sexta-feira, 3 de julho de 2015

CASA DA MÃE JOANA





CASA DA MÃE JOANA

Por RIBAMAR FONSECA

"Manda a mídia, manda o juiz Sergio Moro, manda o procurador Fernando Lima, manda a Policia Federal, manda o deputado Eduardo Cunha, manda o senador Renan Calheiros. Quem menos manda é a presidenta Dilma.

O Brasil foi transformado na casa da mãe Joana, onde todo mundo manda. Manda a mídia, manda o juiz Sergio Moro, manda o procurador Fernando Lima, manda a Policia Federal, manda o deputado Eduardo Cunha, manda o senador Renan Calheiros. Quem menos manda é a presidenta Dilma Rousseff, o Supremo Tribunal Federal, o ministro José Eduardo Cardozo. Todo mundo faz o que bem entende, ameaça de morte quem não pensa como a oposição, agride ex-integrantes do governo em hospitais e restaurantes e insulta a presidenta da República nas redes sociais e até em adesivos colados em automóveis. E ninguém sofre qualquer punição. As arbitrariedades e a impunidade generalizada transformaram a democracia vigente no país em uma anarquia mascarada.

O procurador Fernando Lima, por exemplo, um dos principais integrantes da força-tarefa da Operação Lava-Jato, certamente sentindo-se fortalecido diante do silêncio e da inércia do STF e da autoridade maior do Ministério Público, chega a debochar publicamente da presidenta da República. Em resposta a uma crítica da presidenta Dilma Rousseff, sobre as delações premiadas, disse à "Folha de S.Paulo" que "como não há [entre delatados da Lava Jato] nem Jesus Cristo nem Tiradentes, não há entre os delatores nem Judas nem Silvério. Porque não vivemos nem na Roma imperial nem nos tempos de Maria Louca (??). Vivemos na democracia".

Ele esqueceu de dizer que, se vivemos hoje numa democracia, devemos, entre outras pessoas, à própria Dilma, que lutou contra a ditadura, chegando inclusive a ser presa. E ele? Qual a sua contribuição à democracia? Na verdade, se houvesse mesmo democracia em nosso país, o procurador Fernando Lima não teria a ousadia de debochar da chefe da Nação, pois as instituições estariam funcionando perfeitamente, sem medo da mídia, e ele, como funcionário público, seria punido pelos seus superiores. Como, no entanto, vivemos mesmo numa anarquia, ninguém mais respeita ninguém. A própria Presidenta não reage aos insultos de que tem sido vítima.

Como uma das consequências da apatia do governo e do Supremo Tribunal Federal, aparentemente amedrontados diante das pressões diárias da grande mídia, o juiz Sergio Moro se transformou no homem mais poderoso do país, promovendo um festival de prisões e estimulando a delação premiada para obter resultados políticos. Todo o mundo jurídico critica os seus métodos arbitrários, até o ministro Marco Aurélio Melo, do STF, mas, como até hoje não houve uma posição formal do Supremo, ele continua fazendo o que bem entende, acolitado entre outros pelo procurador Fernando Lima, ignorando solenemente todos os que discordam dele. E não está preocupado porque tem a mídia, que até já o premiou, do seu lado.




Enquanto isso, o senador Aécio Neves, ainda inconformado com a sua derrota nas eleições presidenciais do ano passado, continua buscando algo para perturbar a presidenta Dilma Rousseff. Até hoje, ninguém tomou conhecimento de qualquer projeto da sua autoria destinado a melhorar alguma coisa no Brasil. Na verdade, ele não faz outra coisa a não ser agredir o governo e procurar motivos para derrubar a Presidenta. Certamente por isso, está perdendo espaço para o governador Geraldo Alckmin, de São Paulo, que se mostra mais maduro e muito mais equilibrado para concorrer à Presidência da República em 2018. Aliás, na propaganda partidária na TV Alckmin fez questão de separar o PSDB de São Paulo do PSDB de Aécio.

Por sua vez, o deputado Eduardo Cunha, hoje o segundo homem mais poderoso do país depois do juiz Moro, deita e rola na Câmara dos Deputados, atropelando tudo para fazer valer a sua vontade. E conseguiu aprovar a redução da maioridade penal no mesmo dia em que a proposta foi rejeitada, contando para isso com os votos até de parlamentares da base aliada. 


Cunha, pelo visto, tem a Câmara nas mãos, pois também faz o que bem entende diante da submissão da maioria dos parlamentares. Sua diferença para o juiz Moro é que ele é chefe de um poder e não tem ninguém acima dele, a não ser o plenário da Casa que, no entanto, vem homologando todas as suas decisões. Talvez por isso ele também defenda o Parlamentarismo.

