Unidos e Cuba, eu queria cumprimentar o presidente Raul Castro. Queria cumprimentar, também, o presidente Barack Obama. E, sobretudo, queria cumprimentar o papa Francisco por ter sido, muito possivelmente, um dos fatores mais importantes para essa aproximação. Acho que é um momento que marca uma mudança na civilização mostrando que é possível restabelecer relações interrompidas há muitos anos.

Dilma disse que esse evento histórico deve servir de exemplo para o mundo. Destacou que os métodos para resolução de conflitos adotados pela América do Sul são o diálogo e o estabelecimento de relações, o que tem permitido que o continente usufrua de paz há mais de um século, sem conflitos de ordem religiosa, étnica ou de qualquer outra espécie.

Nós, de fato, vivemos num continente, num hemisfério especial. Nós, pelo menos da América do Sul, estamos há mais de 120 anos vivendo em paz. Não há entre nós nenhum conflito de ordem religiosa, étnica ou de qualquer outra espécie. Nós não resolvemos nossos conflitos com métodos que não sejam o diálogo e o estabelecimento de relações. Daí porque também conquistamos muito com o Mercosul, a Unasul e a Celac.

A presidenta também exaltou o esforço dos países da região para manutenção da democracia na Venezuela, destacando a contribuição fundamental do papa Francisco.

Lembro perfeitamente de todas as ações que fizemos, no sentido de fazer vigorar a democracia, seja no caso mais recente, que eu quero me referir, que é o caso da Venezuela. Acho que nós todos tivemos, na Venezuela, uma experiência extraordinária e, nessa ocasião, também, acredito que o papa Francisco foi grande suporte para que a constitucionalidade na Venezuela fosse respeitada.”

FONTE da complementação 1: Blog do Planalto  (http://blog.planalto.gov.br/dilma-retomada-das-relacoes-entre-estados-unidos-e-cuba-marca-uma-mudanca-na-civilizacao/).

COMPLEMENTAÇÃO 2


CAI O "MURO DO OCIDENTE"



Cuba e EUA restabelecem relações. É o início do fim do bloqueio, o “Muro” do Ocidente

Por Fernando Brito
 
"Hoje é um grande dia para os que creem na soberania das nações e na boa-vontade entre os povos.

Cuba e Estados Unidos restabelecem relações diplomáticas e, assim, tornam inevitável o caminho para que cesse o bloqueio norte-americano à ilha, o equivalente ocidental ao Muro de Berlim.

Para os mais jovens, trata-se de restrições às relações comerciais entre os dois países, impostas pelos EUA no início de 1962 (!), como forma de tentar derrubar a revolução liderada por Fidel Castro.

Com elas, qualquer empresa sediada ou com subsidiárias nos Estados Unidos pode ser multada ou até fechada se fizer negócios com a ilha.

Os prejuízos a Cuba chegam a incríveis US$ 1,1 trilhão, segundo cálculos apresentados este ano na ONU, que há décadas exige o fim do embargo, uma determinação praticamente unânime da comunidade mundial, da qual se excluem apenas Israel e as minúsculas Ilhas Palau, que se declaram estado associado aos EUA.

Ah, sim, e a comunidade coxinha brasileira, que ressuscitou o tal “vai pra Cuba” com 40 anos de atraso civilizatório.

O que, considerando o déficit mental dessa turma saudosa da ditadura – na qual 70% não viveram, para ver como era “bom” – até que revela uma certa coerência na estupidez.

É uma grande vitória, também, para dois homens.

Um, o Papa Francisco, que abandonou as pompas e a circunstâncias vazias e atirou-se ao mundo como um verdadeiro promotor da convivência humana.

Suas gestões junto a Barack Obama e Raúl Castro foram o empurrão que faltava para o gesto que, embora óbvio, faltava há mais de meio século.

Outro, Fidel Castro, um líder que sobreviveu aos atentados, ao bloqueio, à desestabilização e a inimaginável quantidade de golpes que se desfecharam sobre um pequeno país que, com todas as restrições que se possa fazer-lhe, avançou na educação, na saúde, na elevação do ser humano como talvez nenhum outro tenha feito em duas gerações.

Mas ambos, Francisco e Fidel, Cuba e Estados Unidos, ficam pequenos diante do significado de algo que se parece estar querendo ser deixado de lado aqui: a capacidade das pessoas e dos países em conviverem com as diferenças, sem ódios.

Em paz.

E que por isso vale a pena esperar, nem que seja toda uma vida."


FONTE da complementação 2: escrito por Fernando Brito em seu blog "Tijolaço"  (http://tijolaco.com.br/blog/?p=23809).