O fato é que alguém precisa fazer alguma coisa para mudar essa situação de insegurança em que o país está vivendo. Além das prisões indiscriminadas, ao sabor dos humores do juiz Moro, o ódio disseminado pela grande mídia e redes sociais ameaça fazer uma vítima a qualquer momento, pois as agressões verbais a ex-integrantes do governo e a quem não reza pela cartilha da Direita estão se intensificando sem nenhuma medida punitiva. Se nada for feito, um dos muitos desequilibrados que pululam por aí, especialmente nos locais frequentados pela elite paulista, poderá cometer um desatino de consequências trágicas. Afinal, depois que um imbecil pregou a morte de Jô Soares, só porque entrevistou a presidenta Dilma Rousseff, tudo é possível."

FONTE: escrito por Ribamar Fonseca , jornalista, membro da Academia Paraense de Jornalismo e da Academia Paraense de Letras; tem 16 livros publicados. Artigo publicado no portal "Brasil 247" (http://www.brasil247.com/pt/247/artigos/187334/Casa-da-M%C3%A3e-Joana.htm). [Imagens do google acrescentadas por este blog 'democracia&política'].

"SERRA/PSDB É TRAIDOR"




Telmário Mota, no Senado: "José Serra é um traidor do Brasil". Imperdível

Por Fernando Brito

"Há oito meses, abri uma exceção aqui no blog para fazer o que dificilmente faço: elogiar um político, ainda mais por um partido, o PDT, no qual militei por muitos anos e, por isso, em relação ao qual costumo guardar silêncio nos erros e nos acertos, porque sempre serei parcial em relação a ele, pelas alegrias e decepções que só se tem quando o amor é profundo.

Foi para elogiar o senador, então recém-eleito, Telmário Mota, um macuxi do Amapá sem papas na língua.

Hoje, via Luiz Carlos Azenha, no Viomundo, vejo os vídeos de duas de suas falas no Senado e lavo a alma de ver alguém dizer as coisas sem o nhem-nhem-nehem daquilo que um dia Leonel Brizola falou ser “o clube amável da política, com Vossa Excelência para cá e Vossa Excelência para lá” enquanto o Brasil é saqueado.

Assista.

Faz bem para a alma, para o fígado e para o Brasil.

Serra é um traidor:






FONTE: escrito por Fernando Brito em seu blog "Tijolaço"    (http://tijolaco.com.br/blog/?p=28026).

POR QUE OS ENTREGUISTAS CORREM PARA TIRAR O PRÉ-SAL DA PETROBRAS


Porque correm para tirar o pré-sal da Petrobras

Por Fernando Brito

"O gráfico aí em cima mostra a evolução da produção do petróleo no Brasil, a total, a do pós-sal e a do pré-sal.

A simples observação mostra que, fora do pré-sal, a produção está estagnada e só não é declinante porque a Petrobras tem desenvolvido programas de otimização dos poços do pós-sal, porque a Bacia de Campos – com quase 40 anos do início de sua exploração comercial – é uma área madura, a não ser pelas acumulações que, também ali, estão sob a camada de sal.

E que, ao contrário, a área do pré-sal, onde entraram em produção apenas 49 poços – 5% dos 803 poços perfurados na plataforma continental – é crescente.

Em um ano, 63% a mais, um ritmo aceleradíssimo para algo tão complicado – em técnicas, equipamentos e segurança – como extração de petróleo em grandes profundidade no mar.

Não há nenhuma área petrolífera do mundo que tenha apresentado crescimento tão veloz, a não ser, em escala semelhante, o Mar do Norte (Reino Unido e Noruega, basicamente), que recebeu investimentos rápidos e pesados em razão do choque do petróleo de 1973, quando o preço do petróleo saltou 400%.

Mesmo tirando da discussão qualquer convicção nacionalista, olhando sob a mera ótica negocial, chega a ser ridícula a ideia de que perder a garantia de ter, ao menos, 30% dessas reservas imensas, cuja dimensão ainda sequer está exatamente mensurada, seja bom, não somente para a Petrobras, mas para qualquer grande empresa petroleira.

A ânsia entreguista é de tal monta que, nem mesmo o fato de 70% das reservas estarem abertas à participação de qualquer empresa, inclusive as estrangeiras, não basta. É preciso, além de abri-las totalmente, retirar da Petrobras a condição de operadora exclusiva, tanto para poderem controlar o ritmo exploratório em razão de seus interesses econômicos,  como, pior ainda, para uma abjeta – a palavra é essa – fraude na mensuração dos volumes produzidos.

Por que nessas áreas e não em outras? Porque são poços de altíssima produtividade. Um deles, o 7SPH7DSPS, no campo de Sapinhoá, produz sozinho praticamente 50 mil barris de óleo equivalente em um dia. Mesmo com os preços muito baixos do petróleo, são “apenas” US$ 3,1 milhões a cada dia. Outros 18 poços do pré-sal têm produção entre 21 mil e 44 mil barris diários.

O que está sendo feito, mesmo com um olhar desapaixonado, mas simplesmente numérico, revela que se quer tirar da Petrobras mais, muito, imensamente mais que tudo o quanto Paulo Roberto Costa, Alberto Youssef e Pedro Barusco."


FONTE: escrito por Fernando Brito em seu blog "Tijolaço"   (http://tijolaco.com.br/blog/?p=28008).

RECORDAÇÃO PARA OS QUE QUEREM O "FORA DILMA"




O Brasil de Lula vs FHC, segundo Bill Clinton

"Dois vídeos: num, Bill Clinton elogia o Brasil de Lula e, no outro, se irrita com FHC se humilhando, com pires na mão e detonando nosso próprio país mundo afora (bem ao contrário do que fez Lula, cuja diplomacia comercial tentam criminalizar), aliás, era isso o que o tucano fazia e faz até hoje mundo afora com seu incurável vira-latismo: falar mal do Brasil.




As diferenças em números, descritos no post "Enquanto houver Marietas Severos, Faustões não passarão", por Eduardo Guimarães, no "Blog da Cidadania"
(...)

E só para que não restem dúvidas de que Marieta sabe do que está falando, aí vão alguns dados sobre quanto o país melhorou nos últimos anos, apesar das dificuldades momentâneas:


[2002 ou 2003 (início) significam período FHC/PSDB
2012, 2013 e 2014 significam período Lula/Dilma]:


Produto Interno Bruto:

2002 – R$ 1,48 trilhões
2013 – R$ 4,84 trilhões

PIB per capita:

2002 – R$ 7,6 mil
2013 – R$ 24,1 mil

Dívida líquida do setor público:

2002 – 60% do PIB
2013 – 34% do PIB

Lucro do BNDES:

2002 – R$ 550 milhões
2013 – R$ 8,15 bilhões

Lucro do Banco do Brasil:

2002 – R$ 2 bilhões
2013 – R$ 15,8 bilhões

Lucro da Caixa Econômica Federal:

2002 – R$ 1,1 bilhões
2013 – R$ 6,7 bilhões

Produção de veículos:

2002 – 1,8 milhões
2013 – 3,7 milhões

Investimento Estrangeiro Direto:

2002 – 16,6 bilhões de dólares
2013 – 64 bilhões de dólares

Reservas Internacionais:

2002 – 37 bilhões de dólares
2013 – 375,8 bilhões de dólares

Índice Bovespa:
2002 – 11.268 pontos
2013 – 51.507 pontos

Empregos Gerados:

Governo FHC – 627 mil/ano
Governos Lula e Dilma – 1,79 milhões/ano

Taxa de Desemprego:

2002 – 12,2%
2013 – 5,4%

Valor de Mercado da Petrobras:

2002 – R$ 15,5 bilhões
2014 – R$ 104,9 bilhões

Lucro médio da Petrobras:

Governo FHC – R$ 4,2 bilhões/ano
Governos Lula e Dilma – R$ 25,6 bilhões/ano

Falências Requeridas, em Média/ano:

Governo FHC – 25.587
Governos Lula e Dilma – 5.795

Salário Mínimo:

2002 – R$ 200 (1,42 cestas básicas)
2014 – R$ 724 (2,24 cestas básicas)

Dívida Externa em Relação às Reservas:

2002 – 557%
2014 – 81%

Posição entre as Economias do Mundo:

2002 – 13ª
2014 – 7ª

Passagens Aéreas Vendidas:

2002 – 33 milhões
2013 – 100 milhões

Exportações:

2002 – 60,3 bilhões de dólares
2013 – 242 bilhões de dólares

Desigualdade Social:

Governo FHC – Queda de 2,2%
Governo PT – Queda de 11,4%

Taxa de Pobreza:

2002 – 34%
2012 – 15%

Taxa de Extrema Pobreza:

2002/3 – 15%
2012 – 5,2%

Mortalidade Infantil:

2002 – 25,3 em 1000 nascidos vivos
2012 – 12,9 em 1000 nascidos vivos

Estudantes no Ensino Superior:

2003 – 583.800
2012 – 1.087.400

Risco Brasil (IPEA):

2002 – 1.446
2013 – 224

Operações da Polícia Federal:

Governo FHC – 48 [a maior parte engavetada e abafada]
Governo PT – 1.273 (15 mil presos)

FONTES:

47/48http://www.dpf.gov.br/agencia/estatisticas
39/40http://www.washingtonpost.com
42 – OMS, Unicef, Banco Mundial e ONU
37 – índice de GINI: http://www.ipeadata.gov.br
45 – Ministério da Educação
13 – IBGE
26 – Banco Mundial
Notícias, Informações e Debates sobre o Desenvolvimento do Brasil:http://www.desenvolvimentistas.com.br

Como se vê, o país avançou muito em pouco mais de uma década. Alguns números pioraram do fim do ano passado para cá, mas ainda são muito superiores ao passado e a piora é recente.

Desconhecer tudo isso, como fez Faustão, e difundir o derrotismo, o pessimismo a partir de opiniões tão pouco embasadas, baseadas em mera conjuntura – que, como demonstra o retrospecto acima, pode ser revertida como foi a situação dramática do fim do governo PSDB/Fernando Henrique Cardoso –, é triste.

Mas Marieta salvou o dia.

No mesmo domingo, porém, outros fatos políticos opuseram lucidez e estupidez.