COMPLEMENTAÇÃO 3:

Por José Antonio Lima — publicado no início do ano, em 28/01/2014, na revista "CartaCapital" 


Por que o Brasil está certo ao investir em Cuba

O investimento no Porto de Mariel amplia o alcance do comércio e a área de influência do Brasil

Por José Antonio Lima


Dilma e Raúl Castro conversam durante a inauguração do Porto de Mariel

"Causou certa indignação em determinados setores da sociedade brasileira a inauguração do porto de Mariel, em Cuba, na segunda-feira 27 [janeiro], com a presença de Dilma Rousseff. O espanto se deu por que a obra foi erguida graças a um financiamento do BNDES, que data ainda do governo Lula. Atribui-se o investimento a uma aliança ideológica entre os governos petistas e a família Castro, responsável pela ditadura na ilha. É um equívoco ver o empréstimo dessa forma. Trata-se de um ato pragmático do Brasil.

O porto de Mariel é um colosso. Ele é considerado tão sofisticado quanto os maiores terminais do Caribe, os de Kingston (Jamaica) e de Freeport (Bahamas), e terá capacidade para receber navios de carga do tipo "Post-Panamax", que vão transitar pelo Canal do Panamá quando a ampliação deste estiver completa, no ano que vem. A obra, erguida pela Odebrecht em parceria com a cubana Quality, custou 957 milhões de dólares, sendo 682 milhões de dólares financiados pelo BNDES. Em contrapartida, 802 milhões de dólares investidos na obra foram gastos no Brasil, na compra de bens e serviços comprovadamente brasileiros. Pelos cálculos da Odebrecht, esse valor gerou 156 mil empregos diretos, indiretos e induzidos no Brasil.

A obra “se pagou”, mas o interesse do Brasil vai além disso. Há quatro aspectos importantes a serem analisados.

O primeiro foi exposto por Dilma no discurso feito em Cuba. O Brasil quer, afirmou ela, se tornar “parceiro econômico de primeira ordem” de Cuba. As exportações brasileiras para a ilha quadruplicaram na última década, chegando a 450 milhões de dólares, alçando o Brasil ao terceiro lugar na lista de parceiros da ilha (atrás de Venezuela e China). A tendência é de alta se a população de Cuba (de 11 milhões de pessoas), hoje alijada da economia internacional, for considerada um mercado em potencial para empresas brasileiras.

[O segundo:] Esse mercado só será efetivado, entretanto, se a economia cubana deixar de funcionar em seu modo rudimentar atual. Como afirmou o subsecretário-geral da América do Sul do Ministério das Relações Exteriores, embaixador Antonio José Ferreira Simões, o modelo econômico de Cuba precisa “de uma atualização”. O porto de Mariel é essencial para isso, pois será acompanhado de uma "Zona Especial de Desenvolvimento Econômico" criada nos moldes das existentes na China. Ali, ao contrário do que ocorre no resto do país, as empresas poderão ter capital 100% estrangeiro. Dono de uma relação favorável com Cuba, o Itamaraty está buscando, assim, completar uma de suas funções primordiais: mercado para as empresas brasileiras. Não é à toa, portanto, que o Brasil abriu uma nova linha de crédito, de 290 milhões de dólares, para a implantação dessa Zona Especial em Mariel.

Aqui entra o terceiro ponto, a localização de Mariel. O porto está a menos de 150 quilômetros do maior mercado do mundo, o dos Estados Unidos. Ainda está em vigor o embargo norte-americano a Cuba, mas ele é insustentável a longo prazo. “O embargo não vai durar para sempre e, quando cair, Cuba será estratégica para as companhias brasileiras por conta de sua posição geográfica”, disse à [agência norte-americana de notícias] "Reuters" uma fonte anônima do governo brasileiro. Tendo em conta que a população cubana ainda consistirá em mão de obra barata para as empresas ali instaladas, fica completo o potencial comercial de Mariel.

Há ainda um quarto ponto. Ao transformar Cuba em parceira importante, o Brasil amplia sua área de influência nas Américas em um ponto no qual os Estados Unidos não têm entrada. A administração Barack Obama é favorável ao fim do embargo, como deixou claro o presidente dos EUA em novembro passado, quando pediu uma “atualização” no relacionamento com Cuba. Ocorre que a Casa Branca não tem como derrubar o embargo atualmente diante da intensa pressão exercida no Congresso pela bancada latina, em sua maioria linha-dura. No vácuo dos EUA, cresce a influência brasileira.

Grande parte das críticas ao relacionamento entre Brasília e Cuba ataca o governo brasileiro por se relacionar com uma ditadura que não respeita direitos humanos. Tal crítica tem menos análise de política externa do que ranço ideológico, como prova o silêncio quando em destaque estão as relações comerciais do Brasil com a China, por exemplo. Não há, infelizmente, notícia de um Estado que paute suas relações exteriores pela questão de direitos humanos. Se a regra fosse essa, possivelmente o mundo não seria a lástima que é.