O ex-ministro Guido Mantega voltou a ser agredido publicamente. Desta vez, com virulência ainda maior. As cenas impressionantes sugerem que a agressão poderia ter sido até física, se ocorresse em local que facilita a violência, como a rua(...)"

Segue link para texto na íntegra:

http://www.blogdacidadania.com.br/2015/06/enquanto-houver-marietas-severo-faustoes-nao-passarao/


FONTE: do "Jornal GGN"  (http://jornalggn.com.br/blog/spin-ggnauta/o-brasil-de-lula-vs-fhc-segundo-bill-clinton). [Título, imagem do google e trechos entre colchetes acrescentados por este blog 'democracia&política']. 

GLOBO ACUSADA DE 'DELAÇÃO' NA DITADURA




LIVRO ACUSA GLOBO DE 'DELAÇÃO' NA DITADURA

"Obra dos jornalistas Palmério Dória e Mylton Severiano afirma que Roberto Marinho entregou os nomes de 223 intelectuais aos militares no início da Ditadura no país, numa polêmica publicação no jornal "O Globo", na qual acusava o chamado "Comando dos Trabalhadores Intelectuais" de trabalhar "ativamente pela implantação do regime comunista no Brasil"

"Republicando-o agora, chamamos a atenção do alto-comando Militar para os nomes que o assinaram", justificava o jornal. As "Organizações Globo" se beneficiaram amplamente da amizade com os generais; obra será lançada nesta sexta (3), em São Paulo.

Do "Brasil 247"

Livro que será lançado nesta sexta-feira (3), "Golpe de Estado", escrito por Palmério Dória e Mylton Severiano, revela como o jornal "O Globo" se comportou durante o período da Ditadura Militar no país. A obra traz para a atualidade uma das publicações do jornal de Roberto Marinho que revelava nomes daqueles que haviam trabalhado "ativamente pela implantação do regime comunista do Brasil", numa espécie de "delação premiada" aos militares, o que garantiu às "Organizações Globo" farto apoio durante o regime de exceção no país.

"No dia 7 de abril, terça-feira, enquanto os grandes jornais, com exceção do 'Última Hora', continuam comemorando a “vitória da democracia”, o carioca 'O Globo' presta um serviço extra aos militares que derrubaram o presidente João Goulart, que o povo chamava de Jango: um serviço extra de delação, função para a qual o jornalista e humorista Stanislaw Ponte Preta — diante da proliferação de “dedos-duros” em todas as áreas — criou o neologismo “deduragem”, do verbo “dedurar”. 

Nessa época, "O Globo" figurava na rabeira dos grandes jornais. No Rio, os maiores, além do popular "Última Hora", eram o "Correio da Manhã" e o "Jornal do Brasil". Na capital paulista, fica a sede do mais importante do país, "O Estado de S. Paulo", único que se pode considerar como jornal de alcance nacional. Os outros, "Folha de S. Paulo", "Diário de S. Paulo", "Correio Paulistano", figuram em segundo plano. Todos os citados, sempre com a exceção do "Última Hora", já depredado por asseclas de Carlos Lacerda, haviam participado da campanha de desmoralização do governo Jango e deram apoio à quartelada. Agora, uma semana depois, "O Globo" ocupa quase uma página inteira para um texto encimado por esta manchete: “Fundação do Comando dos Trabalhadores Intelectuais (CTI)”. Dizem as quatro linhas da abertura: “Este é o manifesto do chamado Comando dos Trabalhadores Intelectuais, que trabalhou ativamente pela implantação do regime comunista no Brasil. Republicando-o agora, chamamos a atenção do alto-comando Militar para os nomes que o assinaram.", relata o livro "Golpe de Estado".

Segundo a publicação, assinavam o manifesto, divulgado em 7 de outubro de 1963, o crítico de cinema Alex Viany; crítico literário Álvaro Lins; jornalista Barbosa Lima Sobrinho; dramaturgo Dias Gomes; escritor Edson Carneiro; editor Ênio Silveira; escritor Jorge Amado; romancista e crítico Cavalcanti Proença; poeta e escritor Moacyr Félix; militar e historiador Nelson Werneck Sodré; arquiteto Oscar Niemeyer; e o juiz, jornalista e escritor Osny Duarte Pereira. A eles juntavam-se até ali 211 membros fundadores do CTI, totalizando 223 intelectuais que "O Globo" indicava ao alto-comando militar da “revolução” como candidatos ao paredão de fuzilamento.

A obra será lançada em São Paulo, a partir das 19h, no "Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé" na rua Rego Freitas, 454, conjunto 83, próximo à estação República do Metrô. Na oportunidade, também haverá um debate sobre Mídia, golpe e ditadura: ontem e hoje, com a participação de Emiliano José (Secretário de Serviços de Comunicação Eletrônica do Ministério das Comunicações) e os jornalistas e escritores Palmério Dória, Hildegard Angel e Fernando Morais.

Abaixo o texto de divulgação sobre o livro:

O ENTULHO QUE A DITADURA NOS DEIXOU: PAGAMOS ATÉ HOJE PELO GOLPE DE 1964

Um livro indispensável para quem quer conhecer e entender a história do país pós-1964, ano de implantação da ditadura militar que conduziu o país até 1984, quando foi eleito – de forma indireta – o presidente Tancredo Neves, que morreu e foi substituído pelo vice José Sarney – assim pode ser visto “Golpe de Estado”, mais uma obra polêmica de Palmério Dória e Mylton Severiano da Silva, autores dos best-sellers “Honoráveis Bandidos” e “O Príncipe da Privataria”, todos pela igualmente polêmica "Geração Editorial".

Ao relembrar como uma elite financeira, industrial e agrária conservadora levou a classe média à histeria no início dos anos 60, preparando o terreno para o golpe militar de 1964, o livro lança luzes sobre os dias de hoje, quando jornais, rádios e TVs clamam aos céus contra a “corrupção”, levando com eles os desinformados que desfilam nas ruas e batem panelas de suas varandas.

A corrupção – ressalta o editor Luiz Fernando Emediato – foi sempre a palavra de ordem dos golpistas nos anos 50 (para derrubar o governo eleito de Getúlio Vargas, que se matou) e, aliada à ameaça comunista, também nos anos 60, para seduzir os militares fiéis aos norte-americanos. A palavra voltou agora, quando se pretende destruir um partido, o PT”.

Mas, cuidadoso, o editor acrescenta: “Claro que nenhum de nós, cidadãos honestos, podemos aceitar a corrupção. No entanto, quando as denúncias vêm daqueles que sempre a praticaram, aí é bom desconfiar”.

TESTEMUNHAS DA HISTÓRIA

Os jornalistas Palmério Dória e Mylton Severiano da Silva (que morreu antes de ver o livro lançado) recuperam histórias da época, muitas das quais eles mesmos participaram, como agentes ou testemunhas, algumas delas pouco conhecidas. Eles pesquisaram os fatos e entrevistaram outros jornalistas, políticos e personalidades que, assim como eles, viveram os fatos e sofreram suas consequências.

A ideia que os norteia é simples: provar que a ditadura nos legou um entulho de que estamos nos livrando, mas de maneira precária, com fortes recaídas no autoritarismo e com uma sociedade que, em matéria de desigualdade, violência, elitismo e exclusão, continua imbatível. Uma sociedade dividida e grande parte dela igualmente autoritária e conservadora.

Uma frase de Walter Benjamin, afirmando que o estado de exceção é o de regra geral, dá o tom do livro, que tem 32 capítulos e uma providencial linha do tempo com os fatos de maior importância entre 1882 e 2014, quando o golpe militar “comemorou” 50 anos.

O autores, algo saudosos do jornalismo heroico da primeira metade do século XX, lamentam o fato de o jornalismo ter se transformado um negócio comercial, com mais espaço para frivolidades e serviços; a cultura massacrada e transformada em mero objeto de consumo; o predomínio das finanças (agora sob o império global) sobre o investimento, que gera riqueza real; e a persistência da pobreza, da desigualdade e da injustiça social, tendo em vista o estancamento das reformas que tornariam possível o crescimento do país e uma melhor distribuição da renda e das riquezas.

O livro resgata também a imagem do presidente deposto João Goulart, tido na época como homem fraco e dispersivo, mas que, na verdade, tinha grandes projetos sociais para o país e antes do golpe, segundo o Ibope, contava com 86% de popularidade.

Um país pronto para decolar – como aconteceu com a Coreia do Sul – é revelado, com o chocante estancamento do processo que tornaria o desenvolvimento possível, segundo Goulart e seu cunhado, o então ex-governador do Rio Grande do Sul Leonel Brizola. O que se seguiu ao golpe – violações de direitos humanos, prisões, torturas, assassinatos de adversários políticos e até de inocentes – é revelado cruamente, o que pode chocar quem não tem muita informação sobre o período.

Sobre os autores:

Mylton Severiano e Palmério Dória – Envolvidos na análise dos fatos que precipitaram 1964 e em suas consequências nefastas, Mylton Severiano e Palmério Dória testemunharam os crimes e desmandos daquela era, pois Severiano esteve na lendária revista “Realidade”, extinguida pelo AI-5 em 1968, e Palmério Dória, entre outros feitos, escreveu o único livro existente sobre o pistoleiro Alcino João de Nascimento, envolvido no polêmico “atentado de Toneleros” que precipitou o suicídio de Getúlio Vargas em 1954. Ambos documentaram também a era Sarney e a era FHC em livros de denúncia que foram grandes sucessos de vendagem e leitura, “Honoráveis Bandidos” e “O Príncipe da Privataria”.

FONTE: do portal "Brasil 247"  (https://www.brasil247.com/pt/247/cultura/187414/Livro-acusa-Globo-de-'dela%C3%A7%C3%A3o'-na-ditadura.htm).