Soma-se a isso o fato de que manter boas relações com Cuba é uma prática do Estado brasileiro, não do governo atual. As relações Brasília-Havana foram reatadas em 1985 e têm melhorado desde então. Em 1992, no governo Fernando Collor, houve uma tentativa de trocar votos em eleições para postos em organizações internacionais. A prática, como a "Folha de S.Paulo" mostrou em 2011, continuou no governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), sob o qual o Brasil também fechou parcerias e intercâmbios com Cuba.

De fato, em 1998 o então chanceler de FHC, Luiz Felipe Lampreia, se encontrou com um importante dissidente cubano, Elizardo Sánchez, algo que o governo brasileiro parece muito distante de fazer. Pode-se, e deve-se, criticar o fato de o Planalto sob o PT não condenar publicamente as violações de direitos humanos da ditadura castrista, mas não se pode condenar o investimento no porto de Mariel. Nesse caso, prevaleceu o interesse nacional brasileiro".

FONTE da complementação 3: escrito por José Antonio Lima e publicado no início do ano, em 28/01/2014, na revista "CartaCapital" (http://www.cartacapital.com.br/internacional/por-que-o-brasil-esta-certo-ao-investir-em-cuba-1890.html).

IBOPE DESMASCARA A "REVOLTA POPULAR CONTRA DILMA" ESTIMULADA POR AÉCIO




[OBS deste blog 'democracia&política': o "Jornal Nacional" da noite de ontem, quarta-feira, certamente com grande esforço de redação, conseguiu índices Ibope selecionados do passado para, engenhosamente, construir gráficos e notícias surpreendentemente "mostrando" que a aprovação de Dilma e do governo caíram e a reprovação aumentou... William Bonner, com sutil sorriso cínico, parecia acreditar que o público não percebeu a distorção da verdade. Vejamos a seguir a notícia correta e os comentários de Fernando Brito]. 

Aprovação de Dilma sobe. Mas não há uma “revolta popular” contra ela, Aécio?

Por Fernando Brito

"O insuspeito Ibope revelou quarta-feira (17) os dados da pesquisa que faz para a Confederação Nacional da Indústria.

Não apenas confirma, mas amplia os números positivos do Datafolha.

A porcentagem dos entrevistados que considera o governo Dilma “ótimo” ou “bom” passou de 38% para 40%, entre setembro e dezembro.


E a de ruim/péssimo, caiu de 28 para 27%.

E isso com um noticiário impiedoso, que a própria pesquisa registra na percepção dos entrevistados, com o índice de quem o considera desfavorável tendo subido de 33 para 44% do total.

A cinco notícias mais lembradas do país referem-se á Operação Lava-Jato, para você ver como a artilharia é pesada.


A aprovação a seu governo chegou a 52%.

Curiosamente, os que dizem [como FHC] que o governo se sustenta nos “grotões” ficaram sem argumento:

O percentual de ótimo ou bom da região Sudeste cresceu 8 %, o maior entre as regiões.

E subiu 9% nos grandes municípios (com mais de 100 mil habitantes). Há um equilíbrio, agora, com os municípios grandes passando a ter um percentual de aprovação (51%) praticamente igual ao dos municípios pequenos (50%)."


FONTE: escrito por Fernando Brito em seu blog "Tijolaço"   (http://tijolaco.com.br/blog/?p=23797).

SENSACIONALISMO SOBRE AS AÇÕES DA PETROBRAS




Algumas considerações sobre as ações da Petrobras

Por Diogo Costa

SOBRE AS AÇÕES DA PETROBRAS

"Há coisas que me deixam intrigado. Uma delas é o papo furado da imprensa marrom a respeito das ações da Petrobras.

No último pregão do governo FHC, em 30 de dezembro de 2002, as ações da Petrobras estavam cotadas em R$ 4,31.

Desde o início do governo Lula houve uma intensa valorização dessas ações, até o pico de R$ 45,46 em 21 de maio de 2008.

Depois de maio de 2008, o valor das ações não parou de cair, em especial após o 'Crash' [da economia dos EUA] de 15 de setembro do mesmo ano, quando a cotação ficou em R$ 25,80.

Dilma Rousseff iniciou o seu mandato com as ações da companhia valendo R$ 24,71 e terça a cotação ficou em R$ 9,38.

Digo tudo isso porque é a partir daí que se pode extrair algumas conclusões:

1) No fim do período tucano, as ações da Petrobras valiam menos da metade do que valem hoje;

2) Com Lula, houve uma imensa valorização, até o mês de maio de 2008;

3) De maio de 2008 em diante, passando pelo 'Crash' de setembro do referido ano, as ações só fizeram cair;

4) O processo de queda no valor de mercado da companhia começou, portanto, em maio de 2008. Não começou agora, nem com Dilma.