GUERRA EUA x CHINA




[OBS deste blog 'democracia&política': o artigo abaixo foi selecionado e transcrito pelo site "DefesaNet", que sempre evidenciou sua tendência pró-EUA/Israel, especialmente seus respectivos complexos industrial-militar. Portanto, sugere-se sua leitura considerando essa ótica. A agenda oculta no texto é amedrontar os EUA e seus aliados com a possibilidade de confronto próximo com inimigo poderoso, para acarretar maiores investimentos em armas e, assim, maiores lucros para o complexo industrial-militar]: 

O que a ficção pode nos dizer sobre uma futura guerra entre EUA e China

Por Patrick Tucker, no "Defense One". Tradução, adaptação e edição de Nicholle Murmel

"Ninguém quer pensar em como seria uma guerra entre os Estados Unidos e a China – a menos que essa premissa possa ser transformada em entretenimento.

Um novo livro, resultado de tendências reais em inovação militar, tenta capturar e apresentar exatamente essa ideia.

Todas as tecnologias que aparecem na narrativa, dos canhões elétricos à manipulação de memória cerebral, estão pelo menos em estágio de protótipo na vida real. “Ghost Fleet: A Novel Of the Next World War” (A Frota Fantasma: Um Romance da Próxima Guerra Mundial”, em tradução livre), foi meticulosamente pesquisado por seus autores, Peter W. Singer, estrategista e membro sênior da "New America Foundation", e August Cole, membro sênior do "Brent Scowcroft Center on International Security", no Conselho do Atlântico. A obra apresenta cerca de 20 referências apenas à tecnologia de drones, e quase 400 notas de rodapé.

Então, o que a tecnologia de hoje pode ensinar sobre as guerras do futuro? 

O "Defense One" fez essa pergunta ao autor Singer. Abaixo, você confere a versão resumida desse debate:

Defense One: Uma guerra contra a China não parece algo que muita gente em Washington considere uma possibilidade real no momento, a menos que você esteja jantando com o detrator de Pequim, Michael Pillsbury. Ainda assim, essa é a ideia fundamental do livro. Você acha que esse conflito é provável?

Peter Singer:
O jornal ligado ao governo chinês declarou recentemente que “a guerra é inevitável” se os EUA não mudarem suas políticas no Pacífico. Você encontra discursos nesse tom em toda a imprensa chinesa afirmando que “precisamos de um plano para a Terceira Guerra Mundial”.

E não são apenas os militares no país. Uma pesquisa de opinião foi feita na China e se descobriu que 74% da população acredita que as Forças Armadas venceriam uma guerra contra os EUA. É uma estatística assustadora. Agora, eu não acho que esse confronto seja inevitável. Essa palavra é muito forte. Mas está bem claro que houve deslocamento nas tendências geopolíticas. O século 20 foi moldado, em grande parte, pela competição entre superpotências. Acho que há indícios de que essa rivalidade entre gigantes voltou no século 21 e continuará a ser uma força agindo sobre as nações, especialmente com a ascensão de Pequim.

Defense One: Por que esse ponto de vista não é mais disseminado em Washington?

Singer:
Por medo de que bater de frente com a China tenha alguma repercução econômica. Oficiais da Marinha foram demitidos por tocarem nesse assunto. Mas não significa que os Estados Unidos não se preparem para essa possibilidade. Não significa que não estejamos em uma corrida armamentista contra a China.

Se cruzarmos os planos americanos e chineses, ambos têm essa noção de que a guerra seria curta e intensa. Nós achamos que ambas as partes estão erradas. Achamos que essa atitude torna a guerra mais provável, permitindo talvez que algumas crises saiam do controle. Não seria fácil para nenhum dos lados.

Nota do Defense One: em novembro do ano passado, o Capitão James Fanne, diretor de inteligência e informação da Frota do Pacífico da Marinha americana, foi destituído do cargo e realocado após comentar publicamente que a China estava se preparando para “uma guerra curta e intensa” contra o Japão.

Defense One: O livro se estende por vários ambientes. Do mar ao espaço, há batalhas em todos os lugares. O ciberespaço se torna onde os herois americanos enfrentam mais problemas e vulnerabilidade. Por quê?

Singer:
O termo “guerra cibernética” vem sendo usado para descrever todo tipo de coisa que não é guerra. Roubar roteiros de filme de um estúdio e publicar e-mails constrangedores de executivos não é guerra cibernética, apesar de essa definição ter sido usada por senadores e figuras do gênero.

Nós questionamos: “como seria o combate no ambiente cibernético? O que aconteceria quando as luvas fossem tiradas, e não se tratasse mais de capacidades mínimas, mas dos verdadeiros jogadores nesse cenário?” Além disso, também vimos o surgimento de tudo, desde companhias militares privadas até grupos ativistas como o "Anonymous". As Forças Armadas não incluem esses atores em seus planos e acreditam que esses agentes externos só afetarão aspectos irrelevantes, por assim dizer. Não será esse o caso. E eu quis jogar com isso.

Defense One: Você realmente foi atrás de pessoas na área, que ocupariam alguns desses cargos no livro – indivíduos que a maioria dos autores não procuraria e às quais a maioria dos leitores não teria acesso. Como a interação com essas pessoas influenciou o processo de escrita?