Percebam que qualquer discussão séria sobre o mercado acionário brasileiro ou mundial tem que passar obrigatoriamente pela questão do 'Crash' de 2008.

Os impactos desse evento se fazem sentir até hoje em todas as bolsas de valores do mundo, não só do Brasil.

De resto, é de uma futilidade total essa conversa de 'valor de mercado'.

Ao fim e ao cabo, o que importa não é o capital fictício que não produz um único e mísero prego, mas sim a produção real de uma ou outra empresa.

Isso se mede através do faturamento e do lucro líquido.

E é aí, no mundo concreto, da produção, que devemos concentrar esforços analíticos.

O faturamento da Petrobras no último ano tucano, em 2002, foi de R$ 69 bilhões. No ano passado, o faturamento ficou em R$ 304 bilhões e a projeção deste ano é de faturamento de mais de R$ 330 bilhões.

Quanto ao lucro líquido, a média nos 08 anos de FHC/PSDB ficou em R$ 4,2 bilhões. Nestes primeiros 11 anos de governos de Lula/Dilma/PT (2003 a 2013), a média do lucro líquido ficou em R$ 25 bilhões.

Para falar nessa questão das ações da Petrobras com um mínimo de respeito pelos fatos, também é preciso tocar no assunto da desvalorização recente das commodities.

O petróleo, por exemplo, fechou cotado terça-feira a US$ 60 o barril do tipo brent (menor cotação desde julho de 2009).

O resto, com todo o respeito, é apenas perfumaria e sensacionalismo barato da imprensa marrom e militante."

FONTE: escrito por Diogo Costa no "Jornal GGN" (http://jornalggn.com.br/blog/diogo-costa/algumas-consideracoes-sobre-as-acoes-da-petrobras-por-diogo-costa).

A FALÁCIA DE QUE "AS AÇÕES DA PETROBRAS VIRARAM PÓ"



A falácia de que as "ações da Petrobras viraram pó"

Do portal "Conversa Afiada"


"Por que a Dilma não compra em NY ações da PET pelo preço que o FHC/PSDB vendeu, ou seja, a preço de Vale ?

Quem teve o dissabor de ler o PiG na manhã de terça-feira (16/12) assistiu a um melancólico emprego do que certo lord inglês, professor de Economia, enunciou como a “falácia da composição”: uma propriedade das partes ser aplicada ao todo.

Os notáveis "colonistas pigais" (ver no ABC do C Af) descreveram o “derretimento” das ações da Petrobras e a queda da Bolsa – o todo da falácia – como resultado da “desenfreada corrupção” – a parte – que infeccionou irremediavelmente a empresa que eles querem ver dirigida pelo notável Adriano Pires.

É fácil desmontar a falácia.

As Bolsas desabaram no mundo todo.

As ações das empresas petrolíferas desabaram no mundo todo.

A moeda dos países produtores de energia, como o Brasil, caíram no mundo todo: o rublo russo chegou a se desvalorizar 8%.

Como o Real.

O centro do raciocínio falacioso é transferir a Petrobras e o Brasil para o planeta Marte e fazer de conta que a decisão da Arábia Saudita de derrubar os preços do petróleo não atinge o Brasil.

Os falaciosos, tão colonizados, que não soltam um pum sem consultar os Oráculos Metropolitanos, de repente esquecem os mercados de Londres e Nova York:
http://www.nytimes.com/2014/12/16/business/daily-stock-market-activity.html?ref=business

Vale a pena ver o que diz esse boletim diário dos interesses dos bancos que operam na Inglaterra e nos Estados Unidos, o jornal inglês "Financial Times".

(Ele e a revista "Economist" disputam em batalha sangrenta o papel de melhor representante dos interesses da City, que se transformou no maior paraíso fiscal do Planeta ! Começar pelo maravilhoso campeonato inglês de futebol. Ali, até o bandeirinha se lava !)

Quase US$ 1 trilhão de projetos futuros em petróleo correm risco, depois da queda de quase US$ 60 no valor do barril.

É possível que o risco ameace o equivalente a 8% da demanda mundial de petróleo.

E, como diz a diretora-gerente do FMI, Lagarde, isso pode ser uma boa noticia: porque o aumento do consumo dos que não têm petróleo será maior do que a queda do consumo dos que têm.

Portanto, a se acreditar no "Financial Times", no banco "Goldman Sachs" – autor da analise – e no FMI – a Santíssima Trindade Neolibelês – essa “crise” pode ser bem-vinda.

E, de mais a mais, quem disse que o pré-sal brasileiro é inviável com o preço do barril agora mais baixo ?

O Adriano Pires ?
http://www.ft.com/intl/cms/s/0/b3d67518-845f-11e4-bae9-00144feabdc0.html?siteedition=intl#axzz3M39sPwsJ

"Almost $1tn of spending on future oil projects is at risk after a brutal plunge in crude prices to nearly $60 a barrel, Goldman Sachs has warned.

Any cancellation of these developments would deprive the world of 7.5m barrels a day of new output over the coming decade — or 8 per cent of current global oil demand.
(…)

when oil prices fall, there is no iron law that enhances global economic growth. The main effect is a huge redistribution from oil producers, who receive less for the effort of extracting the black gold, to consumers who benefit from cheaper transportation and energy, enabling them to spend more money on other goods and services or to save their windfall.

Most economists still agree with Christine Lagarde, IMF managing director, who this month said that “it is good news for the global economy”. The positive effect on growth should arise because oil consumers tend to spend more of their gains than oil producers cut their consumption"


Em tempo: por que a Dilma não compra ações da Petrobras em Nova York, pelo preço que o FHC/PSDB vendeu – ou seja, a preço de Vale ?"


FONTE: escrito pelo jornalista Paulo Henrique Amorim em seu portal "Conversa Afiada"  (http://www.conversaafiada.com.br/economia/2014/12/16/a-falacia-de-que-as-acoes-da-petrobras-viraram-po/).

QUEM NÃO DEVE NÃO TEME: GRAÇA PEDIU PARA SER INVESTIGADA





Graça pede para ser investigada: quem não deve, não teme

Por Fernando Brito

"Que presidente de grande empresa pode dizer o que disse quarta-feira cedo Graça Foster, da Petrobras?

Eu preciso ser investigada, os diretores, nós precisamos ser investigados. E para isso precisamos das auditorias internas. Eles chegam, entram na sua sala, abrem seus armários, pegam seus papéis, computadores. E isso é bom”.

É isso aí.

Graça tem de adotar essa postura ofensiva, porque, do contrário, vai ser uma historinha por dia, como a de anteontem [15], em O Globo, sobre um “contrato em branco” para a construção da P-57, que tinha valor estabelecido, como é obvio, desde a sua assinatura.

Tem de responder a tudo, de público, e voltar a usar as ferramentas de comunicação da empresa, porque a empresa precisa delas para se defender.

E não tem de ter prurido em criar situações constrangedoras, até porque isso reforça a posição dos repórteres honestos.

Ela confirmou ter entregue o cargo a Dilma que, é obvio, não aceitou.

A coisa mais importante para a diretoria é a Petrobrás, muito mais importante que o meu emprego.”

É isso aí, de novo.

Graça pode até ser substituída no novo governo, por uma necessidade política natural, porque o processo judicial será longo e desgastante para a Petrobras.

Mas nunca demitida em circunstâncias humilhantes, até porque foram ela e Dilma que afastaram da empresa todos os personagens que estão, até agora, indiciados por corrupção.

Aliás, os pecadores, como a gente vem dizendo aqui, viraram santos, mas não se hesita em acusar quem os afastou."



Venina Velosa, a acusadora, e seu amigo Paulo Roberto Costa

FONTE: escrito por Fernando Brito em seu blog "Tijolaço"  (http://tijolaco.com.br/blog/?p=23805). [A última foto e sua legenda acrescentados por este blog 'democracia&política'].

MÍDIA DO MERCADO EXIGE SUBSTITUIÇÃO DA PRESIDENTE DA PETROBRAS





Como transformar "problemas" em “fim do mundo”. Ou "comando" em "submissão"

Por Fernando Brito

"Não há – e tudo parece demonstrar que não poderia haver – qualquer acusação de desonestidade contra a presidente da Petrobras, cuja cabeça está sendo exigida pelo mídia-mercado, com a ajuda da direita mais histérica.
Não se lhe aponta, também, nenhuma incompetência técnico-gerencial na condução da companhia, cujos problemas nem seus mais ferrenhos inimigos colocaram além dos fatos de ter de conduzir um imenso programa de investimentos de longa maturação e de ter de suportar algo que já não existe: um descompasso entre os preços externos do petróleo e os cobrados internamente por seus derivados.

As denúncias contra ela limitam-se a um “ela sabia”, agora calcado numa funcionária que atuou por anos como braço operacional do “ladrão de carreira” Paulo Roberto Costa e que está, há dois anos, sendo ela própria objeto de investigação, como fica claro na nota expedida pela empresa.

Mas, sem ter roubado um tostão ou cometido qualquer ato desastroso, Graça Foster está sendo imolada em papel jornal.

A razão, claro, é política.

Aquilo, aliás, a que Graça Foster sempre se negou a fazer na empresa e por isso, injustamente, pague o preço de não compreender que a Petrobras é, desde o seu nascimento, inseparável da luta política pela soberania nacional.

Segunda-feira, apontei – ou melhor, transmiti o que "O Globo" apontou – como os objetivos políticos dessa operação.

Não se quer “um técnico” na direção da empresa.