Singer:
Às vezes você tem, em termos jornalísticos, uma entrevista. Em outros casos, são encontros com esses pessoas, e longas conversas das quais você extrai ideias e informações. E há ocasiões em que você está em um local ou evento para outra finalidade, e acaba tirando dados daí. Você vai a um encontro bilateral de líderes chineses e americanos, e pesca alguma coisa: “aquele general chinês não para de fazer essa referência histórica específica”, ou “aquele bilionário do Vale do Silício, olhe só o que ele bebe e como ele anda”, coisas do tipo.

Defense One: Um tema bastante recorrente na narrativa é que toda tecnologia criada pelos militares pode ser voltada contra eles, desde malwares de vigilância até drones que transportam informação. Sério, toda arma que os Estados Unidos tentam usar contra o inimigo acaba, de alguma forma, se voltando contra ou trazendo mais prejuízo do que ganhos. Ao ponto em que isso se torna uma ameaça real. Como os EUA resolvem isso?

Singer:
Há duas grandes suposições que guiam os debates acerca da tecnologia militar americana. Uma é que a vantagem tecnológica dos EUA é, de alguma forma, permanente, quando, na verdade, se considerarmos desde aeronaves "stealth", hipersônicas, passando pela robótica e drones, a China não apenas está desenvolvendo equipamentos idênticos, mas também avançando em campos da tecnologia de ponta. Pequim já fez mais testes de veículos hipersônicos do que nós. E quem tem o supercomputador mais rápido do mundo?

Se existem paralelos com a Guerra Fria, é aqui que as coisas ficam diferentes. A União Soviética era um concorrente militar. Conforme a Guerra Fria avançava, o bloco não era bem um adversário econômico ou científico e tecnológico. A queda da URSS foi causada pela falta de comércio global e pela impermeabilidade a novas ideias.

A China está se tornando um concorrente econômico de uma forma como a União Soviética não foi, um modelo político concorrente, e Pequim também tem um apetite por tecnologia que é insaciável. Esse apetite criou problemas enormes. O país está literalmente roubando produtos.

O segundo grande pressuposto é que as novas tecnologias serão perfeitas. Na verdade, muitos sistemas militares americanos correm o risco de serem como o "Pontiac Aztec", que tentou ser tudo para todos: carro esportivo na frente, minivan no meio e veículo utilitário na traseira. Em vez disso, o carro acabou projetado demais, com promessas e propaganda demais, e caro demais. Eu posso descrever vários programas de defesa atuais que sofrem desse mesmo problema, em que a tecnologia desenvolvida não é lá tão boa para conflitos pequenos ou, como exploramos no livro, guerras de grande porte. Então, para completar, os próprios avaliadores do Pentágono fizeram um exame de cada grande programa de defesa no ano passado e descobriram que cada um deles tinha falhas de segurança cibernética.

Essas falhas se manifestam, conforme o primeiro pressuposto, em termos de tecnologias que deveriam nos dar a vantagem geracional em um futuro campo de batalha. Já perdemos esse investimento.

Esses são os riscos, não apenas agora, mas mais importante ainda, daqui a 10 ou 15 anos. Novamente, há essa má vontade em avançar, e você ouve pessoas dizendo – inclusive o Secretário de Defesa – “Ah, eles não são páreo para nós agora”.

E você pensa consigo mesmo: “agora já é passado. Olhe para frente”.

FONTE: escrito por Patrick Tucker, no "Defense One". Tradução, adaptação e edição de Nicholle Murmel. Transcrito no site "DefesaNet"    (http://www.defesanet.com.br/geopolitica/noticia/19624/O-que-a-ficcao-pode-nos-dizer-sobre-uma-futura-guerra-entre-EUA-e-China/).

quinta-feira, 2 de julho de 2015

AÉCIO PRECISA DE COLEIRA





AO ACUSAR DILMA DE EXTORSÃO, AÉCIO EXTRAPOLA [Derrota causou problema mental? Esquizofrenia aguda?]




"Em seu terceiro turno sem fim, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) fez um dos mais levianos gestos de sua carreira política, ao anunciar processo por extorsão contra a presidente Dilma Rousseff e o ministro Edinho Silva, a partir da delação premiada de Ricardo Pessoa. Quem argumenta é o jornalista Paulo Moreira Leite (PML), que vê indícios até de denunciação caluniosa. "Não custa observar que até agora o senador não se dispôs a esclarecer as doações feitas pelo empresário-delator à campanha de Aloysio Nunes Ferreira/PSDB, em 2010, quando ele concorreu ao Senado. Aécio também poderia olhar para o próprio cofre já que, no ano passado, Pessoa lhe deu R$ 1,2 milhão a mais do que para Dilma. Eis aí um fato bom de esclarecer", diz PML.

Por Paulo Moreira Leite

Num país que enfrenta as dificuldades que todos enxergam, a melhor idéia de Aécio Neves para ganhar as manchetes do dia foi ir até a Procuradoria Geral da República apresentar uma representação contra a presidenta Dilma Rousseff e contra o ministro Edinho Silva, da SECOM em função da delação premiada do empreiteiro Ricardo Pessoa.