Quer-se um “mercadista”, que transforme o processo de retração circunstancial que a conjuntura – queda de mais de 40% no preço internacional do petróleo – impõe ao ritmo de investimento da empresa em retração permanente de sua participação na exploração do petróleo brasileiro.

Há uma crise mundial aguda e artificial no setor petroleiro (ajudada pela subvenção americana à extração de shale gas), que pode ser vista no gráfico que coloquei no alto deste post, onde incluí também a Vale, que está sofrendo com a redução dos preços do minério de ferro.

Claro que a queda da Petrobras (e da Gazprom, que é da Rússia) sofrem desvalorização adicional,por estarem fora do “clube dos ricos” e, ambas, submetidas a intensa pressão política.

É essa a equação que Dilma Roussef tem de enfrentar.

Devolver à Petrobras as condições políticas de enfrentar tanto à crise externa quanto à sabotagem interna.

Mas não fazer da mudança [da presidente da empresa] um ato de fraqueza."


FONTE: escrito por Fernando Brito no seu blog "Tijolaço"  (http://tijolaco.com.br/blog/?p=23772).

TRENSALÃO TUCANO: O "CARTEL" PAULISTA




"Trensalão tucano": O "cartel" paulista...

Por Anna Beatriz Anjos, na revista Fórum:

"Grandes empresas cartelizadas, contratos superfaturados, pagamento de propina. Quem acompanha os noticiários em tempos de 'Operação Lava Jato' dirá que o cenário descrito remete ao esquema de corrupção operante há anos na Petrobras. Mas as práticas, na verdade, estendem-se a outro caso, investigado no Brasil desde 2008, mas um pouco menos explorado pela mídia tradicional: a formação de cartel em licitações do sistema de trens e metrôs de São Paulo, mais conhecido como “Trensalão”.

Nele, duas estatais também servem de terreno para atividades fraudulentas: a Companhia do Metropolitano de São Paulo (Metrô) e a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), ambas subordinadas ao governo do estado de São Paulo, há vinte anos comandado por políticos do PSDB. A exemplo do que ocorreu com o escândalo da Petrobras, o “Trensalão” tem sido investigado em várias frentes.

A Polícia Federal, uma delas, concluiu seu inquérito no último dia 4 e indiciou 33 pessoas por envolvimento com o esquema. No mesmo dia, o Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP) pediu a extinção das subsidiárias brasileiras de dez empresas envolvidas, além da devolução aos cofres públicos de R$ 418,5 milhões relativos ao período de 2000 a 2002. Em março, o MPSP já havia denunciado criminalmente à Justiça 30 executivos de doze corporações acusadas de participação na rede de corrupção.

Identificando corruptores

Foi em 2013 que novidades importantes ocorreram e impulsionaram os trabalhos de apuração do caso. Em maio, a multinacional alemã Siemens procurou o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE), autoridade antitruste ligada ao Ministério da Justiça, e firmou um acordo de leniência. Em troca de informações sobre a atuação do suposto cartel, os executivos delatores receberam proteção judicial.

De acordo com as investigações do CADE, 18 empresas são acusadas de envolvimento no esquema, que agiu no Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Distrito Federal e em São Paulo – este último contendo a maior parte dos contratos superfaturados. Além da própria Siemens, Alstom (França), CAF (Espanha), Bonbardier (Canadá) e Mitsui (Japão) estão entre as corporações suspeitas. Fornecedoras de material e serviços para o sistema de transporte metro-ferroviário de São Paulo reuniam-se, antes do início do processo, e definiam quem venceria a licitação. Pelo acordo, a ganhadora subcontratava as perdedoras, que recebiam lotes das obras. Ou seja, era um jogo de cartas marcadas.

As companhias ainda teriam superfaturaturado em até 30% os preços dos serviços a serem prestados, de modo a maximizar seu lucro. Os cinco contratos investigados pelo MP-SP até o momento, firmados entre 1998 e 2008, somam R$ 2,7 bilhões em valores da época, segundo cálculos do promotor Marcelo Mendroni, um dos investigadores do caso. Se aplicada a taxa de 30% de superfaturamento, a estimativa é de que o sobrepreço atinja a casa dos R$ 835 milhões.

Para que a rede funcionasse, o cartel pagava propina a servidores públicos. Segundo a Polícia Federal, lobistas e consultores “fictícios”, junto a suas consultorias privadas, articulavam os acordos entre as partes – caminho batizado de “propinoduto”. Um desses intermediadores seria o engenheiro Arthur Gomes Teixeira, presente na lista de indiciamentos da PF.