O argumento de Aécio para bater à porta da PGR é pesado. Diz que na delação de Pessoa “há uma clara chantagem. Ou ele aumentava as doações ao Partido dos Trabalhadores e à campanha da presidente da República ou ele não continuava com suas obras na Petrobras”. Segundo Aécio, apenas a presidente “teria condições de efetivar essa chantagem.

Não custa observar que até agora o senador não se dispôs a esclarecer as doações feitas pelo empresário-delator à campanha de Aloysio Nunes Ferreira/PSDB, em 2010, quando ele concorreu ao senado. Na época, Pessoa havia acabado de comprar a "Constran", empreiteira que tem um imenso canteiro de obras milionárias justamente em São Paulo, estado que é o berço político de seu candidato a vice em 2014.

Aécio também poderia olhar para o próprio cofre já que, no ano passado, Pessoa lhe deu R$ 1,2 milhão a mais do que para Dilma. Eis aí um fato bom de esclarecer.

A experiência ensina que doações de empresas privadas sempre são difíceis de entender e desagradáveis de explicar, o que faz o autor dessas linhas estar 100% convencido de que nosso sistema político andará muito melhor quando acabar com elas [Porém, o PSDB não permitiu no Congresso acabar com elas]. No fundo, ninguém consegue ficar bem na foto com esse sistema, que admite, essencialmente, dois caminhos.

Se o candidato faz força para receber, pode ser acusado de chantagem, como "VEJA" diz que Pessoa disse na delação premiada.

Mas: e se o candidato não faz nada, e mesmo assim o dinheiro entra numa boa, na conta, só com uma piscadinha de ôlho. Como se justifica isso? São amiguinhos? É bom para o país? Um candidato que recebeu 15% a mais do que a rival, como Aécio, é melhor ou pior do ponto de vista do cidadão comum?
Qual o lado em que Aécio prefere estar?

Há outras dificuldades. A delação de Ricardo Pessoa não foi liberada pela Justiça e permanecerá em segredo, muito provavelmente, até o momento em que a denúncia for apresentada.

Hoje, ninguém sabe — e se sabe não pode provar que sabe — qual seu conteúdo integral. Até haver uma autorização da Justiça, quem divulgar a delação, pode ser enquadrado em crime.

Caso Aécio tenha apresentado uma denúncia cujo teor real desconhece, apenas com base em informações de terceiros, pode ser enquadrado no “delito de denunciação caluniosa,” que pune a pessoa que tenta abrir inquérito a partir de uma denúncia sabidamente falsa. A pena prevista, no caso, é de 2 a 8 anos de prisão, mais multa.



Em qualquer caso, ninguém pode sair ganhando com uma denúncia cujo teor integral desconhece ou, na melhor das hipóteses, não pode revelar. Não custa lembrar que o ex-ministro Cid Gomes foi capa de revista em função de um suposto envolvimento na Lava Jato — até que se descobriu que a historia não tinha fundamento. Outro episódio entrou para os anais da Lava Jato como o “caso Bosta Seca”, envolvendo o conflito de versões entre o doleiro Alberto Yousseff e o delator Paulo Roberto Costa em torno de uma remessa de R$ 1 milhão que teria sido enviada — ou não — para Antônio Palocci.

Isso acontece porque a delação premiada, base da representação de Aécio a PGR, pertence aquele universo de sombra entre a verdade e a mentira, como explica o criminalista Antonio Claudio Mariz de Oliveira, em artigo publicado na edição de hoje do "247": “O encarcerado, com apoio na verdade ou falseando¬-a, passa a acusar companheiros de empreitada criminosa e a narrar situações ilícitas até então desconhecidas. É óbvio que a sua conduta não é inspirada por motivos ligados ao civismo, à cidadania, ao interesse público ou a quaisquer outros nobres sentimentos. Seu interesse imediato é alcançar a liberdade, bem como benefícios outros que vão desde o perdão judicial até a diminuição da pena e o menor rigor em seu cumprimento.

Em função disso, diz o advogado, “a primeira objeção a ser posta diante do instituto da delação premiada se refere à insegurança jurídica que é por ele gerada.

Pode-se acrescentar que, num país onde a legislação exige que a delação seja inteiramente “voluntária,” é duvidoso imaginar que o relator da Lava Jato, ministro Teori Zavaski, irá referendar denúncias obtidas num regime “medievalesco,” palavra que empregou para abrir os cárceres de Curitiba para nove executivos e empresários aprisionados por mais de cinco meses. Isso explica porque um criminalista experimentado como Mariz alerta para a “insegurança jurídica que a delação pode gerar."

FONTE: escrito por Paulo Moreira Leite no portal "Brasil 247"  (http://www.brasil247.com/pt/247/minas247/187090/PML-ao-acusar-Dilma-de-extors%C3%A3o-A%C3%A9cio-extrapola.htm). [Título, imagens do google e trechos entre colchetes acrescentados por este blog 'democracia&política'].