Além dele, foram relacionados executivos das empresas envolvidas – como Adilson Primo, ex-presidente da Siemens – e dirigentes e ex-dirigentes da CPTM. Nesse último grupo, destacam-se alguns nomes. Primeiro, o de João Roberto Zaniboni, diretor de operações e manutenção da estatal durante os governos de Mário Covas e Geraldo Alckmin (primeiro mandato), que mantinha na Suíça uma conta com US$ 826 mil, valor que promotores brasileiros e suíços suspeitam ser oriundo de propina. No fim de 2013, o país europeu o condenou por lavagem de dinheiro, confiscou seus bens e lhe aplicou uma multa. Depois, o de Ademir Venâncio de Araújo, diretor de engenharia e obras da companhia no mesmo período, cujas cinco contas em um banco suíço abrigavam R$ 1,2 milhão de reais, também bloqueados graças a sua origem suspeita.

Estão na lista também os atuais presidente e diretor de operações da CPTM, Mário Manuel Bandeira e José Luiz Lavorente, respectivamente. Bandeira, mesmo indiciado, foi defendido por Alckmin no começo do mês, quando o governador afirmou que o servidor é uma pessoa “extremamente respeitada”, que lhe gera “impressão positiva”. O tucano mudou de ideia dias depois e declarou, na última terça-feira (9), que realizará “trocas” no comando da empresa. O promotor Marcelo Milani, que atualmente conduz a apuração no MPSP, já havia declarado publicamente que a não substituição dos acusados seria um erro. “Tenho a certeza que eles têm que ser afastados, mas não sou o governador”, completou.

Milani disse acreditar que as irregularidades se mantêm até hoje nos contratos firmados entre a CPTM e essas empresas. Ele, que viajou à Suíça recentemente com outros promotores e procuradores da República, teve acesso a novos documentos e informações que podem levar à indicação de outros envolvidos. A partir disso, a previsão é de que uma investigação seja deflagrada em torno desses contratos mais recentes.

Para o deputado estadual Luiz Claudio Marcolino – líder do PT na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) em 2013, quando o esquema estourou – apesar dos resultados, as investigações não foram realizadas da melhor maneira. “No caso do Ministério Público Estadual, por exemplo, eles sentaram em cima do processo. Tinham a denúncia, as informações, podiam ter ido a fundo – feito quebra de sigilo bancário, fiscal, colhido depoimentos, buscado suspensão de contratos, uma série de encaminhamentos que não fizeram. Passaram-se anos para que o processo fosse retomado. Quem desviou o recurso já poderia ter sido condenado, as empresas poderiam já não estar mais prestando serviços ao estado de São Paulo”, argumenta.

No parecer do MPSP, já está comprovada a fraude em licitações dos trens e metrôs paulistas. Em trecho da peça que pede a dissolução das filiais brasileiras, consta que “as empresas requeridas foram beneficiadas com as celebrações de contratos com o Poder Público, de forma ilegal e inconstitucional”. O governador Geraldo Alckmin (PSDB), entretanto, não abre mão de isentar a si e seus antecessores tucanos de qualquer responsabilidade sobre os fatos. Em diversas ocasiões, garantiu que nenhum deles tinha consciência do que ocorria no subterrâneo das negociações.

Mas se os chefes estavam alheios às práticas corruptas, alguns de seus funcionários de confiança não só sabiam delas, como as integravam. É o caso de Robson Marinho, um dos fundadores do PSDB e principal secretário da gestão de Mário Covas, ao ocupar, de 1995 a 1997, a chefia da Casa Civil. Em agosto, ele foi afastado pela Justiça do cargo de conselheiro do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP), após suspeitas de que tenha auxiliado, mediante recebimento de propina, a espanhola Alstom a conseguir um contrato sem licitação com estatais do setor de energia de São Paulo em 1998, ainda no governo Covas.

Fracasso político

Paralelamente às investigações nos órgãos competentes, o Legislativo também tentou, sem sucesso, iniciar sua própria apuração. Na ALESP, a bancada de oposição tenta, desde agosto de 2013, instalar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para averiguar as denúncias sobre formação de cartel nos trens e metrôs de São Paulo. PT, Psol, PC do B, PDT, um deputado do DEM e uma do PMDB se manifestaram a favor da medida, somando 29 assinaturas – três a menos do que o número necessário para a abertura, 32. Ao se abster de assinar o documento para a sua criação, parlamentares do PSDB ou da base governista, formada por PMDB, DEM, PSD e PV, engavetaram a comissão.

Os deputados ligados ao governador Alckmin fizeram de tudo para que a investigação não acontecesse de fato na Assembleia. Obstruíram tanto qualquer tentativa de abertura da CPI, quanto as convocações do presidente do Metrô, CPTM, das pessoas indicadas por envolvimento no sistema do cartel. A gente tentava convocar para vir à Comissão de Infraestrutura ou à de Transporte [permanentes da Casa], e eles obstruíam”, atesta Luiz Claudio Marcolino.

O governo Alckmin controla com mãos de ferro a ALESP, as comissões, o plenário, a aprovação de projetos de lei e sobretudos as CPI – não passa nenhuma sem a autorização do Palácio dos Bandeirantes”, complementa o deputado estadual Carlos Gianazzi (PSOL). “É totalmente blindado na Assembleia. Tem a completa maioria – dos 94, só 29 deputados são de oposição.”

Em agosto, a reportagem da "Fórum" questionou Alckmin pessoalmente sobre suposta orientação repassada aos aliados para não assinarem o requerimento. “A Assembleia Legislativa é autônoma”, respondeu o tucano à ocasião, sem dar brechas para outras perguntas.

Fim semelhante tomaram as iniciativas de investigação no Congresso Nacional. Por lá, uma CPI mista chegou a ser criada em maio, mas encerrou as atividades na terça-feira (9) sem realizar sequer uma reunião ou eleger presidente e relator que conduzissem suas atividades. O prazo de prorrogação dos trabalhos terminou no dia 3, e não houve pedidos para que permanecesse em funcionamento.

O senador Walter Pinheiro (PT-BA) atribui o fechamento da CPI à atuação do Ministério Público e do Poder Judiciário. “Eles estão revelando com muito mais propriedade do que poderia ser feito aqui. São pessoas treinadas para isso”, relatou à "Folha de S. Paulo".

Marcolino não concorda com o colega de partido. “Acaba sendo um erro não ter dado continuidade a esse processo. Brasília poderia ter esse papel de fazer a investigação mais a fundo”, coloca. “Às vezes, a questão da CPI no Congresso é tratada como questão de revanche política – já que abriu dos Correios, da Petrobras, vamos abrir do Metrô e CPTM. Mas não é. Estamos falando de empresas grandes, que recebem recursos da Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil, BNDES [bancos públicos]. Empresas cujos contratos comprovadamente apresentam problemas. A Câmara e o Senado têm elementos suficientes para abrir uma CPI sobre o Metrô e a CPTM.”

Cobertura: dois pesos, duas medidas

Se, tanto em âmbito estadual como federal, a maioria no Poder Legislativo parece não ter dado ao caso a devida atenção, sufocando os esforços daqueles que tentaram, de algum modo, apurá-lo, o assunto tampouco recebeu os holofotes que merecia por parte da imprensa tradicional.

Os grandes veículos de comunicação não deixaram de realizar a cobertura do esquema. A delação da Siemens ao CADE, pontapé inicial das investigações, foi revelada por matéria da "Folha de S. Paulo", publicada em julho de 2013. Os demais “jornalões” e seus respectivos portais também acompanharam o desenrolar dos fatos. A revista "IstoÉ" produziu uma série de reportagens investigativas sobre o cartel. Entretanto, tudo isso não foi suficiente para alçá-lo à repercussão nacional atingida, por exemplo, pela "Operação Lava Jato".

Para o jornalista Laurindo Leal Filho, doutor em Ciências da Comunicação e professor da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), na comparação da cobertura dos dois episódios, constata-se uma seletividade por parte dos meios de comunicação. “A mídia tradicional tem vínculos históricos com os setores mais conservadores da sociedade, e quando surgem fatos que podem abalar esse vínculo, como é caso do cartel dos trens e metrô, a cobertura é minimizada”, analisa.

Segundo Leal, o problema não é a ausência de conteúdo, mas sim a maneira como o assunto é tratado. Enquanto a "Lava Jato", a cada pequena novidade, ganha sucessões de manchetes, o “Trensalão” é frequentemente escondido. “O espaço dado a essa cobertura é reduzido”, coloca o professor.

Além disso, ele atenta para o que chama de “despersonalização e despolitização” da informação. “Você dissolve a denúncia em diversas pessoas, escondendo o partido responsável. Essa é a forma com que se cobre denúncias que atingem aliados da mídia. Quando não são eles, o procedimento é o contrário: da exacerbação dos casos, politização exagerada, implicando sempre o partido que se quer que seja atingido”, explica.

Os efeitos dessa seletividade se evidenciam na opinião pública. “É muito difícil alguém ter clareza sobre o que aconteceu com os trens e metrô de São Paulo, diferente do escândalo da Petrobras, em que.a mídia tradicional o transformou em situação de fácil entendimento para as pessoas”, avalia o jornalista, que destaca, ainda, que até a escolha dos termos utilizados é diferente: “No caso do metrô, é 'cartel', no da Petrobras, é quadrilha”, completa.

Carlos Gianazzi, por experiência própria, ratifica a versão de que a imprensa paulista utiliza dois pesos e duas medidas. “No geral, não há espaço. Eu mesmo faço muitas denúncias ao Ministério Público, passo pautas para os veículos, mas nunca dão em nada”, repara."


FONTE: escrito por Anna Beatriz Anjos, na revista FórumPostado no "Blog do Miro"   (http://altamiroborges.blogspot.com.br/2014/12/trensalao-tucano-o-cartel-paulista.html).

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